Mahmundi, Red Hot, Jake Bugg e Radiohead lançam trabalhos novos

Enquanto a carioca Mahmundi lançou seu primeiro disco cheio, os gringos liberaram singles dos novos trabalhos. Radiohead lança disco neste domingo, 8 de maio.

E a semana foi de lançamentos. A Mahmundi lançou na última sexta (6) um disco lindo, com algumas canções já conhecidas e outras que são grandes novidades. Vale a pena conferir o disco.

Quem também lançou música nova foi o Red Hot Chili Peppers. Dark Necessities até promete em seus primeiros acordes, mas a mim, pelo menos não empolgou. Ainda espero que o disco me surpreenda.

O britanico Jake Bugg, que já foi até comparado aos irmãos Gallagher, também apresentou sua nova canção. Love, Hope And Misery. A nova música traz uma bela linha melódica, lembrando em certos momentos os timbres usados pelo Alabama Shakes. Mesmo tendo sua bandeira fincada no Folk, Love, Hope And Misery da indícios de que o garoto pretende explorar outras vertentes musicais. Estou bem ansioso pra ouvir na integra o sucessor do aclamadíssimo Shangri La. Vale lembrar que Jake tem apenas 22 anos. É muita maturidade, não é?

Mas quem quebrou mesmo a internet essa semana foi o Radiohead. Depois de cometer “suicídio” digital e apagar tudo de todas as suas redes sociais, os ingleses divulgaram duas músicas, Burn The Witch e Daydreaming.

Daydreaming inclusive ganhou um clipe feito pelo cineasta Paul Thomas Anderson (Magnólia, Sangue Negro). O clipe é denso e deixa muito aflito quem assiste. Obra prima! O disco sai amanhã dia 8 de maio em formato digital. Quem quiser obter uma cópia física, poderá comprar a partir do dia 17 de Junho.

Dê o play e acompanhe nosso querido Thom Yorke a vagar por aí!

Grande abraço,
Raphael Phields.

Tanlan lança o single “A Maior Aventura”

Em trabalhos anteriores, a Tanlan (conhece pouco a banda? Ouça essa entrevista muito legal aqui!) já havia dado prévia do que estava a caminho através de singles, mas pela primeira vez o single vem acompanhado de um clipe.

A Maior Aventura, o clipe, foi dirigido por Mateus Raugust e filmado no Jockey Club de Porto Alegre; A Maior Aventura, a canção, foi mixada e masterizada por Rodrigo Del Toro e nos remete à sonoridade que já conhecemos da banda, e o amor que já foi cantado como sendo o “mais louco do mundo”, agora é colocado como o desafio de “consertar antigos erros, aceitar os mesmos termos” e “dividir um pouco de mim com os outros, e multiplicar um pouco dos outros em mim.”.

De acordo com o vocalista Fábio Sampaio, a banda tem mais dois singles engatilhados, ambos acompanhados de clipes, e após isso eles iniciarão o processo de gravação do sucessor de Um Dia a Mais, ainda sem nome e previsão de lançamento.

A faixa estará disponível dentro de alguns dias em todas as plataformas online, e o clipe está abaixo! Curte aí, é um belo trabalho!

Fiquem na paz.

@marlosferreira

Oficina G3 lança clipe da música CONFIAR!

A produção foi dirigida por Hugo Pessoa, mesmo diretor do DVD Depois da Guerra.

E o disco Histórias e Bicicletas da banda Oficina G3 enfim ganha uma obra áudio-visual. O vídeo que foi gravado antes da saída do baterista Alexandre Aposan, conta a história de um mal que tem se tornado comum em nosso dias.

Com tiros, carro capotando, ação e drama, a obra é uma grata exceção a tudo que vem sendo produzido no gospel.

Acredito que se o mercado Gospel não levantasse tantos muros, esse clipe seria facilmente exibido em canais como o Multishow, Bis e MTV, pela qualidade de sua produção. Destaco o fato da música não ser proselitista, o que vai fazer com que esse clipe, pelo menos na internet, faça muito sucesso entre pessoas de todas as crenças.

Assista ao clipe abaixo.

Banda Mattina lança novo EP

Mineiros de Mantena iniciam o ano com novo EP e clipe Ao Vivo.

mattinaFormada em 2011, a Banda cristã de Rock Mattina (manhã em italiano) escolheu o nome baseada em um texto Bíblico que diz “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”, suas influências são bem variadas, e cada integrante tem suas preferências, mas de um modo geral, as bandas que influenciam a Mattina são Skank, Transmissor, Maglore, Gungor, Incubus, Palavrantiga, Lô Borges, entre outros.

A gravação do EP foi registrada em uma apresentação rodeada por amigos, em um ambiente mais intimista, e os vídeos das quatro músicas do EP vão ser divulgados quinzenalmente, sendo que o primeiro já está no Youtube e você pode assistir abaixo.

São quatro faixas, sendo duas músicas do álbum “Da Janela” lançado no início de 2013, e duas músicas novas. A captação do áudio, mixagem e masterização ficaram por conta de Júnior Diniz do RDO Studio, e a captação e edição de vídeo por Bruno Adson da Inlive Audiovisual.

CLIQUE AQUI e confira o resultado deste excelente trabalho, o EP “O Amor que me mudou”.

Você pode adiquir o EP no iTunes clicando aqui.

Fonte: Na Vitrola

[youtube]http://youtu.be/bny_x0_H74U[/youtube]

Banda KARMEL (São Leopoldo/RS) procura guitarrista

A banda KARMEL, de São Leopoldo/RS, procura guitarrista solo para trabalho sério e autoral.

cd karmel

Nossos amigos estão trabalhando na pré-produção do primeiro disco que virá seguido de videoclipes e documentário. Interessados pode entrar em contato com Dudu Oliveira pelo Facebook.

Aproveitem para curtir um pouco o som dos caras, altamente recomendável!

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=iFveLtVB6Rc&list=PLAVpBRgetEZ33LnYOHUtWyJNGuWTA0gPM[/youtube]

Mais informações (e mais sons) podem ser encontradas nos links abaixo:

http://www.karmel.com.br
http://www.facebook.com/karmeloficial
http://www.youtube.com/karmeloficial
https://soundcloud.com/karmeloficial

Fiquem na paz

@marlosferreira

Qual é o lugar do rock no Brasil atual?

Antes de desenvolver o argumento, quero postar links para 3 matérias:

1 – Gostar de rock começa a ser diferencial positivo em processos seletivos, leia aqui.

2 – Pesquisa do IBOPE divulgada em Outubro de 2013 diz que 52% dos ouvintes de rock pertencem às classes A e B, leia aqui.

3 – Nenhum rock consta entre as 30 canções mais executadas no Brasil em 2013, leia aqui.

Os 3 fatos apontam para o mesmo lado. No primeiro caso a tendência tem um aspecto positivo, pois mostra que o preconceito contra os roqueiros está desaparecendo, mas por outro lado se o aspecto “rebeldia” do rock está sumindo, qual seu papel atual? O segundo nos diz que o rock não fala mais às classes econômicas mais baixas da sociedade. No terceiro fato, apenas a constatação de que no Brasil o rock definitivamente saiu de moda.

tatoo1

O rock no Brasil não é mais a música da festa, da diversão, das baladas (acredite, já foi um dia), esta função está a cargo do sertanejo. Também não é mais a música do inconformismo político e social, o rap assumiu esta função. Além disso, ainda há a função que o rock perdeu para o funk, a função da música que incomoda, que faz o cara do carro ao lado fechar os vidros, a música que deixa os pais (ou pelo menos parte deles) envergonhados, a música sacana, debochada, simplória. O funk se apropriou disso tudo.

No decorrer da história da música pop, sempre houve ondas de ataque e contra-ataque. Em uma análise bem simplória, quando ele ficou pop, dançante e juvenil, veio uma onda psicodélica. Quando ficou muito bicho-grilo, veio uma onda de som mais pesado. Quando ficou muito virtuoso, veio a onda punk, e assim por diante. No Brasil esta cronologia não é tão clara, mas o fato é que o rock de uma maneira geral sofreu o contra-ataque de todos os outros estilos musicais, porém é bem claro que o funk  é que tomou o maior espaço, e a simplicidade em fazê-lo explica muito disso. Por mais simples que o rock seja, ainda exige tocar um instrumento em um nível aceitável, ter um mínimo de afinação, e conseguir compor algo. O funk não exige nada.

Que função então restou ao rock, a de ser a música de gente “diferenciada”?

Os números apontados na pesquisa do IBOPE não chegam a ser novidade alguma, o rock brasileiro sempre foi feito por elites e para elites. Gostem  (ou sintam-se elitizados) os roqueiros ou não.  As exceções aqui não o breve movimento punk no final dos anos 70 e início dos 80 (especialmente em SP, com ligação com os sindicatos da região do ABC) e a extrema popularização que o pop/rock brasileiro atingiu em parte da década de 80. Fora isso, nossas bandas surgem majoritariamente na classe média alta, e fala para esta classe. Pode falar para um público maior em momentos de popularidade, com canções mais pop, românticas, mas em sua essência controversa e questionadora, fala para poucos. Desta forma, voltamos a estaca  zero.

Temos então uma geração de roqueiros bem sucedidos profissionalmente, com suas tatuagens devidamente escondidas em belos ternos e sua rebeldia disfarçada em cabelos bem penteados e a barba bem feita. Obviamente isso não é um problema em si, pois ter sucesso profissional e não ser julgado por uma tatuagem é ótimo, mas então a frase célebre da Rita Lee “Roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido” está devidamente sepultada.

Talvez um dos últimos redutos onde rock ainda incomodava era dentro das igrejas, mas o rock como música de matriz anglo-saxã, baseada em melodias teve muito mais facilidade para romper esta barreira do que, por exemplo, ritmos africanos. O rock domesticado está devidamente integrado nos cultos, e mesmo quando não tão domesticado assim, é comum roqueiros cristãos curtindo sons mais pesados sem incomodar seus líderes.

Então temos um rock religioso, civilizado, respeitado, burguês, conservador e com público bem definido. Ele sobreviverá bem desta forma, não tenho dúvida, já é um senhor e precisa se preservar de certas estripulias adolescentes, já tem status de clássico e deixou muita gente rica. Seus maiores méritos no momento estão ligados ao aspecto estritamente musical, os resultados sonoros mais interessantes continuam saindo do rock e de suas vertentes, mas quem liga para isso hoje em dia? Somente o público do rock mesmo.

O suspiro de esperança vem justamente da acomodação, é a acomodação atual que pode estar gerando algo de diferente que possa renovar o rock, sua atitude, sua estética, seu discurso.  O rock precisa voltar a andar na contramão, voltar a incomodar, ao mesmo tempo, o rock se autodestrói quando os fatores se tornam todos favoráveis, ele implode, seu habitat natural é longe da zona de conforto tanto de público quanto dos artistas.

t-shirt-feminina-ramones-preta-c-dourado-fr-fashion-1233-MLB4745398915_072013-F

Não acredito que o rock volte a ter no Brasil a abertura e presença popular que teve nos anos 80, e nem gostaria que isso acontecesse,  porém acredito que ainda é tempo de ganhar alguma relevância, conquistar um pouco mais de espaço, só isso. O problema é que no Brasil temos uma tradição de monocultura, quando algo começa a fazer sucesso, todo o mecanismo se volta na mesma direção, a mídia de maneira geral elege a bola de vez e todo o espaço é tomado por um único estilo, algumas vezes por um único artista. É a cultura do 80 ou 8, ou se faz um mega sucesso e toda a máquina funciona a seu favor, ou você não é ninguém, não há respeito para diferenças que possa haver no público, todos precisam estar ouvindo a mesma coisa ao mesmo tempo para que o mainstream tenha seu trabalho facilitado. Os estilos podem coexistir tranquilamente, tá certo que nossa mídia não colabora muito para isso, e que as bandas também tem parcela de culpa neste processo, mas a má vontade que percebo em relação ao rock é prejudicial a todos no contexto da cultura pop. Isso reduz as possibilidades de que o rock volte a incomodar, pois um garoto não vai encontrar motivação em fazer um som que seja igual ao que seu pai ouve. Isso aumenta a estagnação criativa e reduz o rock a um saudosismo decadente.

Alguém, além de mim, ainda acha estranho que se venda camisetas dos Ramones na Renner?

Fiquem na paz.

@marlosferreira

Underdot entrevista – Tanlan

tanlan_marlosNunca fui de ouvir rádio Gospel, então o padrão Gospel nunca foi parâmetro para mim, mas quando comecei a me sentir incomodado com a música Cristã que estava dominando as igrejas e seus grupos (ou Ministérios, se preferir) de Louvor, começou uma divisão na minha cabeça: como músico, a música que eu tocava não era mais a música que eu ouvia.

Fora do Brasil já existia um movimento de música Cristã alternativa, mas quando eu procurei referências nacionais tudo era muito vago. Mas dois nomes apareceram para mim lá pelos idos de 2008: Aeroilis e Tanlan.

Imediatamente procurei contato e mais informações, e adquiri os CDs que eles tinham disponíveis na ocasião. Alguns anos depois, com o aprimoramento das redes sociais e a facilidade de contatar as pessoas foi surgindo a oportunidade de trocar umas ideias com o pessoal da Tanlan.

Então no dia 04/12/2013, uma madrugada quente de Porto Alegre, após um dos ensaios da banda para o Rock no Vale, tive uma conversa agradabilíssima com Fábio Sampaio, Beto Reinke e Fernado Garros. Falamos sobre a história da Tanlan, música Cristã no Brasil, Festival Promessas entre outros assuntos. Entre as declarações bombásticas, a de que o Acre existe, e a Tanlan já esteve lá!

OBS.: A entrevista foi gravada na semana que aconteceu o Rock no Vale e como nós do Underdot acreditamos no projeto, resolvemos manter a parte que a banda fala sobre o festival, mesmo que isso deixe a entrevista datada, já que ela está indo ao ar exatamente 1 mês depois da ótima apresentação da banda no Rock no Vale.

 

Covers de “Músicas Seculares” feitos por “Bandas Cristãs”

Alguns restaurantes que frequento parecem que só possuem dois CDs: um do Emerson Nogueira e outro da Danni Carlos. Esses músicos são conhecidos por terem gravado alguns CDs de covers e eles até são legais, bons músicos;  mas não compraria seus discos (apesar de já ter presenteado alguém de amigo oculto com um álbum do Emerson).

reis2

Emerson Nogueira e Danni Carlos, os Reis dos Covers.

Muitas “Bandas Cristãs” incluem em seus repertórios algumas músicas de “Bandas Seculares”. Essa diferenciação de “Música Cristã” x “Música Secular” é um assunto muito complicado e que infelizmente aqui no Brasil é um ponto de grande polêmica.

Mas não quero adentrar nesse embate, pois essa postagem é simplesmente para falar de algo que gosto muito: COVERS.
Quando um músico executa uma canção já consagrada (ou não) de outro artísta e cria uma nova “roupagem musical” para ela, acho isso fantástico.

Como não abrir um sorriso ao escutar a versão de “What A Wonderful World” cantada” pelo Joey Ramone de um dos maiores clássicos de Louis Armstrong.
Então, quero fazer uma lista de alguns covers feitos por “Bandas Cristãs” de “Músicas Seculares”: Continue Lendo…

Projetos de Bride e Carman no Kickstarter

Dois grandes nomes da música cristã mundial estão com projetos no Kickstarter para seus novos trabalhos.

Incorruptible

Bride já teve um disco produzido graças a ajuda dos fãs uns anos atrás. Agora esse tipo de projeto está mais comum do que nunca, principalmente para projetos tecnológicos, mas muitos musicais também. A banda já vem ensaiando há algum tempo no estúdio caseiro dos Thompson. O projeto do Bride é bem simples, ajudando com 25 dólares, tu já ganha o CD (mais 5 dólares para o frete para fora dos EUA), ajudando com 50 dólares além do CD, ganha uma camiseta do Bride (10 dólares para o frete internacional).

Objetivo do Bride é conseguir 3 mil dólares, já conseguiram 1800 dólares

Aqui vai o link para o Kickstarter do Bride: http://www.kickstarter.com/projects/1812906513/the-christian-rock-band-bride-is-recording-their-n

 

Game Changer

Carman anunciou meses atrás que está com um câncer muito agressivo e que os médicos deram expectativa de vida de no máximo 3 anos. Normalmente, a pessoa entraria em depressão com uma notícia dessas, mas Carman motivou-se a gravar um novo disco e está com um projeto mais ambicioso no Kickstarter. Carman sempre teve shows e vídeos cheio de efeitos e produção, logo, quer fazer algo grandioso, talvez também como uma forma de despedida.

Saõ 14 formas de participação, de 1 dólar até 10 mil dólares. A mais simples, tu recebe o vídeo e a música antes do lançamento, a mais cara a igreja do baker recebe a visita do Carman, além de todos os itens (CD, camiseta, jaqueta, DVD, área VIP em show, etc). Ele já arrecadou 180 mil dos 200 mil dólares do objetivo.

Aqui o link pro Kickstarter do Carman: http://www.kickstarter.com/projects/886460906/new-carman-album-and-music-video

Oficina G3 – Pra frente é que se pedala!

Entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000 eu fui a muitos shows do Oficina G3 em Curitiba, assisti ao Acústico e a vários “elétricos”, era uma fase muito boa da banda, de grande popularidade, mas também com muita gente que torcia o nariz para o então novo vocalista, o PG, e para a sonoridade mais pop de CDs como o “O Tempo”. É difícil analisar um trabalho do Oficina G3 sem considerar as fases, as mudanças de formação e sonoridade, por isso este texto não tem a pretensão de fazer uma análise completa da carreira desta banda, vamos nos concentrar no período mais recente e falar do CD “Histórias e Bicicletas – Reflexões, Encontros e Esperanças”.

Ao contrário de vários outros artistas sobre os quais já falamos aqui no UnderDot, o Oficina ainda permanece fortemente vinculado ao mercado Gospel (entenda isso como quiser), lançando seus trabalhos pela gravadora MK e participando de eventos como o Festival Promessas. Desta forma não espere encontrar questionamentos ou críticas ao sistema religioso, o som é pesado, mas não há contundência no conteúdo. O Oficina G3 é a maior banda de rock Gospel do Brasil, e isso pode ter diferentes leituras.Oficina_G3_-_Histórias_e_Bicicletas_(Reflexões,_Encontros_e_Esperança)

 

Gravado no estúdio RAK, em Londres, logo de cara você percebe que eles seguem no caminho do metal progressivo, pelo isso fica claro para mim. Como o metal tem inúmeros rótulos e subdivisões, alguém pode ter uma definição mais precisa, ou o mais fácil seria fazer como a Globo nos anos 80, que pegou metal, hard rock e punk rock, colocou tudo num saco só e chamou de “rock pauleira” (sic). Tecnicamente eles continuam ótimos, sempre foram reconhecidos por isso e melhoram a cada trabalho, o vocalista Mauro Henrique está achando a sua própria voz dentro do som e está gritando menos, embora ainda lembre o PG em certas passagens.

O trabalho abre com a faixa “Diz”, cujo riff lembra Queens Of The Stone Age, mas obviamente mais pesada e com mais efeitos e com Alexandre Aposan desfilando técnica, velocidade e pedais duplos à vontade

A música “Água Viva” segue com guitarras vigorosas e finaliza com um belo solo de piano. O peso alivia um pouco na faixa “Encontro”, com vocais melódicos, um belo texto declamado por Roberto Diamanso, além de passagens que indicam um pouco do drama vivido por Mauro, com o falecimento recente de sua esposa:

E se você partir, leve um pouco de mim

E plante em seu jardim

Pois o que me deixou

Me transformou e nos aproximou.

 

Como o próprio nome do disco adianta, outras reflexões vão surgindo no decorrer do CD, a música “Confiar” é a primeira faixa de trabalho e também trás trechos mais intimistas:

Se minha mente me atormenta com a dor,

Lembro das palavras que me deixou

O brilho da tua luz, sinto o teu calor

O teu conforto me alcançou

Vou confiar… e me entregar…

A cada dia basta o seu próprio mal

Quero só descansar.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=X5fhXHxW1Es[/youtube]

Na sequência temos “Não Ser” e “Compartilhar”, ambas com ótimos riffs e sonoridade densa, mas nada perto das passagens de trash metal e vocais guturais do CD Depois da Guerra. A primeira tem guitarras soando bem atuais e ótimo refrão (e, ok, tem uns gritos no final também…), e a segunda é mais melódica, começa com um discurso de cunho social sobre desigualdade, mas depois volta a abordar o sentimento de perda:

No quinto andar é a dor e o choro

Que anunciam uma nova vida

No sexto andar há outra dor e choro

Lamento de uma despedida.

 

A faixa “Descanso” os violões são o destaque, e é a melhor balada do CD, tem muito potencial para ser hit mas não consegue (provavelmente nem pretende) escapar de uma certa melancolia na letra, falando sobre dor, falhas e a busca do descanso. É também o melhor momento do Mauro no CD.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=I_n4nJguSo0[/youtube]

A versão da música “Aos Pés da Cruz”, do Kleber Lucas ficou surpreendentemente boa, tem um toque de Coldplay nos teclados, um dos melhores solos de guitarra do CD, e termina com um belo fraseado de contrabaixo. É fácil imaginar essa verão sendo tocada pelas igreja Brasil afora. Pessoalmente eu não gosto de muitas músicas do Kleber Lucas, mas a escolha por esta foi acertada.

Nas faixas “Sou Eu” e “Lágrimas” nada muito memorável, apenas as boas variações instrumentais desta (longa) última, com espaço para todos os instrumentistas mostrarem seu talento. O CD finaliza com mais uma versão, desta vez de Michael W. Smith, mais ao contrário das (desnecessárias) 3 faixas em inglês do trabalho anterior, a música “Save Me From Myself” até que encaixa bem,  não soa deslocada e fecha o disco aliviando o peso mas mantendo um pouco da melancolia.

551273_542213992488008_1557266202_n

Em relação ao trabalho anterior, o Depois da Guerra, o novo CD está menos agressivo, mais compacto (apenas 11 faixas), mais regular, o Mauro parece estar mais confortável, Junhinho Afram está mais concentrado em riffs, timbres e texturas diferentes do que em solos, o resto da banda esbanja competência e inspiração.

O balanço final é um disco com bem mais altos do que baixos, que pode manter a nova geração de fãs e até recuperar parte dos antigos, mas o importante é a sequência do trabalho mesmo com turbulências pessoais rondando os integrantes. O Oficina G3 segue inquieto, sempre buscando novas sonoridades, nem sempre acertando, mas sempre pedalando. Pra frente.

Fiquem na paz.

@marlosferreira