#Pipocando – Gravidade

GravityAlfonso Cuarón é um diretor que prima pela qualidade sobre a quantidade. Em quase 20 anos de carreira cinematográfica, ele tem apenas 6 longas em sua filmografia (e um segmento em “Paris, Eu Te Amo”), onde “E Sua Mãe Também”, “Harry Potter E O Prisioneiro de Azkaban” e, principalmente, o seu último filme, “Filhos da Esperança”, se destacam. Sete anos depois de “Filhos”, o diretor mexicano reaparece com a que pode ser a obra prima de sua carreira.

“Gravity”, no original, conta a história de Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalsky (George Clooney), dois astronautas que, ao fazerem uma operação de rotina fora da nave, são surpreendidos por uma chuva de lixo espacial que destrói a nave e os deixa à deriva no espaço ligados apenas um ao outro por um cabo. Correndo contra o tempo, os dois terão que fazer de tudo para conseguir chegar à outra estação espacial e conseguir se salvar.

Eu nunca estive e, provavelmente, nunca irei ao Espaço, mas o que experimentei durante os 90 minutos de projeção de “Gravidade” deve ser a coisa mais próxima da experiência que é estar a centenas de quilômetros acima da Terra. O filme é de um primor técnico impressionante. A edição e mixagem de som, combinados com a fotografia de Emmanuel Lubezksi (“Árvore da Vida”) imergem o espectador nesse “mundo” escuro e sem som. O design de produção recria o interior das naves e estações espaciais com detalhes impressionantes.

Gravity - Bullock and Clooney (cut)Esses elementos ainda são somados à câmera de Cuarón, que, num lugar onde é impossível a vida, parece viva ao passear pelo espaço, como numa bela dança, enquanto nos mostra a imensidão de um lugar tão hostil.
Em “Filhos da Esperança”, já pudemos ver o apreço que o diretor tem por longos takes e planos-sequência, com dois planos de tirar o fôlego — um passado todo dentro de um carro e o outro seguindo o protagonista interpretado por Clive Owen em meio a uma revolta de rebeldes. Em seu novo trabalho, Cuarón mais uma vez cria com maestria planos que duram minutos, sejam apresentando os personagens, no início do filme, ou os seguindo em seus momentos de tensão.

É muito bonito, também, a forma como o diretor utiliza por várias vezes a câmera subjetiva, se aproximando do capacete do personagem, “entrando” pelo vidro e, enfim, assumindo o seu olhar. Outras vezes, querendo mostrar o que os personagens veem e suas reações, Cuarón usa um primeiríssimo plano, inteligentemente focando nos seus rostos e, pelo reflexo do vidro do capacete, exibindo o que acontece.

GRAVITYEssa subjetividade é importantíssima para nos fazer entrar na mente do personagem e sentir na pele o que ele passa. Porém, isso não teria efeito se não fosse o roteiro escrito pelo próprio Cuarón e seu filho, Jonas, a precisa montagem e as atuações maravilhosas de George Clooney e, principalmente, Sandra Bullock. Seis meses foi o tempo que sua personagem passou em treinamento para a missão no espaço e foi também o tempo que Bullock levou se preparando fisicamente para o papel, enquanto estudava cada detalhe do roteiro e de sua atuação junto com o diretor. O resultado é uma das melhores atuações do ano.

Dentro do limite de tempo, os dois personagens principais são bem desenvolvidos. Matt Kowaski é um astronauta prestes a se aposentar, boa pinta e bem humorado, que ajuda a aliviar a tensão em alguns momentos. Ryan Stone é uma médica em sua primeira missão espacial. Logo sabemos que ela recentemente sofreu uma tragédia pessoal e entendemos o motivo (ou um deles) que a levou a ir trabalhar no espaço. Apesar de continuar com seus deveres, depois do trauma ela para de viver. Esse elemento do seu passado a faz ficar a vontade com o silêncio oferecido pelo espaço.

[Desse ponto em diante, haverão spoilers sobre momentos-chave da trama do filme]

Gravity - GestaçãojpgA partir desse momento, o verdadeiro significado do filme começa a se desenhar e podemos aos poucos perceber do que a história contada se trata. Já não estamos mais assistindo a um filme sobre uma astronauta em perigo, e sim, estamos testemunhando o renascer de uma pessoa. Isso é muito bem ilustrado com o belíssimo plano em que Stone, após conseguir entrar na estação russa e tirar seu equipamento, é enquadrada flutuando por alguns segundos em posição fetal enquanto descansa, remetendo a um bebê no útero.

Uma vez que o sentido principal é entendido, o filme deixa de ser apenas uma obra bonita, para se tornar algo intenso, uma experiência autêntica. Não há nada mais lindo do que o renascimento da vida numa pessoa — a vida como um sentimento, e não como um período de tempo. Interiormente, Ryan morre junto com sua filha. Não havendo mais pelo que viver, ainda na Terra, ela vivia o resto dos seus dias dirigindo, sem rumo, pois era assim que ela se sentia. Todavia, quando ela olha nos olhos da morte, várias vezes (sim, os obstáculos do filme parecem ser um pouco excessivos), ela descobre uma força que nunca imaginou ter. Se revela, então, um do maiores conceitos do filme: do ambiente mais estéril conhecido, nasce uma vida.

Gravity - Ryan na CabineMas Cuarón não para por aí. A última sequência, além de reafirmar a ideia do renascimento com Ryan “reaprendendo” a andar — no espaço, ela estava em gestação, como o plano já citado apresentou, enquanto seu nascimento se deu com sua chegada à Terra —, guarda um significado ainda mais profundo. Depois de quase se afogar, a personagem nada em direção a superfície, mas, alguns segundos antes disso, uma rã é vista também emergindo. A rã, que, como todos sabem, é o estado evoluído do girino após sofrer metamorfose, é inteligentemente posta nessa sequência em particular para indicar que Ryan evoluiu. Ela é um novo ser. E não só isso. Notem como a personagem, da água, vai lentamente se arrastando até a margem, até conseguir se levantar — como a vida terrestre teve início. A câmera ainda a enquadra de baixo para cima, a fazendo ficar maior e apontando sua mudança. Nesses segundos o diretor recria, ou melhor, personifica os milhões de anos de evolução na figura de Ryan Stone.

Por ser um filme quase todo passado no espaço e com muitas metáforas, comparações com o clássico “2001 – Uma Odisseia no Espaço” já foram feitas. Mas os dois diferem muito entre si. A obra de Stanley Kubrick se encaixa muito mais no gênero ficção científica que a de Cuarón, que pode ser classificado como um suspense dramático. Enquanto “2001” aborda a evolução numa maneira muito mais extensa (e ainda influenciada por terceiros), “Gravidade” é um filme muito mais pessoal, onde a evolução é intrínseca.

Gravity - Evolução (Cut)Com seu novo trabalho, Cuarón mostra que, para um filme ser genial, não precisa ter uma trama complicada. Mesmo quem não conseguir ler nas entrelinhas, poderá gostar do longa por sua simples história de superação da personagem de Sandra Bullock ante uma catástrofe e vários empecilhos. Algo muito diferente do próprio “2001”, que é um filme tão comprometido com sua mitologia que não permite ao espectador que não entender a trama curtir o filme.

Há muito tempo eu não saía do cinema tão satisfeito. “Gravidade” vai muito mais além do “filme-catástrofe” — é um belo conto sobre renascimento e, mais que isso, evolução. Os méritos da obra vão muito além dos aspectos técnicos. A produção beira a perfeição, graças especialmente ao roteiro dos Cuarón e a atuação iluminada de Sandra Bullock. A metáfora do renascimento de Ryan Stone como uma pessoa evoluída é linda e muito bem apresentada. O filme, sem dúvida, já é um dos melhores do ano e será lembrado por muito tempo.

“It’s time to stop driving. It’s time to go home.”

#Pipocando – Principais Estreias da Semana (18/10)

Os Suspeitos (Prisoners)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=f-BHQEAppvE[/youtube]

Depois que sua filha  de seis anos de idade e uma amiga dela são sequestradas, Keller Dove, um carpinteiro de Boston, enfrenta o departamento de polícia para fazer justiça sozinho.
No elenco desse suspense elogiadíssimo pela crítica, Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Maria Bello, Terrence Howard, Viola Davis, Paul Dano e Melissa Leo.

Kick-Ass 2

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=69qm6faQfZw[/youtube]

A continuação da comédia de ação de 2010 tem dividido opiniões, e está longe de ser tão popular como o original. Na trama da sequência, Kick-Ass se junta a um grupo de pessoas comuns que combatem o crime como super-heróis. Já seu inimigo, Red Mist (que agora mudou seu nome para The Motherfucker), planeja uma vingança que afetará a todos, enquanto Hit-Girl tenta viver a vida de uma adolescente normal.
Aaron Taylor-Johnson, Chloe Grace Moretz, Christopher Mintz-Plasse e outros atores do primeiro filme, voltam. O elenco ainda tem adições de peso como Jim Carrey, John Leguizamo

Serra Pelada

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=COXDie8fMSk[/youtube]

Em 1980, os amigos Juliano e Joaquim ficam empolgados ao tomar conhecimento de Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado no estado do Pará. Eles deixam São Paulo e partem para o local sonhando com a riqueza. Só que, pouco após chegarem, tudo muda na vida deles: Juliano se torna um gângster, enquanto que Joaquim deixa para trás os valores que sempre prezou.
No elenco, Wagner Moura, Juliano Cazarré, Julio Andrade, Sophie Charlotte e Matheus Nachtergaele.

Diana

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=JoH2-fSgbSE[/youtube]

A cinebiografia foca nos últimos dois anos da vida da Princesa Diana.
Naomi Watts é a protagonista do filme que ainda tem Naveen Andrews, Douglas Hodge, Geraldine James, Jonathan Kerrigan, Lawrence Belcher e outros.

Conexão Perigosa (Paranoia)

[youtube]http://youtu.be/ahETygBhtks[/youtube]

Um jovem é forçado a infiltrar-se em uma empresa rival para roubar informações de um projeto ultrassecreto.
No elenco, Harrison Ford, Gary Oldman, Liam Hemsworth, Lucas Till, Amber Heard, Josh Holloway, Richard Dreyfuss, entre outros.

#Pipocando – Principais Estreias da Semana (11/10)

Fim de semana BEM agitado nos cinemas brasileiros! Vamos aos lançamentos:

Gravidade (Gravity)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=kC3rHl_US4Q[/youtube]

Um dos filmes mais esperados do segundo semestre, o novo longa do diretor Alfonso Cuarón (“Filhos Da Esperança”) conta a história de Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalsky (George Clooney), dois astronautas que ao terem que fazer uma operação de rotina fora da nave, sofrem um acidente que destrói a nave e os deixa à deriva no espaço ligados apenas um no outro por um cabo.

Rota de Fuga (Escape Plan)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=jgrFJkHGwDA[/youtube]

Depois do divertidíssimo “Os Mercenários 2“, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger voltam a atuar juntos nesse suspense de ação. Ray Breslin, uma autoridade mundial em construções de segurança máxima, especializado em projetar prisões à prova de fuga, tem suas habilidades postas em xeque dentro da penitenciária mais tecnológica já criada.
Além de Stallone e Schwarzenegger, também estão no elenco Jim Caviezel, 50 Cent, Amy Ryan, Sam Neil e outros.

É o Fim (This Is The End)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=IeBx6Nwes4k[/youtube]

Durante uma festa na casa de James Franco, Seth Rogen, Jay Baruchel, Jonah Hill e outros atores enfrentam o apocalipse.
O elenco conta com vários atores interpretando eles mesmos como Seth Rogen, Jonah Hill, James Franco, Jay Baruchel, Jason Segel, Craig Robinson, Paul Rudd, Michael Cera,Rihanna, David Krumholtz, Mindy Kaling, Aziz Ansari, Danny McBride, Emma Watson, Kevin Hart, Martin Starr.

Dragon Ball Z – A Batalha dos Deuses (Dragon Ball Z: Battle of Gods)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=HQP2lGuM55g[/youtube]

O filme se passa muitos anos depois da batalha contra Majin Boo. O deus da destruição Bils, que mantém o equilíbrio do universo inteiro, desperta de um longo sono, disposto a enfrentar o saiyajin que derrotou Freeza, Goku.

Riddick 3 (Riddick)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=WA1YP_xipw8[/youtube]

Terceira capítulo da saga de Riddick, iniciada em “Eclipse Mortal”. Traído pela sua própria raça e deixado para morrer em um planeta desolado, Riddick luta para sobreviver em um ambiente hostil repleto de predadores alienígenas e caçadores de recompensas.
Vin Diesel volta a encarnar o personagem título. O filme ainda conta com Karl Urban, Dave Bautista, Katee Sackhoff e outros.

Silent Hill: Revelação (Silent Hill: Revelation 3D)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=9YewufOlYv0[/youtube]

Sequência do ótimo “Terror Em Silent Hill”, de 2006. Heather Mason e seu pai estão há anos na estrada, fugindo apenas alguns passos à frente das perigosas forças do mal que ela não entende. Agora, às vésperas do seu 18º aniversário, ainda atormentada por pesadelos e o desaparecimento de seu pai, Heather começa a duvidar de sua própria identidade. Uma revelação a leva a se embrenhar pelo mundo demoníaco que ameaça aprisioná-la para sempre em Silent Hill.
Adelaide Clemens, Sean Bean, Kit Harrington, Carrie-Anne Moss e Malcolm McDowell estão no elenco.

Comentei sobre o filme ainda no início do ano: http://isduarte.blogspot.com.br/2013/02/curta-silent-hill-revelation-grave.html

#Pipocando – Invocação do Mal, Elysium e Guerra Mundial Z

The Conjuring - Poster Invocação do Mal – Filme tenso do início ao fim. O James Wan (“Sobrenatural”, “Jogos Mortais”) sabe criar o suspense como poucos diretores atuais. Quando ele cria o clima e o susto vem, você fica com raiva por ter tomado o susto. E quando ele cria o clima e o susto não vem, você fica com raiva porque queria ter tomado o susto. Ele te tem na mão o tempo todo. Sabe brincar com as expectativas dos espectadores e com os clichês do gênero, que, sim, tem em abundância.

Outra coisa que o diretor acertou foi não expor muito os espíritos, que raramente são vistos de corpo inteiro. Aliás, num momento em especial, não vemos NADA do espírito, que só é visto por uma personagem. E a sequência é aterrorizante. Essa sensação de não sabermos muito bem com o que estamos lidando, cria uma tensão maior ainda. Por sinal, um dos grandes defeitos de “Mama“, outro filme de terror bem esperado esse ano, foi a super exposição do espírito.

Além disso tudo, o filme é esteticamente inteligente. Os movimentos de câmera e enquadramentos são bem legais e auxiliam na criação tanto das sequências mais leves (como a família conhecendo a casa nova), quanto das mais pesadas (as de assombração). As atuações também são ótimas, inclusive do elenco infantil.

Enfim, James Wan sabe o que faz. “Sobrenatural: Capítulo 2″ vem aí. Que seja tão bom quanto o primeiro e “Invocação do Mal”.

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Elysium - PosterElysium – O filme tem uma boa premissa, mas é prejudicado por alguns problemas sérios, como personagens unidimensionais e clichês, e o ritmo corrido, que não dá espaço para o desenvolvimento dos próprios personagens e de certos pontos da trama.

Mas, no geral, até que gostei do filme, mesmo com suas perceptíveis falhas.
E se Neill Blomkamp usa “Distrito 9″ (que acho bom, mas não isso tudo que falam) como uma alegoria para discutir o Apartheid, “Elysium” pode ser interpretado como uma metáfora da situação da fronteira entre México e Estados Unidos.

Se Blomkamp tivesse trabalhado um pouco mais no roteiro, “Elysium” poderia ter sido um filmaço. Mas com suas falhas, ele consegue fazer “apenas” um bom filme.

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Guerra Mundial ZGuerra Mundial Z – Desde que vi o trailer pensei que eu não ia gostar do filme. Sou fã dos zumbis lentos e maquiados de George Romero, que realmente parecem mortos vivos. Pelo trailer já tinha dado pra perceber que os zumbis de “World War Z” pareciam super humanos, com incrível velocidade, capazes de dar longos pulos e, ainda por cima, criados por computação gráfica, os fazendo artificiais. Mas devo dizer que me surpreendi com o filme.

Essas questões realmente me incomodaram (os efeitos digitais são fracos para uma produção desse tamanho, e não só os zumbis são notadamente artificiais, mas outras coisas, como helicópteros e até pessoas “normais”), mas o filme tem vários pontos fortes que me fizeram relevar tais problemas. Um deles é a narrativa, que é legal por ser quase dividida em fases ou missões, parecendo um jogo. Mesmo assim, essas “fases” são bem amarradas, dando um ritmo fluido ao filme. O roteiro, que passou por 6 mãos até parar nas de Damon Lindelof (Prometheus, Star Trek) e Drew Goddard (O Segredo da Cabana), que tiveram que reescrever todo o terceiro ato, é bem eficiente e ainda apresenta uma solução original para a cura da pandemia zumbi. Fora outros elementos que foram adicionados por eles, como a asma de uma das filhas de Gerry (Brad Pitt), que poderia ser usada apenas como fator dramático ou de suspense em alguma cena, mas é inteligentemente usada para desenvolver a figura paterna de Gerry, que ajuda a filha durante uma crise da doença.

Por fim, Guerra Mundial Z não é um “filme de zumbi”, expressão que já virou praticamente um sub gênero. Não é uma produção em que um grupo de sobreviventes passa o tempo todo fugindo e se escondendo dos zumbis. Mas sim um suspense de investigação da origem de uma epidemia. Para ilustrar melhor, é uma mistura de “Contágio” com “Extermínio 2″. Há uma praga que transforma pessoas em mortos vivos, e a cura precisa ser encontrada antes que tudo seja perdido. Portanto, os zumbis movem a história, mas não são a história.

Mesmo com seus problemas, é um filme que funciona.

#Pipocando – Principais Estreias da Semana (05/10)

Aposta Máxima (Runner, Runner)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=LHggQ4nsBaE[/youtube]

O estudante Richie (Justin Timberlake), acreditando que está sendo fraudado, viaja a Costa Rica para confrontar o magnata das apostas online, Ivan Block (Ben Affleck). Richie é seduzido pela riqueza de Block até descobrir a verdade perturbadora sobre o magnata. Quando o FBI tenta coagir Richie a ajudá-los a prender Block, Richie se encontra na maior aposta de sua vida: tentar vencer as duas forças que o estão pressionando.

Além de Timberlake e Affleck, também estão no filme Gemma Arteton (“João e Maria: Caçadores de Bruxas”), Anthony Macke (“Os Agentes do Destino”), Ben Schwartz, Sam Palladio e outros.

Mato sem Cachorro

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=E2lq7QdAyRs[/youtube]

Deco e Zoé se conheceram quando ele quase atropelou Guto, um cachorro que desmaia toda vez que fica animado. Mas depois de um relacionamento de dois anos, Deco leva um pé na bunda de Zoé, que fica com Guto e de sobre arruma um novo namorado. Deco, revoltado, tentará tomar as rédeas da situação e com a ajuda do primo Leléo (Danilo Gentili) pegar seu cachorro de volta.

A comédia é protagonizada por Leandra Leal e Bruno Gagliasso e ainda tem Danilo Gentili, Sandy, Gabriela Duarte e participação de Rafinha Bastos.

Tá Chovendo Hambúrguer 2 (Cloudy with a Chance of Meatballs 2)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=-rE0ZUWVRY4[/youtube]

Depois da tempestade de comida no final do primeiro filme, Flint Lockwood e seus amigos são forçados a deixar Swallow Falls. Porém, quando monstros de comida são descobertos, eles precisam voltar à pequena ilha e mais uma vez salvar o mundo.

Andy Samberg, Neil Patrick Harris, Anna Faris e James Caan, Andy Samberg, Benjamin Bratt, Neil Patrick Harris e Terry Crews dublam a animação na versão original.

#Pipocando – Principais Estreias da Semana

R.I.P.D – Agentes do Além (R.I.P.D.)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=LAHd_FP7Pz8[/youtube]

O policial recém assassinado Nick (Ryan Reynolds, “Lanterna Verde”) entra para uma equipe de agentes mortos-vivos (Rest In Peace Department) responsável por monitorar atividades sobrenaturais no mundo dos vivos. Ele se junta ao experiente Roy (Jeff Briges, “Homem de Ferro”)  para caçar as almas que fugiram do purgatório e descobrir o responsável pela sua morte.
Kevin Bacon e Mary-Louise Parker são outros nomes de destaque no elenco.

Família do Bagulho (We’re The Milllers)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=tCZTFqPO0Nw[/youtube]

Um traficante veterano cria uma família falsa como parte de um plano para importar meia tonelada de maconha do México pela fronteira dos EUA.
No elenco, Jason Sudeikis, Jennifer Aniston, Emma Roberts, Will Poulter, Ed Helms, Nick Offerman, Kathryn Hahn, Molly C. Quinn e outros.

O Tempo E O Vento

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=K_z1uhHdkgE[/youtube]

O filme épico conta a história da formação do Rio Grande do Sul pela trajetória da família Terra Cambará durante dois séculos.
Fernanda Montenegro, Thiago Lacerda, Marjorie Estiano, Cléo Pires, entre outros, compõe o elenco.

#Pipocando – Principais Estreias da Semana (20/09)

Elysium

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=GmsmrHdomRo[/youtube]

Passado no ano de 2154, quando os ricos vivem na estação espacial Elysium enquanto o resto da população vive numa Terra em ruínas e superpovoada, o ex condenado e agora funcionário de uma fábrica de policiais androides Max da Costa sofre um acidente químico que o deixa à beira da morte. Sua única esperança é conseguir chegar em Elysium, onde não só encontrará cura, como terá a chance de trazer igualdade aos dois mundos opostos.

A superprodução de ficção científica é o segundo longa do diretor Neill Blomkamp, que estreou com o ótimo “Distrito 9″. Matt Damon protagoniza o filme, que ainda tem Jodie Foster, Sharlto Copley, Diego Luna, e os brasileiros Wagner Moura e Alice Braga em papéis importantes.

A Família (The Family)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=0Ag4Uung7J4[/youtube]

Depois de depor contra a Máfia, um gângster aposentado vive com sua família sob o serviço de proteção a testemunhas do FBI. Eles tentam se ajustar ao novo modo de vida, numa cidadezinha da Normandia, na França. Mas velhos hábitos são difíceis de largar.
O bom elenco conta com Robert De Niro, Tommy Lee Jones, Michelle Pfeiffer, John D’Leo e Dianna Agron.

As Bem Armadas (The Heat)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=oByra3TbQBA[/youtube]

Uma agente desacreditada do FBI e uma oficial fora dos padrões da polícia de Boston se juntam para combater um chefão do narcotráfico.
Comédia protagonizada por Sandra Bullock e Melissa McCarthy. Taran Killam, Kaitlin Olson e Marlon Wayans também estão no elenco.

#Pipocando – Principais Estreias da Semana (13/09)

Invocação do Mal (The Conjuring)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Y5_fCdrV0uE[/youtube]

O sexto longa de James Wan, criador da franquia Jogos Mortais, conta a história real do caso sobrenatural mais difícil que os famosos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga, respectivamente) tiveram que enfrentar. Depois de uma família começar a ser aterrorizada por uma presença maligna em sua fazenda, o casal Warren é chamado para investigar os eventos.  Algo que já vimos dezenas de vezes, certo? Não de acordo com os críticos. No Rotten Tomatoes, o filme tem 85% de aprovação. Wan já provou saber o que faz não só em Jogos Mortais, mas também em Sobrenatural (em que Patrick Wilson também atua).

Além de Wilson e Farmiga, no elenco ainda tem Lili Taylor, Ron Livingston, Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, Mackenzie Foy e outros.

Dose Dupla (2 Guns)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=akP3ku82hgM[/youtube]

A comédia de ação segue a história de um agente de narcóticos e um oficial de inteligência dos EUA, que precisam fugir de um cartel de drogas depois que tentam se infiltrar sem saber que estão do mesmo lado.
Mark Wahlberg e Denzel Washington protagonizam o filme que ainda tem James Marsden, Bill Paxton, Paula Patton e outros.

Rush – No Limite da Emoção (Rush)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=8qlEtc_nBa0[/youtube]

História real da rivalidade dentro e fora das pistas entre dois pilotos de Fórmula 1 nos anos 1970, o austríaco Niki Lauda (Daniel Bruhl, de “Bastardos Inglórios”) e o britânico James Hunt (Chris Hemsworth, “Thor”).
Ainda no elenco, Olivia Wilde, Alexandra Maria Lara, Natalie Dormer, entre outros.

#Pipocando – Principais Estreias da Semana (06/09)

O Ataque (White House Down)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=NKB_lrG3pAQ[/youtube]

Enquanto fazia um passeio com a filha pela Casa Branca, um segurança se torna a última esperança do País quando um grupo de paramilitares invade a residência oficial do presidente dos EUA.
Filme de ação de Roland Emmerich (de Indepence Day e 2012) com Channing Tatum, Jamie Foxx, Maggie Gyllenhaal, Jason Clarke e Richard Jenkins.

Jobs (jOBS)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=pT2Rp7c9Qok[/youtube]

Essa cinebiografia conta a história da ascensão de Steve Jobs, desde quando largou a faculdade até se tornar um dos mais reverenciados e criativos empreendedores do século XX.
Ashton Kutcher é responsável por interpretar Jobs. No elenco ainda tem Dermot Mulroney, Josh Gad, Lukas Haas, Matthew Modine, J.K. Simmons, Lesley Ann Warren e Ron Eldard.

Casa da Mãe Joana 2

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=PJ26eDbYQHk[/youtube]

Depois de seguirem caminhos diferentes, os amigos Juca, P.R. e Montanha voltam a se reunir e vivem situações hilárias enquanto fogem de duas irmãs em busca de uma herança.
A sequência da comédia de 2008 tem José Wilker, Juliana Paes, Hugo Carvana, Leona Cabal entre outros.

#Pipocando – Círculo de Fogo

Pacific Rim - Poster2Conhecido por seus filmes de terror e fantasia, como “O Labirinto do Fauno”, “A Espinha do Diabo” e “Hellboy”, o multitarefa Guillermo Del Toro — que já havia produzido “Mama” esse ano — dessa vez se joga de cabeça num sonho antigo seu (e de 90% dos jovens que cresceram  principalmente nos anos 80 e 90): um filme sobre monstros contra robôs gigantes.

Na trama, legiões de monstruosas criaturas, conhecidas como Kaiju, começam a emergir do Oceano (mais precisamente do Círculo de Fogo do Pacífico) e destruir cidades ao redor do mundo, matando milhões de pessoas. Quando as armas convencionais não se mostram o bastante para deter os monstros, a Pan Pacific Defense Corp começa a criar enormes robôs controlados por dois pilotos para defender as cidades. Nasce o Programa Jaeger. A princípio um sucesso, os Jaegers não conseguem resistir por muito tempo devido às aparições cada vez mais frequentes dos Kaijus e ao custo e demora na fabricação e reparo dos robôs.
A PPDC, então, decide suspender os fundos do Programa e dar prioridade à construção de muros em volta das cidades. Contrariado com a decisão, Stacker Pentecost, o responsável pelo Programa Jaeger, decide levar os quatro Jaegers remanescentes para o último post de batalha em Hong Kong, onde pretende liderar um ataque final.

Pacific Rim - SidneyUma das coisas mais legais do filme é subverter a máxima do herói de ação, na maioria das vezes, americano. Em “Pacific Rim” (título original), a Pan Pacific Defense Corp, organização criada para defender a humanidade dos Kaijus é transnacional. Pentecost, o comandante do Programa Jaeger, é britânico e as equipes que pilotam os quatro robôs principais são da China, Rússia, Austrália e, no caso do Gipsy Danger, um americano e uma japonesa. Raleigh Becket (Charlie Hunnam, da série “Sons Of Anarchy”), um piloto aposentado e traumatizado por um evento do passado, e a inexperiente Mako Mori (Rinko Kikuchi, de Babel) são os personagens principais que se levantam como heróis quando tudo dá errado. E, apesar de Becket ser o óbvio protagonista, uma vez que a personagem de Mori é apresentada, a trama começa a girar em torno dela. Vemos a história através dos olhos de Becket, mas é Mori quem se torna a protagonista do filme.

Se um filme de ação/ficção científica com uma heroína já não é comum em Hollywood, um filme em que a heroína não seja sexualizada, é raridade. Del Toro queria que os personagens e seus dramas fossem o foco do longa, e não seus físicos (ainda assim ele presenteia as mulheres com um Charlie Hunnam sem camisa por alguns segundos) ou, ainda vou mais longe, os robôs. Sim, os robôs são as coisas mais divertidas no filme, mas sem os humanos, eles são milhares de toneladas de metal inanimado. A “alma” desses seres gigantes é o que os move, assim como a alma dos personagens é o que move o filme. Um elemento bem inteligente (e legal, vai!) que mostra isso é a conexão neural que os pilotos precisam fazer para pilotar os Jaegers. Duas pessoas (ou três, no caso dos chineses) compartilharem as mentes quer dizer compartilhar alegrias, tristezas, virtudes, defeitos, medos, decepções, fraquezas, traumas, e tudo o que nos faz humanos. Dentro de um Jaeger os pilotos — e o robô — se tornam um.

Pacific Rim - Charlie Hunnam and Rinko KikuchiO significado disso é muito mais profundo e interessante do que qualquer embate entre um Jaeger e um Kaiju. E devo dizer que as batalhas são excepcionais. Apesar de serem feitas completamente com computação gráfica, não há uma cena em que os movimentos — seja dos seres gigantes, do mar, ou dos ambientes destruídos — soem artificiais. Del Toro e o supervisor de efeitos especiais, John Knoll, passaram semanas discutindo a física dos Jaegers e Kaijus e até os detalhes da reação que eles causariam nos ambientes (como o tremor das janelas de prédios causados pelo deslocamento de ar quando um Jaeger passa por eles). O resultado são efeitos visuais muito reais e impressionantes.

Um elemento que chama atenção na fotografia do filme é as cores, que são bem fortes. Pela primeira vez, Guillermo del Toro e Guillermo Navarro (diretor de fotografia com quem já trabalhou várias vezes) optaram pelas câmeras Red Epic, que tem uma saturação bem intensa de cores — muito maior do que uma câmera analógica. Essa intensidade das cores dá ainda mais vida aos planos que sempre buscam ostentar o tamanho das imensas criações do diretor, frequentemente os mostrando de baixo e os comparando com outros objetos e construições enormes, como arranha-céus, pontes, e até a própria profundidade do mar, onde os Jaegers raramente ficam submersos. Um momento que ilustra bastante essa ideia de proporção e que, particulamente, eu esperava muito desde que vi o trailer, é quando Gipsy Danger usa um navio cargueiro como espada, na batalha contra um Kaiju em Hong Kong (cidade onde a maioria da ação acontece). É um daqueles raros momentos em filmes pipoca em que penso “gostaria ter tido essa ideia” — a sequência da explosão do gramado enquanto um jogador faz um touchdown, em “Batman – O Cavaleiros das Trevas Ressurge“, é outro momento desses.

Pacific Rim - Jaeger Vs KaijuApesar de suas muitas qualidades, porém, o filme tem seus pontos fracos. A maioria deles mora no roteiro escrito por Travis Beacham e pelo próprio del Toro, que abusa de personagens, situações e diálogos clichês. Temos o comandante casca grossa (o sempre ótimo Idris Elba, de “Prometheus”), o piloto arrogante que rivaliza com o mocinho e o cientista maluco que funciona como escape cômico. Aliás, em “Círculo de Fogo” é uma dupla de cientistas — Newt Geiszler e Gottlieb, irritantemente interpretados por Charlie Day e Burn Gorman, respectivamente. Outro personagem responsável pelo humor é Hannibal Chau, um vendedor de partes de Kaijus no mercado negro, interpretado por Ron Pealman (também de “Sons Of Anarchy”, e “Hellboy”).
Há ainda situações que soam artificiais, como quando Becket e Mori “checam o pulso” de um Kaiju já morto. Percebe-se claramente que é uma cena apenas com o objetivo de impactar visualmente. Provavelmente na cabeça de Del Toro a cena teria um efeito empolgante ou até cômico quando, na verdade, soa bobo.

Pacific Rim - Personagens PrincipaisEntretanto, os visíveis defeitos e tropeços no roteiro não tiram o mérito do diretor e de seu filme excelente, que não só funciona como bom entretenimento, mas também é capaz de despertar a criança interior de muitos marmanjos, que certamente sentirão uma sensação de nostalgia vendo as batalhas colossais. E, mesmo sendo cheio de metal e monstros, “Círculo de Fogo” não é um filme bruto, artificial, mas sensível, que envolve o espectador, principalmente pela força de seus personagens. O elo que Guillermo del Toro cria entre Raleigh e Mako é muito bonito. É emocionante quando, perto do final do filme, Raleigh diz à ela “All I have to do is fall, Mako. Anyone can fall”. É verdade que a fala teria ainda mais peso se o destino de seu personagem fosse diferente, mas, por tudo o que significa, pela construção da cena, e interpretação de Charlie Hunnam (que merece ser mais conhecido) é um momento comovente e importantíssimo para a história do filme.

“Círculo de Fogo” é um dos melhores filmes do ano, mas com um texto mais cuidadoso seria ainda melhor do que já é. Não é uma produção que visa premiações, ainda assim é capaz de tocar e envolver o público de uma forma que muitos filmes oscarizados não conseguem.

Crítica também disponível no blog: http://www.isduarte.blogspot.com.br/