Editorial UnderDot – sobre ódio, intolerância e democracia.

Este texto está dividido em duas partes, e é significativo que um sulista e um nordestino sejam os responsáveis por ele.

Por Marlos Ferreira

A tragédia nas redes sociais foi se anunciando, a cada pesquisa, a cada debate, a cada piada de mau gosto, a cada mentira compartilhada, a cada generalização do tipo “só analfabeto e corrupto vota PT” x “só coxinha e egoísta vota PSDB”, o monstro foi criando forma, e o monstro saiu de seu esconderijo (se é que estava escondido) com violência entre ontem e hoje.

Vale ressaltar que o “deixem a Dilma governar só o Nordeste” é tão preconceituoso quanto “eleitor do Aécio deveria sair do Brasil”. Exilar quem pensa diferente é algo recente em nossa história, aconteceu logo ali na Ditadura Militar, lembram? Enxergar em si toda a virtude e no próximo todos os defeitos nos afasta da nossa realidade, a de que somos todos humanos imperfeitos.

Feita a ressalva, não posso ser ingênuo a ponto de comparar provocações e colocações infelizes, com os crimes de preconceito, injúria e xenofobia que tomaram conta das redes sociais após o anúncio da reeleição de Dilma Roussef, definitivamente são coisas bem separadas, e foi assustador. Eu já havia colocado alguns filtros em meu perfil, já estava evitando alguns radicais de ambos os lados, evitei entrar em polêmicas, não abri meu voto, mas ainda assim não estava preparado para o que aconteceu, principalmente para os ataques mais baixos vindos da parte da população que se diz mais culta.

Quando foi que esquecemos (se é que um dia soubemos) que, em última análise, o voto do cidadão que votou “com a barriga” tem exatamente o mesmo peso e a mesma validade do voto do cidadão que fez uma avaliação aprofundada, levando em consideração aspectos históricos, políticos e econômicos? Ambos valem apenas e tão somente um voto, correspondem a uma opinião, um desejo, uma vontade e uma esperança. Que ambos os lados podem ter razão a depender de seu ponto de vista e contexto sociocultural, que tanto o cidadão que ficou com medo de perder o Bolsa Família quando o cidadão revoltado pela quantidade de impostos que paga e a baixa qualidade dos serviços que recebe em troca, tem a mesma representatividade e que justamente esta é a beleza da Democracia?   Se você não está pronto para conviver com isso, não é democracia o que você deseja.

Nesses tempos de vida virtual, onde a impressão que você passa em seu perfil vale mais do que o que você realmente vive ou é, fico aliviado em não ter tomado parte das manifestações no ano passado, vendo agora parece apenas um evento a mais para tirarmos fotos e compartilharmos frases feitas e pensamentos rasos nas redes sociais.  Elas realmente não significaram nada para nós como Nação. Como Povo.

Como brasileiro nascido e criado no Sul do Brasil, eu peço desculpas. Como homem branco, heterossexual, cristão e formado, peço desculpas. Como cidadão viajado, que conhece um pouco desse Brasil a ponto de enxergar mais semelhanças do que diferenças, e enxergar suas belezas e mazelas em todos os rincões e metrópoles, humildemente peço desculpas.

Im-Sorry

 

Passo a bola para meu irmão Nordestino, Marcus Barreto.

 

Esse post, escrito a quatro mãos, não tem como objetivo uma espécie de retratação ou exaltação. Simplesmente é uma tentativa “nua e crua” de entender como as redes sociais viraram um campo de batalha onde muitos, supostamente protegidos pelo anonimato, destilam ódio e opiniões sem o mínimo embasamento. E tudo isso usando como pressuposto a democracia e a liberdade de expressão.

De antemão, digo que sou apartidário, não creio em ideologias e nem estava defendo nem Aécio e nem Dilma.

Tinha a certeza absoluta, fosse qual fosse o resultado que ainda no domingo, logo após o resultado para eleição presidencial, os nordestinos seriam “agraciados”, mais uma vez, com posts carregados de ignorância, e ignorância tanto no sentido de desconhecimento como no sentido de estupidez mesmo.

Assim, fui “brindado” com a sugestão do Romeu Tuma Jr., em dividir o país, deixando a parte do Norte com Dilma, claro (leia aqui). Em outro post, vi uma mulher escrever algo como: “Se aparecer algum nordestino em MG, toco fogo”. Ela só esqueceu um pequeno “detalhe”, Aécio perdeu em Minas, mas esse detalhe, em nome da demonização do Nordeste, pode ser omitido.

Poderia ficar me lamentando ou incitando ainda mais esse “BA x VI” (ou FLA x FLU, se preferirem) estúpido. Ou poderia ir pelo caminho do conflito de classes, ou citar Boaventura de Sousa Santos e destrinchar a questão do campo hegemônico. Mas acho que a coisa é mais profunda e ao mesmo tempo básica. O que falta é algo chamado respeito, além da falsa noção de democracia. E ao contrário do senso comum, creio que futebol, religião e política se discutem, sim! Basta que cada um respeite a opinião contrária e todos poderão conviver tranquilamente.

Porém, respeito é o que menos existe. Além de que, dificilmente é possível discutir de maneira salutar.  Observem que em qualquer discussão, quando um dos lados não tem mais argumentos, a coisa vira ataque pessoal. Daí, inúmeros casos de amizades desfeitas por causa da eleição.

E na esteira do DES-respeito, vem a noção errada de democracia. Em lugar nenhum do mundo todos pensam da mesma maneira. Logo, é necessário respeitar o desejo da maioria. Mas como constatado, o que está valendo é impor um ponto de vista, ou no caso, um candidato.

Li e ouvi muita gente criticando o fato de Jair Bolssonaro e Marco Feliciano terem sido eleitos. Mas isso é democracia! Eles podem não representar o que penso, mas com certeza representam muita gente.

No final das contas, toda essa celeuma só reforça estereótipos. Seja do nordestino visto como “burro” e/ou “miserável”. Seja do sulista como “preconceituoso” e “arrogante”.

 

Infelizmente, como ironicamente pontuou Marco Antônio Araújo, “democracia boa é aquela em que nosso ponto de vista prevalece. O resto é coisa de gente burra e alienada”. E essa é a noção de democracia que infesta as redes sociais.

 

Fiquem na Paz.

A Religião do Rico e a Religião do Pobre

Sempre gostei de Teorias da Conspiração. Imagino que no meio de um monte de ideias insanas e desacopladas da realidade, pode existir algo tão verdadeiro que é tomado como ficção. Alias, a realidade é a melhor obra de ficção que existe. Se toda a verdade fosse contada de maneira crua em um livro, este seria taxado como surreal.

E o ano de 2013 será aquele mais surreal na história brasileira. O ano que o povo acordou e foi as ruas. Fez sua voz ser ouvida, e depois voltou a dormir. Não acredito que ele esteja completamente adormecido, mas apenas em um sono latente, esperando um estopim. Alias analisou um irmão presbiteriano nos anos de 1960 em uma das melhores analises sobre nosso subdesenvolvimento e o papel do cristão na sociedade já produzido pela igreja brasileira: “Reverendo, estamos fazendo pic-nic em cima de um vulcão!”

2013 foi também o ano em que fui presenteado com um melhor entrosamento com alguns graduandos, pós-graduandos e professores do Instituto de Economia (IE) da Unicamp. Até me lembrei de algumas analises que o PT fazia na época do governo FHC. Nessa época o presidente sempre falava que eramos um pais em desenvolvimento, mas o PT como oposição afirmava e reafirmava: somos subdesenvolvidos. Quase 10 anos de PT, o mesmo afirma: somos desenvolvidos! Essa é a maior mentira que existe hoje. E essa proximidade com amigos do IE me fizeram entender como a elite brasileira trabalha para continuarmos nessa posição. Já dizia o profeta Renato Russo: somos escravos por educação. Ao fim de algumas palestras consegui entender como a industria que trabalho e luto para transformar foi destruída nos últimos 10 anos. Não devemos nos tornar gente grande, devemos continuar sendo bobinhos que dão lucros abusivos a empresas estrangeira, assim é na área de TI e em qualquer outra área.

Não imagine que é por incapacidade nossa que temos péssimos serviços. Eles são assim porque muita gente quis assim. Nossa elite já vendeu a alma a interesses externos para fazer os de fora ganhar muito dinheiro com nosso pouco trabalho. Não será nenhum governo democraticamente eleito que mudará isso, só o povo na rua. Não é por acaso que nossos bancos tem os maiores lucros do mundo. Nossa telefonia é a mais cara e a pior. Nossas passagens de avião as mais caras. ETC….

Não foi por acaso que a mídia, principalmente a Globo, patrocinou a total hostilidade a partidos políticos nas manifestações de junho. Sem partidos políticos, não há dialogo com governo. Não há representação. Ninguém poderia atender o chamado das ruas, somente um ditador. Talvez era isso que a nossa mídia queria. Um Batman….

Mas no decorrer desse ano fiquei com uma duvida na cabeça. Se nossa elite é tão expert em fazer o nosso povo escravo de si mesmo, como ela usa a nossa religião? Se esses pastores da TV são tão nocivos, porque não há um combate a eles?

A resposta me veio em letras garrafais, na tela do cinema. Ironicamente quando pensava nisso fui convidado para a estreia de um filme patrocinado em crowdfunding. Me foi informado que o filme era sobre espiritualidade contemporânea, não entendi o que isso significa, mas fui ver… Antes de continuar meus devaneios deixo o trailer do filme:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=jXPdonaB4Vo[/youtube]

O filme tenta construir uma ideia de Felicidade como algo interno. Algo que deve ser buscado por você, dentro de você e não depende de ninguém. Paz é você estar bem como você mesmo. você quem constrói, não precisa ter logica. Não precisa explicar o mundo. Não precisa ser coerente com o homem.

Tenho que ser honesto. O filme é bonito. Tem boas imagens. Se fosse mudo seria melhor! Nada contra as pessoas que dão os depoimentos, eles realmente tem sua fé e acreditam em alguma coisa. Mas a espiritualidade do filme reflete a espiritualidade das pessoas que deram o depoimentos?

Temos alguns nomes bem conhecido nosso: Marina Silva e Leonardo Boff. Ambos falam sobre felicidade no filme, ajudando a “construir” coletivamente a ideia de felicidade da sociedade atual. Mas se analisarmos o que ambos andam escrevendo recentemente nas mídias sociais vemos rapidamente que o que ambos entendem por felicidade não é condizente com o que o filme mostra de felicidade, alias a fala da Marina é cortada exatamente quando ela ia concluir seu pensamento.

Mas porque o filme quer construir definições de felicidade, paz e fé? Porque tantos recortes, tão curtos?

Repare que não existem pobres no filme. A pessoa mais “humilde” é uma senhora do interior do Pernambuco, mas observamos a qualidade de vida que ela tem, veremos que, se ela morasse em uma cidade grande, seria de classe média alta. Ninguém no filme é cansado e oprimido. Ninguém precisa ser aliviado. Em outras palavras: eles são refletem a realidade do povo brasileiro!

Esse filme foi desenvolvido para a elite brasileira com a nítida mensagem: sua vida é apenas sua, não se importe com os outros! O nome já diz tudo EU MAIOR! Desfrute o que você tem e viva sua vida, é tudo que lhe resta. Essa mensagem é linda, mas quando nos confrontamos com a noção de coletivo ela se torna egoísta! Foi exatamente o contrario do que fizemos em junho! Em junho quem foi as ruas não usava transporte coletivo. A classe média lutou por uma conquista das classes mais baixas. Pela primeira vez na história o brasileiro se importo por quem não era exatamente como ele.

Então, colaborando com meus ideias de desenvolver teorias conspirativas, elegi a visão desse filme como a visão que nossas elites querem para a religião do rico. Importe-se com SUA felicidade, SEUS bens, SUA família e SUA vida! A vida dos outros não é sua responsabilidade!

Você acha que vai ganhar dinheiro com fé! Isso eu faço.....

Você acha que vai ganhar dinheiro com fé! Isso eu faço…..

Nisso um grande horizonte se abriu para mim. Percebi que a TV nos mostra todo dia sobre a espiritualidade do pobre. Somos a cada momento bombardeado com mensagens que nos dizem que se não somos ricos é porque não tivemos fé! A fé neo-pentecostal em outras palavras diz isso. Sua fé trará suas riquezas, ou seja, se você não é rico é porque você não tem fé. Inveje a fé de quem tem dinheiro, pois foi a fé deles que deu-lhes riqueza.

Com isso volto ao começo, esses dois panoramas da fé do brasileiro no fundo teriam o intuito de manter a ordem social brasileira (Ordem e Progresso). Enquanto o pobre achar que sua pobreza é causada pela sua falta de fé, e o mais favorecido achar que deve ser feliz sem se importar com os mais humildes, viveremos nesse Brasil. Enquanto pensarmos assim, um outro Brasil não será possível.

A minha fé ainda é pautada nos profetas do antigo testamento que diziam: Não há paz sem justiça social!

Homem 2.0

Talvez esse é o ano que eu mais tenho visto o nome Deus e Família nos noticiários. Até cansou esse papo de Religião vs Politica, Religião vs Direitos Humanos e Religião vs Ciência. Tentar entender essa guerra é uma tarefa difícil. Quem sabe caiba pra um dos 12 trabalhos de Hércules! Acredito que um dos lados dessa guerra ia adorar que um deus grego resolvesse essa parada, porque eles são avessos apenas às religiões monoteístas surgidas no oriente médio. Porque tanto ódio quanto essas religiões e uma certa idolatria ao “paganismo” europeu ou aos cultos afros? Essa resposta não tenho! Talvez C. S. Lewis….

“Espanta-me que você ainda me pergunte se é mesmo essencial manter o paciente na ignorância quanto à nossa existência. (…) Nossa política, no momento atual, é de nos mantermos ocultos. (…) Tenho grande esperança de que, no devido tempo, aprenderemos como tornar a ciência dos homens emocional e mítica a ponto de passarem a desconfiar daquilo que na verdade é a crença em nossa existência (embora não sob esse nome) ao mesmo tempo em que suas mentes se mantêm fechadas para o Inimigo. A “Força da Vida”, a veneração do sexo e outros aspectos da Psicanálise podem ser bastante úteis nesse sentido. Se pudermos produzir nossa obra perfeita – o Mago Materialista, o homem que não apenas utiliza, mas que na verdade venera aquilo a que dá o nome de “Forças” ao mesmo tempo em que nega a existência de “espíritos” – . então saberemos que a batalha chegará ao fim.”

Cartas de um Diabo a seu aprendiz

Mas quero abordar outro ponto, porque tanto ódio dos “mais letrados” à religião?

Tudo isso começa em uma ideia surgida a uns 150 anos, a ideia que estamos evoluindo….

Antes de continuar meu argumento, preciso colocar uns pingos em uns is. Acredito na evolução. Acredito que na minha genética tenho antepassados que são os mesmo antepassados de um orangotango. Isso não entra em nenhum conflito com minha fé cristã protestante reformada! E não é esse ponto que quero discutir!

A grande questão é o tempo verbal: evoluímos ou estamos evoluindo?

O “estamos evoluindo” é o pressuposto comum entre quase todos acadêmicos materialistas do Brasil. O homem está passando de uma versão 1.0 para uma 2.0. Isso gera os atritos, as discussões, o ódio ao que significa ser o homem 1.0.

[tube]http://www.youtube.com/watch?v=aDaOgu2CQtI[/tube]

Mas o que seria esse homem 1.0?

Muitos defendem que o homem precisa tirar a roupa do velho homem: a religião, o misticismo, o ódio, o pre-conceito, etc… Acredito que nem esses próprios (homens evoluídos) sabem direito o que isso significa. Só sabem de uma coisa, precisamos aposentar o discurso conservador e tomar uma atitude mais progressista. É muito interessante observar as palavras que são usadas. Qualquer indicio de uma cosmovisão cristã significa ser conservador. Qualquer indicio de abolir coisas como certo-errado, ou a ideia de pecado, significa ser progressista. Fico me questionando: progresso de que? Significa que estamos trilhando um caminho?

A outra ideia é a que evoluímos. Nossa genética foi forjada como primata. Somos primatas. Mamamos, temos pelos (alguns muitos e outros poucos), temos necessidades fisiológicas, somos animais! Mas há algo que nos difere dos outros…

Definir o que é isso acredito que nenhuma ciência humana vai saber a resposta. Para um mero materialista, somos feitos da mesma coisa que um cachorro morto… isso explica porque damos mais valor aos animais do que à homens que não conhecemos.

Segundo a teologia cristã, há uma definição clara e pontual: imagem e semelhança de Deus. Isso nos difere de todos os outros animais (então não pense que você pode sair matando eles, a primeira ordem de Deus foi para você cuidar do jardim d’Ele!).

Então fico pensando com meus botões que sim, evoluímos e nossa genética continua evoluído. Vamos vencer a AIDS, câncer, diabetes, e outras doenças. Se não fizermos isso com um improve no nosso sistema imunológico, vamos criar drogas para isso. Mas isso todos os animais estão fazendo…. Em relação ao que nos difere dos outros animais, estamos ainda no Gênesis 3: a queda do homem!

Sempre fomos assim, sempre tivemos ódio, sempre tivemos diferenças sociais, sempre oprimimos outros homens. Sempre… Devemos assumir de quem é a culpa de todos os males que há na terra. Não é do Sistema Capitalista, um sistema não massacra o homem, homens massacram homens. A culpa não é da Religião, a religião não oprime o homem, homens oprimem homens. A culpa não é da politica, a politica não corrompe o homem, o homem corrompe a si mesmo. A culpa não é do dinheiro…. Como diria Homer Simpson, “a culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser”! Quer ler mais sobre essa ideia que sempre fomos o que somos, leia “O Homem Eterno” de G. K. Chesterton.

E aonde eu quero chegar com esse texto?

Minha geração tinha um sonho: mudar o mundo! Esse sonho é bobo! Nunca conseguiremos isso… Eu realmente acreditei nisso, mas agora vejo impossível. Já tinha desaprendido a sonhar, quando me voltei ao cristianismo. Achava que a caminhada cristã era esperar o céu, vivendo mediocremente na terra. Felizmente eu estava redondamente enganado!

A ideia de céu é uma coisa que só alcançamos quando deixamos a terra é uma ideia grega. Um judeu do primeiro seculo não era dicotomista, ele acreditava em um céu que vinha até a terra. Quem sabe um Reino, ou uma Cidade preparada desde o principio (Ap 21).

Depois refletindo, vi que nosso dito mestre foi embora e nos deixou uma ordem clara: vocês são meu reino! Esse reino já está implantado, e vocês tem que expandi-lo até a volta do Rei. E quando esse Rei voltar, o Reino será pleno!

Hoje eu estava pensando nisso, em quando minha geração perdeu esse sonho de mudar o mundo….

“Ele ganhou dinheiro
Ele assinou contratos
E comprou um terno
Trocou o carro
E desaprendeu
A caminhar no céu
E foi o princípio do fim”

Os Paralamas do Sucesso

[tube]http://www.youtube.com/watch?v=9JvSfIDNb4Y[/tube]

Cristianismo for Dummies: O Livro

Cristão eram chamados muitos anos atras (não lembro se na idade média pelos povos árabes) de o homem do livro. Sempre estava lendo e consultando um livro. Esse livro é a bíblia. Ainda hoje a bíblia continua a ser a regra de fé e pratica de todos os cristãos.

Mas se uma religião assim, tão divergente internamente, segue um livro só… Como se explica tanta divergência? Seria esse livro tão genérico que cada um interpreta como quiser? Os fundamentalistas que aparecem na TV seguem mesmo esse livro a risca? E os progressistas? Como eles leem esse livro?

Definições

Antes de qualquer discussões, quero definir aqui alguns grupos e como eles leem o livro:

  1. Ortodoxos: Na verdade ortodoxia significa leitura correta. Todos acreditam que são ortodoxos, mas levaremos em consideração O Livro. Então na nossa definição, ortodoxos são aqueles em que o livro é lido por inteiro. Não há textos fora de contextos, para cada conclusão, por mais simples que seja, teria que fazer algumas perguntas ao texto: Era isso que o autor queria dizer? O livro em questão me autoriza, a partir do contexto, a fazer essa conclusão? Há algum ensinamento em todo o Livro que me desautoriza essa conclusão? Feita essas três perguntas, a conclusão pode ser tomada… Seja ela qual for!
  2. Tradicionalistas: São bem parecidos com os Ortodoxos, mas antes de qualquer conclusão eles consultam a tradição. Frase que ouvi de um tradicionalista: “Eu tenho a mesma fé que meus pais tinham”.
  3. Fundamentalistas: São muito parecidos com os tradicionalistas, porém não são abertos ao debate. Se você está discordando de mim, você é uma ameaça para mim e a minha fé!
  4. Pentecostais: O Livro é uma ferramenta para o Espirito Santo me revelar a verdade.
  5. Liberais: O que é a verdade? O Livro contém a verdade… Mas ele não é a verdade. A verdade tem que ser extraída dele, filtrando as partes que acredito que não sejam a verdade.

Essas definições são próprias, podem ser que se pareçam com algumas utilizadas na academia, mas mesmo assim, como a palavra Ortodoxia significa doutrina correta, todos se afirmariam ortodoxos.

Essas  definições não são equivalentes as definições denominacionais! Um pentecostal pode ser liberal, como um Anglicano pode ser Ortodoxo. Um Batista pode ser Pentecostal, como  um Presbiteriano pode ser Fundamentalista.

A frase comum

Já é comum ouvirmos a comum frase: “você não pode levar esse livro ao pé da letra”. Seria essa frase correta?

Liberais

Se formos analisar do ponto de vista dos Liberais, eles já não levam ao pé da letra. Porque como letra não tem pé, eu decido que pé não existe em letra e logo essa frase não é verdadeira, seriam melhor extrai-la do texto! Um exemplo bastante comum de um liberal é um cara chamado Rob Bell. Ele escreveu um livro afirmando nos primeiros capítulos que não podemos construir argumentos baseados na bíblia, pois a mesma não é coerente… Então ele construiu uma “nova” (na verdade já velha) teologia, usando o livro que ele afirmava não poder ser usado para construir argumentos, para explicar que não há inferno e que todos seriamos salvos (isso é, se houver pós-vida)!

Estaria ele correto?

Acredito que não! Vamos analisar qual foi a falhar argumentativa dele! Primeiro para “provar” que a bíblia não era coerente, ele apresentou vários texto em paralelo, mas esses textos estavam fora de contexto. Ou seja, é como se eu pegasse duas frases e colocassem uma ao lado da outra, mas ignorasse aonde ela estava sendo dita! Muitos desses textos tinham contextos completamente divergentes. Ele ainda não foi honesto com a origem do texto, apresentou alguns textos como poesia que não eram poéticos, separando em versos frases que não deviam ser separadas. Assim podemos criar, com um texto apenas, inúmeros sentidos conflitantes.

Pentencostais

Muitos anos atras aconteceu um crime! A bíblia foi dividida em versos!!!! Provavelmente foi na época de Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg. A intenção era apenas poder localizar facilmente um texto… Mas como toda invenção era facilmente utilizada para outro fim, acabou dando vida própria a cada verso! Assim a bíblia, que antes era formada de mais de 60 livros (há variações dependendo da tradição) passou a ser formada por milhares de versos.

Para os pentecostais quem é a autoridade máxima é o Espirito Santo. Mas quem certifica se a pessoa tem ou não o Espirito Santo? Essa é a grande questão. Todos os cristão (com exceção de alguns liberais) acreditam no Espirito Santo, mas eles divergem sobre como ele age e qual a sua finalidade. E o Espirito Santo revela o significado dos textos de acordo com a sua vontade!

Mas e se o significa for de encontro com o livro diz? Isso é possível? Muitos pentecostais preferem ficar com o que o “Espirito Santo” revelou, do que com a explicação de algum “irmão”.

Um texto que nos mostra perfeitamente o que é isso é o verso de Filipenses 4:13 “Tudo posso naquele que me fortalece”. Se eu te apresentar esse texto solto, você entenderá o que? Muitos acreditam que podem milagres! Que as portas do céus vão se mover de acordo com a sua vontade! Que nada é impossível para o cristão!!!!

Eu mesmo já acreditei nisso, devo confessar! Mas o que o autor dessa carta queria dizer para os leitores dela?

Se lermos os versos anteriores, vemos Paulo descrevendo as tribulações que passou na vida:

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” Filipenses 4:12

Dentro do livro, é impossível retirar outro significado do “tudo posso” que não seja: “posso aguentar qualquer tranco”. Aqui não há vitorias, mas significa que o autor podia aguentar qualquer derrota, pois ele era contente com quem dava alegria para ele!

Um amigo me alertou que a nova safra de pentecostais não leem a bíblia, apenas decoram textos falados por seus lideres. Esses vamos colocar na categoria manada!

É bastante comum, um pentecostal, ler um texto inteiro e retirar uma reflexão de apenas um verso.

Infelizmente, depois de muito tempo com pentecostalismo e puritanismo, para os versos mais conhecidos do Livro temos reflexões já prontas em nossos subconsciente que não equivalem ao que está escrito no livro como um todo. Somos treinados a ler esses textos com uma lente que na verdade não é a lente que o autor usava quando escreveu.

Fundamentalistas

Há bem claro dois tidos de fundamentalistas. Um que é extremistas na ideia. E outro que não quer mudar de ideia. Se chamarmos o Marco Feliciano de fundamentalistas, estamos atacando o segundo tipo, pois esse não lê os textos segundo as tradições. Ele lê como um pentecostal, e não dialogo por uma agenda própria.

O fundamentalista clássico lê os textos com as lentes dos pais deles, mesmo que existam evidências que esses textos tenham outras interpretações.

Essas leituras são bastante comuns no gênesis. E eles são os que ainda mantém o mito da criação, onde Deus é um magico que tirou o mundo da cartola, como estava antes de Darwin.

Há também outro ponto de discordância no mundo atual. Vemos nos Estados Unidos, qualquer intelectual cristão que tenha ideias que eles consideram esquerdistas são logo considerados hereges e excluídos do meio.

Esses fundamentalistas são os que defendem a escravidão como bíblica. Ou seja, se você ver alguém realmente dizendo que a bíblia defendia a escravidão, pergunte-se se o texto que a pessoa usa realmente dizia isso?

Tradicionalistas

Esses tem valores bem parecidos com os Fundamentalistas, mas eles suporta (a uma certa distancia) pensamentos divergentes. Uma coisa que vemos bem nos tradicionalistas é a defesa da liturgia.

O culto é como deveria ser. Ninguém pode questionar o culto! Muitos deles não se perguntam como os cristão do primeiro seculo (já que nessa época os apóstolos ainda eram vivos) cultuavam. A maneira correta é como cultuamos hoje!

Será mesmo?

Se formos pensar bem, no primeiro seculo não havia essa ordem litúrgica que há hoje. Não havia essa idolatração da música como unica forma de adoração. Ceia era um jantar comum. O vinho da ceia tinha álcool e era o suficiente para alguns ficarem embriagados. A ceia era um festa, e não um rito fúnebre… Ou seja, havia uma outra cultura cristã que hoje seria considerada ofensiva para quase todas as categorias de cristãos!!!

Ortodoxos

Aqui muitos vão me apedrejar! Quem possui a doutrina correta? Há verdade?

Se considerarmos que o Livro tem a verdade, vemos que há doutrina correta. E que ela não é defendida por nenhuma denominação dos dias de hoje!

Devo esclarecer que Ortodoxia não é um grupo, ou uma doutrina. Mas um padrão que considero inalcançável (mas que deve ser perseguido) nos dias de hoje. Ela só seria real, se conseguirmos (e com certeza não conseguiremos) extinguir o pecado de nossas vidas!

Nas cartas de Paulo, ele manda as mulheres de Corintos não falar em publico, para não se assemelhar as prostitutas da cidade. Mas ele envia uma carta à uma mulher em outra cidade, que seu marido era submisso a ela!

“Saudações a Priscila e ao seu marido Áquila e também à família de Onesíforo.” II Timóteo 4:19

Como podemos defender a ideia de submissão feminina com um trecho como esse? Em nenhum outro ponto Paulo repreende Priscila por ela “inverter a ordem”.

Os cristãos são comumente taxados de serem contras direitos trabalhistas e de reformas estruturais no sistema capitalistas. Mas se formos ler as leis do antigo testamento, vemos perdão de dividas, reforma agraria, obrigatoriedade do cuidado com o mais humilde. E nenhum desses são ideais comuns em nossos meios eclesiásticos!

Pequenos Cristos

Cristão foi uma denominação dada aos judeus que seguiam Jesus Cristo, e significa pequenos Cristos. Então, se formos pensar bem, um cristão deveria agir de forma semelhante a quem ele consideram o Mestre. E isso está especificado no Livro.

Termino com um vídeo do Pondé….

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=zh4gpxMjMic[/youtube]

E fica a questão: No que ele incomodaria hoje? Acredito que ele incomodaria todos as classes. E só seriam considerados Ortodoxos uns poucos cristãos, que hoje em dia seriam considerados loucos!

Deitado eternamente em berço esplêndido….

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Somos, sem sombra de duvida um povo abençoado! Temos praias lindas! Nosso sertão é maravilhoso! Serras, chapadas, rios, vales… Temos até o maior Cânion do mundo!!!!

Como nosso hino diz, seremos embalados eternamente em berço esplêndidos. O som do mar ao fundo. Nosso céu sempre azul. Nosso sol nos dá belíssimas flores. Geograficamente, não temos o que reclamar do nosso pais! Mas… e a mão que balança o berço?

V de VinagreEssa semana parece que nosso povo acordou! Vemos uma massa crescente de pessoas indo as ruas, manifestando descontentamento. Primeiro foram os R$ 0,20. Logo percebeu-se que eram muito mais que R$ 0,20!

Se de um lado somos abençoados por um belo território. Isso temos que agradecer a Deus. Pois a Ele coube fazer tudo isso… Mas e ao resto? O Resto é fruto da nossa história. História escrita por nossos pais, avôs, bisavôs, etc… Não que eles foram omissos, mas eles não tinham consciência do futuro que estavam escrevendo para a nossa geração.

Mais quais são os problemas do Brasil hoje?

O grande problema nosso é que acreditamos que somos expertos! Sempre levamos no jeitinho. Em qualquer lugar….

Hoje tenho 29 anos. Sou formado na melhor faculdade para o meu curso no Brasil. Modéstia a parte, estou a frente de 99% dos brasileiros. Mas se você me conhecesse, sou um brasileiro medíocre. Moro em uma republica de pós-estudantes. Divido uma casa com mais 7 pessoas. Porque? Ao tentar adquirir meu primeiro imóvel (tentativa ainda frustrada, diga-se de passagem), tinha que ouvir do corretor que aquela era a melhor oportunidade, compraria algo que em 4 anos dobraria de preço…. Você pode não ter entendido porque citei isso, mas veja, moradia é algo essencial. Não podemos viver sem algum lugar pra repousar a cabeça, e conseguimos transformar isso em uma forma de ganhar mais.

Sou medíocre por ter um emprego que ganho pouco! Dos meus amigos de faculdade, alguns estão em ótimos cargos em ótimas empresas… Parabéns! Mas muitos desses tiveram que compactuar com irregularidades! Parabéns mesmo!!! Eu queria conseguir deitar a cabeça no travesseiro e não pensar nisso…. Mas eu conheço a Verdade, e a Verdade liberta a minha consciência! Meu sono não é atrapalhado pelo choro das pessoas que exploro, e nem pela minha ética cristã!

Sou medíocre por não ter um bom carro! Vivemos hoje em um período em que sabemos, graça a ciência, dos malefícios que um carro trás ao meio ambiente. Mas mesmo assim, andando pelas avenidas da maior cidade do país, só vejo carros extremamente poluentes! É o paradoxo, quando mais instruído o povo é, mais ele sabe que um carro poluente não é bom para a humanidade, mais elas compra carros poluentes… Se eu fosse fazer um julgamento de valor, diria que nosso povo é consciente do maleficio que faz a sociedade. Mas quem sou eu pra fazer isso… pobre portador de um carro 1.0, sem potencia e que não foi comprado pagando altos juros para os bancos.

Ainda não tenho a consciência limpa o suficiente para viver sem um carro. Viver em igualdade com todo o nosso povo. Se você pesquisar verá que nas mais desenvolvidas cidades do planeta, o povo anda ou em transporte publico, ou de bicicleta. Andar a pé é a verdadeira democracia! Mas infelizmente minha cidade não me permite isso…. Mesmo morando a 4km do meu trabalho, minha liberdade é cortada por uma rodovia sem calçada, se eu tentar ir de bicicleta, provavelmente, virarei estatística!

E os R$ 0,20? Isso não é nada! É apenas a gota d’água! Se pensar bem, já estamos na merda… A questão é, quando nossos netos forem ler a história… O que será dito de 2013? Foi o ano que o Brasil acordou? Ou foi o ano que deixamos nos explorarem….

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=DuW1aj2s9uw[/youtube]

Evangélicos: Um novo grupo político

42-19288441Provavelmente você que está lendo isso já algum dia se identificou com evangélico! Se não, substitua todas as vezes que eu citar essa palavra novamente por a de algum grupo que você pertence.

Nessas ultimas semanas tem rolado na mídia a noticia da prisão de um homem. Autodenominado pastor. Trabalhou um bom tempo com presidiários Não me interessa o mérito dele ser preso. Quero me atentar para outro detalhe de tudo isso.

Depois da noticia, muitos evangélicos correram para defender o tal “pastor”. Acreditavam que tudo isso era jogada politica de tal televisão, para denegrir a imagem do grupo.

Grupo? Eu fico me perguntando por que eles têm essa consciência de grupo? O que realmente os une?

Caso fosse um grupo religioso, eles deveriam saber que todas as religiões têm dogmas e conceitos. Curioso, fui até o site da seita do tal “pastor” para ler a carta de doutrina deles. Não há referências ao o que eles acreditam ser Deus. Não há referências a como o homem deve se comunicar com Deus. Não há referências ao o que define o sacerdote. Como é feita a adoração. Qual a situação humana. Não há referências a nenhum conceito que uma religião trataria. Havia referências apenas ao que vestir e beber…

O que isso nos revela?

Qualquer religião que se preze, tem por objetivo religar o homem a Deus. A cristã parte do pressuposto que isso é impossível, pois o homem nunca alcançará Deus, por isso Deus fez o movimento contrario. Nesse “religamento” tem que responder a grande duvida do universo: “porque temos a impressão que tudo está errado?”

Isso não era respondido na carta de princípios Não posso afirmar nos cultos deles, mas visto o padrão dessa classe “religiosa”, provavelmente ele não responde.

Bom, onde quero chegar com esses questionamentos?

Fica claro que esse grupo denominado evangélico não tem preocupação com dogmas e teologias Estou apenas preocupado com o grupo, em fazer parte do grupo e defender o grupo. Inconscientemente eles precisam desses discursos feitos pelos pastores. É exatamente o que eles precisam ouvir. Um caminho para a salvação. Uma maneira de se reconciliar com deus.

Mas quem é esse deus? Muito provavelmente esse deus não é o Deus cristão. É um deus materialista. Deus que faz barganhas. Que pune aquele que erra, é um deus que alguns conseguem o agradar. Ao Deus cristão, ninguém consegue agradar, só aquele que entende que nada do que ele fizer o trará para perto de Deus é que consegue chegar perto desse Deus.

Mas então, se são deuses totalmente diferentes… Porque alguns cristãos tentam defendê-lo como se ele fosse um cristão?!?!

Há algumas suposições.

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A primeira é que os cristãos estão se identificando não como um grupo religioso. Se fosse isso a discussão seria em torno das doutrinas. Mas como um grupo politico. Grupo politico no pior sentido. Aquele que é contra de outro grupo, mesmo tendo ideais similares. Partidaristas da pior espécie!

Outra suposição, é que os grupos cristãos que os apoiam são amantes da ignorância. Não sabem no que creem por isso qualquer que utilizar o mesmo nome, será considerado do mesmo grupo.

E quem são esses pastores?

Devemos analisar o surgimento dessas igrejas não pela ótica religiosa. Mas pela ótica econômica. Há um mercado em franca expansão. O mercado de vidas. Muitos estão sedentos por uma espiritualidade que não irá confronta-los. E muitos estão sedentos por dinheiro. Quem alimentar essas duas necessidades do nosso povo irá ter sucesso. Temos um contingente de ignorantes que tem crescido financeiramente, mas continuam ignorantes. São semianalfabetos. Não sabem distinguir quem é um aproveitador, ou não.

E o que fazer?

Fico na duvida de como agir. Tenho apenas um ideal nessa vida: o Reino de Deus. Qualquer um que pelo nome de Deus não estiver lutando pelo Reino, está em confronto direto com Deus. Com os que têm ciência do erro que estão cometendo, entro em conflito direto! Com os que ainda são ignorantes… Só me resta orar, e tentar criar duvidas em suas cabeças. Pra quem sabe vir à decepção e com a decepção a verdade. A verdade liberta!

Fé cega, faca amolada

“Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu
vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos
conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” | João 13:34 e 35

Quando Rosa Parks se negou a ceder seu lugar no ônibus a uma mulher branca, nos Estados Unidos dos anos 1950, havia um pastor ao seu lado para protestar contra segregação racial. Ele liderou esse movimento por anos. Enfrentou ameaças e ataques. Seu nome era Martin Luther King. E sua participação foi decisiva na luta contra a discriminação não só nos transportes, mas em toda a sociedade norte-americana. Foi assassinado brutalmente. Mas virou herói em seu país, e, hoje, não é possível falar de Direitos Humanos ou minorias sem citar sua enorme contribuição.

Esse movimento de mais de 60 anos atrás me lembra de que, quando a fé encontra a ação política profética, não precisa necessariamente se transformar em acusações, falso moralismo ou hipocrisia. Antes, pode ser traduzida em ação contra a injustiça, a favor da inclusão e pela paz. Infelizmente, porém, parece que o modelo capaz de combinar atuação pública relevante e cristianismo genuíno está sendo ignorado por alguns daqueles que resolveram se dizer porta-vozes da Igreja brasileira.

Tenho acompanhado com perplexidade – e, tenho de dizer, com constrangimento – o noticiário dos últimos dias. A conclusão é óbvia: a plataforma dos Direitos Humanos virou palanque predileto de um certo povo lá de Brasília… Usar tema dessa importância só pra se promover já não seria coisa boa. Porém, se ao menos estivessem batendo bumbo contra a corrupção, a violência e a injustiça vá lá… Mas não. O que estão fazendo é acentuar preconceitos e rancores, estimular a exclusão e o racismo, e defender a intolerância. E o pior: tudo isso em nome de Deus (e no meu e no seu nome também!).

É evidente que, num país democrático, ninguém pode impedir quem quer que seja de expressar suas opiniões, valores e crenças. E o princípio vale também para nós, evangélicos, que temos de ter liberdade para dizer o que pensamos. Não se combate intolerância com intolerância, nem fundamentalismo com mais fundamentalismo. Sem dúvida, repudio qualquer tentativa de cerceamento desse direito. Porém, não podemos nos esquecer de que Jesus veio a esse mundo com a missão de salvá-lo e não de acusá-lo.

Quem me conhece, sabe da minha militância de quase 20 anos pelos Direitos Humanos. Sabe de minha luta e da luta do grupo que represento para garantia de direitos aos pobres, aos injustiçados, aos mais fracos, aos escravizados… E, na semana que passou, fui ao plenário e me posicionei contra essa redução da agenda bíblica de transformação social a questões de sexualidade. No entanto, não protestei como ativista do tema: discursei como cristão.

Fui ao microfone e critiquei esse modelo de política e púlpito que explora questões étnicas ou de sexualidade em troca de lucro eleitoral (ou seja, voto). Mas, sobretudo, usei meu pronunciamento para pedir perdão. Sim, dirigi-me aos não-crentes, àqueles que não professam a mesma fé que eu e você, e pedi que nos perdoassem se, de alguma forma, o barulho que está sendo feito os estiver impedindo de entender a verdadeira mensagem de Jesus.

Há mais de dois mil versículos na Bíblia falando sobre o cuidado com os pobres e aproximadamente seis tratando sobre homossexualidade, por exemplo. No entanto, não se vê nenhum projeto para atender a quem sofre. Pergunto: Quantas vezes Jesus falou sobre homossexualidade? Respondo: Nenhuma… No topo da lista dos confrontados pelo Mestre estavam os homossexuais? Ou eram os hipócritas religiosos de Sua época? Por que, então, super explorar alguns temas de forte apelo eleitoral e desvalorizar outros, claramente enfatizados pela Bíblia e por Jesus? A quem interessa reduzir a essência amorosa e transformadora da mensagem de Jesus à agenda moralista? Será que esses que fecham os olhinhos diante das câmeras da imprensa, parecendo muito espirituais, não os mantêm bem abertos, fixos nos votos que podem tirar de todo esse teatro?

“Errais não conhecendo as Escrituras”, diz a Palavra. E o problema fica ainda mais agudo quando esse discurso sem amor ou sabedoria contamina algumas igrejas. Aí, é mesmo como na velha música: fé cega, faca amolada. Crentes sinceros têm aderido a essa ideologia esdrúxula, sem saber que estão assumindo uma agenda que nada tem a ver com os reais desejos do coração do Pai.

Atenção, caro leitor. Não estou propondo que essa ou aquela prática seja, agora, legitimada. Há questões que são específicas da Igreja. E outras que são de Estado. Não apoio aqueles que tratam a nós, evangélicos, como ignorantes. Minha fé e minha consciência cristã não estão alinhadas a esses que querem impor no grito sua condição como regra. Defendo que respeitem a nós, evangélicos, com o mesmo respeito que têm exigido.

Porém, o que acontece é, no meio de todo esse barulho, a ideia de cristianismo transmitida está errada. O testemunho público está ruim. Pesquisa recente, realizada pelo Barna Group, nos Estados Unidos, questionou jovens não-cristãos sobre sua percepção sobre os cristãos. O resultado? Para eles, a principal característica dos crentes é a de ser anti-homossexual. Triste conclusão a de que cristãos estejam se tornando mais conhecidos pelo que são contra do que pelo que são a favor. Vale a reflexão. Essa com certeza não era a impressão que as pessoas tinham ao encontrar Jesus ou os irmãos da primeira Igreja.

Perde-se tempo com discussão de modos e costumes, quando uma agenda cristã contemporânea, biblicamente fundamentada, conduzida com honestidade e humildade, poderia diminuir a violência, lutar por melhores condições de saúde, erradicar a pobreza e a escravidão moderna, cuidar da Criação, fortalecer as famílias, promover o respeito à sacralidade da vida humana e sua dignidade intrínseca – bem ao contrário dos absurdos que temos visto.

A esses pastores ou políticos que se autodenominam defensores dos evangélicos, lembro que a Igreja já tem em Cristo o seu maior e suficiente defensor. As vozes cristãs que mais foram ouvidas e mais transformaram a história da Humanidade não foram essas que se apressam em julgar e condenar. Foram aquelas que pregaram e viveram a essência da mensagem de Jesus: o amor, a paz, a justiça, o perdão, a tolerância, a não violência, a defesa dos mais frágeis, a vida com integridade. Foram vozes que se levantaram contra o racismo e a hipocrisia religiosa.

Salve Mandela, salve Desmond Tutu, salve Martin Luther King, Bonhoeffer, Wilberforce, Jaime Wright, Robinson Cavalcanti! Com esses, estou alinhado, hoje e sempre.

Por Carlos Alberto Bezerra Jr

Enquanto nós dormíamos

Se não fosse pelo Papa, não haveria outro assunto! Essa semana estará marcada como a semana que os cristãos lamentaram que um cristão assumiu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

A maioria de nós tem enormes motivos de sobra para nos envergonhar dessa geração marcada pela corrupção, confrontamento e materialismo. Observe bem, se envergonhar dessa geração, não do evangelho!

Pensando nessa situação fico questionando, como chegamos aqui?

Somos omissos

Martin Luther King Jr não se conformou com o mundo que vivia....

Martin Luther King Jr não foi omisso…

Muitos cristão se julgam donos da verdade, e fazem questão de joga-lá na cara dos seus “opositores”. Mas se esquecem que muitas grandes verdades estão sendo distorcidas ao nosso lado. Quando não nos opomos a comportamentos dos nossos irmãos, dizemos veladamente que concordamos com tal, assim nos tornamos coniventes.

Somos coniventes com o materialismo das nossas músicas e das nossas pregações!

Somos coniventes com o esquecimento e o massacre do pobre!

Somos coniventes com a destruição da criação (mais conhecida pela natureza)!

Somos coniventes com a corrupção em nome de um pseudo-cristo.

Somos coniventes com o nepotismo entre os irmãos.

Somos coniventes com o lucro exagerado.

Nós somos coniventes de uma série de pecados cometidos por nós mesmo. Não temos autoridade para apontar o dedo para ninguém fora do nosso gueto, mas mesmo assim fazemos….

Somos consumidores

É muito facil achar criticas ao grandes apóstatas do evangelho. Edir Macedo, Silas Malafaia, Valdemiro Santiago, R. R. Soares, casal Hernandes, e etc… Eles não falam a mesma língua que a maioria… será?

Quando ligo meu radinho gospel, vejo uma sopinha rala daquela canja que é servida por esses nomes. O que estou dizendo? Esses grandes da mídia são apenas caricaturas do que é consumido diariamente por milhões de cristãos todos os dias! Um evangelho placebo, um evangelho materialista, um evangelho que esquece o mundo, ou um evangelho que é só do mundo. Isso é fruto de um crescimento sem qualidade nos últimos 20 anos. Pregou-se exageradamente o evangelho, mas esqueceu de alimentar esses bebes recem-nascidos! Eles cresceram e hoje não sabem o que é um bom alimento! Acreditam que a literatura de auto-ajuda pseudo-cristão que é largamente vendida é realmente boa!

Francis Schaeffer falou no Verdadeira Espiritualidade que a centralidade do evangelho é a morte, mas o evangelho é para era presente. Se pensamentos como esses não estão na mente, logo é preciso você rever seus conceitos!

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=S77aoOfTAzA[/youtube]

Abdicamos da Política

Quando foi a ultima vez que você viu cristão discutindo políticas? Não estou falando de Política partidária, estou falando de política mesmo! Se devemos ser contra, ou a favor do código florestal? Se políticas de inclusão social de nossas cidades estão funcionando? Etc… Não fazemos mais isso! Tudo que fazemos é delegar para os partidos. Como aquela vídeo infeliz que um pastor soltou na eleição de 2010, demonizando um partido em função do outro. Seria o outro partido completamente santo pra ter tal confiança? Quais eram as intenções daquele pastor com o vídeo? Ele não discutiu, apenas tratou seu povo como gado!

Abdicamos do Pensar

Marina Silva é bem clara: somos partidarista e não programáticos! Todos que estão do lado do Silas Malafaia e do Marco Feliciano o fazem não porque suas ideias são as melhores, ou porque concordam com as bandeiras deles. Estão do lado deles porque eles defendem a nossa causa!

Mas… Qual a nossa causa? Nossa causa é lutar contra os direitos dos homossexuais? Nossa causa é proibir o aborto? E se Jesus vivesse hoje, seria essa a bandeira levantada por ele? Todos os grande intelectuais do cristianismo discordam.  Mas aí você pode até citar o que o Malafaia sempre cita: é bíblico. Você já se perguntou: é bíblico mesmo?

Tristemente vejo as pessoas acreditando nessas falácias sem parar para pensar. Sempre que vemos um argumento “bíblico” devemos validar se era isso mesmo que o autor queria dizer, se o contexto que o texto está autoriza essa interpretação, etc… Não posso eu dizer que tudo que eu entendo de qualquer parte do texto que está ali é valido. Agindo assim estou apenas arrumando argumentos para minhas ideias, e não procurando a verdade do texto.

Mais…

Ainda há muito mais o que pensar sobre o assunto. Mas a culpa de todo esse confrontamento que estamos sofrendo não é do movimento gay, ou dos ateus, ou dos neo-pentecostais picaretas. A culpa é de todos nós! Enquanto não assumirmos essa luta, não veremos o Reino se expandir. Não estou falando de lutar contra esses confrontamentos. Estou falando que Direitos Humanos é uma criação do cristianismo. É invenção nossa, é marca nossa, fora de Jesus não há direitos humanos. Mas é o que vemos….

Dicas de Leitura

Os bons exemplos do cristianismo atual e na politica brasileira

“Compromisso com os pobres como consequência da fé”

“Nossa oração é que exemplos históricos como os do Pr. Martin Luther King Jr., do Rev. Jaime Wright e do Bispo Desmond Tutu possam inspirar e servir de referência para a atuação dos vários parlamentares evangélicos na CDHM, levando-os a se posicionar ao lado dos que sofrem injustiças.”

A carta aberta de pastores que acaba ajudando aqueles que nos odeiam; Pr. Silas comenta

“Você sabe porque eu visto preto?” Johnny Cash

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