10 bandas para embalar os “órfãos” do Palavrantiga

Banda fez seu último show com o vocalista Marcos Almeida e agora prepara mudanças.

palavrantiga-sobre-o-mesmo-chaoNÃO! O Palavrantiga não vai acabar, mas desde o último sábado, 28/06, Marcos Almeida não faz mais parte da banda. A saída foi anunciada a alguns meses e os fãs da banda puderam ir atras das últimas apresentações dos músicos mineiros/capixabas.

A banda irá se reinventar e nós ficamos aqui esperando as novidades que Josias Alexandre, Lucas Fonseca e Felipe Vieira irão anunciar.

Marcos Almeida, que irá se dedicar ao projeto Nossa Brasilidade e algumas apresentações esporádicas com sua parceira Lorena Chaves, anunciou que em breve apresentará um site reformulado e com novos colaboradores. O que começou apenas como reflexões sobre Arte e Fé cristã, hoje mostra potencial pra ser algo grandioso e com embasamento bíblico pra reformular o jeito dos cristãos fazerem artes.

Mas enquanto alguns lamentam (eu sou um deles), o Underdot aproveita pra apresentar 10 nomes que bebem da fonte ideológica do Palavrantiga, de fazer músicas que rompem a barreira gospel/secular. Alguns já estão atingindo o mainstream, outros com grande potencial e qualidade pra chegar lá.

Então se você acha que a saída do Marcos Almeida nos deixará orfãos de boa música feita por cristãos, nós vamos te ajudar a descobrir que não! Vamos a lista:

Continue Lendo…

Underdot entrevista – Tanlan

tanlan_marlosNunca fui de ouvir rádio Gospel, então o padrão Gospel nunca foi parâmetro para mim, mas quando comecei a me sentir incomodado com a música Cristã que estava dominando as igrejas e seus grupos (ou Ministérios, se preferir) de Louvor, começou uma divisão na minha cabeça: como músico, a música que eu tocava não era mais a música que eu ouvia.

Fora do Brasil já existia um movimento de música Cristã alternativa, mas quando eu procurei referências nacionais tudo era muito vago. Mas dois nomes apareceram para mim lá pelos idos de 2008: Aeroilis e Tanlan.

Imediatamente procurei contato e mais informações, e adquiri os CDs que eles tinham disponíveis na ocasião. Alguns anos depois, com o aprimoramento das redes sociais e a facilidade de contatar as pessoas foi surgindo a oportunidade de trocar umas ideias com o pessoal da Tanlan.

Então no dia 04/12/2013, uma madrugada quente de Porto Alegre, após um dos ensaios da banda para o Rock no Vale, tive uma conversa agradabilíssima com Fábio Sampaio, Beto Reinke e Fernado Garros. Falamos sobre a história da Tanlan, música Cristã no Brasil, Festival Promessas entre outros assuntos. Entre as declarações bombásticas, a de que o Acre existe, e a Tanlan já esteve lá!

OBS.: A entrevista foi gravada na semana que aconteceu o Rock no Vale e como nós do Underdot acreditamos no projeto, resolvemos manter a parte que a banda fala sobre o festival, mesmo que isso deixe a entrevista datada, já que ela está indo ao ar exatamente 1 mês depois da ótima apresentação da banda no Rock no Vale.

 

Underdot Entrevista – Os Oitavos

Para começar, gostaríamos que vocês se apresentassem. Afinal, quem são Os Oitavos?

Os Oitavos são uma banda gaúcha de rock alternativo. Fazemos música por prazer e paixão. Deixamos transparecer o que acreditamos através da arte, da maneira mais transparente possível. Somos os oitavos porque não temos a necessidade de sermos os primeiros. Esse ritmo frenético, essa corrida desenfreada por um suposto sucesso nos irrita. Não queremos estar em primeiro lugar, onde a sociedade premia. É um conceito de que não somos melhores ou piores por estarmos em alguma posição. Somos quem somos e estamos gratos por isso.

Os Oitavos

Quais são as principais influências musicais da banda? E ideologicamente?

Musicalmente e esteticamente temos influência de Radiohead, Coldplay, Muse, U2, The Killers, As Tall As Lions, Jars of Clay, Keane, Death Cab For Cutie, David Bazan. Ideologicamente os próprios U2 e Jars of Clay, além de Rich Mullins, Glenn Kaiser e Switchfoot.

Todos os membros frequentam uma igreja evangélica?

Nós fazemos parte de uma comunidade cristã independente, “não institucionalizada”. Não acreditamos que o termo “evangélico” traduza realmente o que fazemos parte. Enxergamos a Igreja como algo que se é, e não necessariamente como um lugar para ir. Muitas igrejas hoje estão configuradas como organizações ou corporações, onde os números parecem importar mais do que as pessoas. A nossa opinião em relação às igrejas evangélicas está descrita nos livros: Alma Sobrevivente – Sou cristão apesar da igreja, de Philip Yancey; Uma Ortodoxia Generosa, de Brian McLaren; O Evangelho Maltrapilho, de Brennan Manning e Neuroses Eclesiásticas, de Karl Kepler.

Para vocês, o que seria uma banda “gospel”?

Uma banda que compõe e toca para o mercado evangélico. Pode ser louvor, entretenimento, ou qualquer estilo de música que tenha letras evangélicas.

Os Oitavos se encaixam nessa definição? Por quê?

Não, porque não fazemos músicas evangélicas para o público evangélico. Afinal de contas, o que torna uma música gospel ou secular? É o conteúdo da letra em si independente do compositor?  Dividir a arte entre sacro e secular é um equívoco. No livro “A arte não precisa de justificativa”, Rookmaaker diz que a arte deve ser a expressão do que há de mais profundo em nós, mas e se encontrarmos pouco? Assim nós nos preocupamos com o nosso caráter, com o que somos, porque é isso o que virá à tona nas músicas.

Tocamos rock. Nós fazemos músicas que qualquer pessoa pode se identificar. Nossas letras falam sobre a vida como um todo, sobre diversos temas, alguns deles relacionados ao cristianismo e outros não. A diferença é que os textos estão sob uma perspectiva e visão de mundo cristã. C.S Lewis dizia que não precisamos mais de artistas que falem sobre o cristianismo, precisamos de artistas que falem sobre qualquer tema da vida com a sua perspectiva cristã. Um time de futebol se torna um time gospel porque é formado por alguns Atletas de Cristo? E eles jogam um futebol evangélico? Vemos a arte da mesma forma.

Armas de Distração em Massa

 

Qual o tipo de lugar que vocês tocam com mais frequência?

Entre 2003 e 2013 tocamos em muitos bares, casas noturnas, festivais de música, eventos, festas e feiras (como Festa da Uva, Feira do Livro, etc.). Algumas vezes tocamos em festivais “gospel”, mas apenas quando havia uma intenção específica no evento, como numa ocasião em São Leopodo, onde o pastor iria pregar sobre o cristianismo na obra do U2, aí nós tocamos. Ou mais recentemente no Hope Music Festival, junto com bandas como Tanlan e Aeroilis, que estão identificados com uma visão semelhante a d’Os Oitavos. Mas pretendemos tocar mais em igrejas e eventos cristãos a partir de agora, porque o nosso trabalho tem se revelado relevante para quem já é cristão. Queremos ser sal e luz em qualquer local em que esteja escuro e sem sabor, mesmo que esse local seja a própria igreja.

 

Já vimos vários artistas dizendo que se a banda leva o carimbo de gospel, ela morre para o mercado “aberto”. Não consegue tocar em bares, casas noturnas ou festivais “seculares”. Vocês concordam com isso?

De certa forma sim. O público em geral não vai a um bar pra ouvir uma banda gospel. Se alguém quer ouvir uma banda gospel, vai na igreja ou num evento gospel. Então, os espaços para quem leva o carimbo gospel são muito restritos sim. Dificilmente algum artista desse nicho vai ser relevante para o mundo secular. O público geral, só de saber que determinada banda é gospel, já se fecha e nem quer ouvir. Assim como o público gospel tem resistência a bandas seculares e nem se permitem conhecer. Por enquanto, na história da realidade brasileira, os mercados sempre foram excludentes, mas ainda não sabemos o que está por vir.

 

O CD de vocês foi produzido por Ray-Z, que já produziu alguns grandes nomes do rock brasileiro (Nenhum de Nós) e também do rock gaúcho, (Acústico e Valvulados, Bidê ou Balde, Vera Loca, etc). Como foi todo o processo de gravação? Qual o aprendizado em trabalhar com alguém desse nível já no início da carreira?

O Ray-Z é um baita produtor. Não é à toa que produziu o novo disco do Nenhum de Nós, Acústicos e Valvulados, Bidê ou Balde, Cartolas, Júpiter Maçã, etc. Aprendemos muito sobre áudio durante a gravação. Usamos Gibson, Fender, Telecaster, SG, Rickenbacker, Semi-acústica, além de vários amplificadores só para as guitarras, então já dá pra imaginar. Foi muito trabalhoso, mas valeu a pena, desenvolvemos senso crítico e discernimento técnico. O Ray se tornou um amigo, um professor e o responsável pela qualidade técnica e profissionalismo do CD.

Bom dia, fracassadoO single ‘Bom Dia, Fracassado’ foi masterizado no lendário Abbey Road Studio. Qual a sensação disso, de saber que uma música de vocês já rolou por lá?

O álbum “Armas de Distração em Massa” foi masterizado nos Estados Unidos, então já tínhamos experimentado uma master internacional, que nivela o som do disco lá por cima. Mas o Abbey tem assinatura, e tínhamos a curiosidade de saber como a música iria soar. “Bom Dia, Fracassado” tem um clima mais vintage, então combinou muito com a master londrina.

 

Já houve alguma ocasião que alguém mudou de postura depois de saber a vocação Cristã da banda?

Até agora não, porque a primeira aparição pública nos vinculando ao mercado gospel perante o público secular foi a citação na Billboard no final do ano passado. Já tínhamos aparecido na Ultimato e em outros veículos cristãos, mas esses não são lidos por não-cristãos, então ainda não sabemos como vai ser a reação das pessoas, visto que saímos de novo na Billboard desse mês, numa matéria sobre os festivais gospel. Vamos ver…

Nos shows fora da igreja, vocês mencionam o Evangelho ou alguma passagem da Bíblia ou deixam que a música faça o trabalho de enviar a mensagem?

Um profissional deve conhecer o mercado em que trabalha. As pessoas não pagam um couvert artístico num bar para ouvir alguém falar de Jesus. Quando tocamos num bar, oferecemos entretenimento, e deixamos que as músicas falem por si. Mas preferimos tocar em teatro, onde o público vai exclusivamente para ouvir a obra. É arte pela arte. Mas da mesma maneira não ficamos falando do Evangelho, apenas trocamos uma ideia sobre a letra da música. Quando tocamos em igreja, aí sim falamos da Bíblia, porque o público está ali para ouvir isso também, além da música. Nos bares a gente se preocupa com a postura, domínio próprio, em transparecer o nosso caráter, fidelidade com as esposas, honestidade, tratar todos com respeito e humildade, etc.

Do ponto de vista profissional, como vocês lidam com a questão de cachês, dentro e fora das igrejas?

Não vivemos da música, mas já cobramos cachê há alguns anos. As pessoas pagam para nos ver tocar, então trabalhamos com profissionalismo. Os valores variam, depende da estrutura do bar, se tem bastante público ou não, eventos, igrejas, festivais, etc. Tentamos entender a necessidade do contratante e se está de acordo com as nossas expectativas.

Como vocês vêem a relação da Arte com o Cristianismo?

Por muito tempo, talvez até hoje em dia, de forma generalizada as pessoas esperam que o artista cristão produza somente “arte cristã” para o consumo de cristãos. Parece que a temática sempre tem de girar em torno de Deus, Jesus, Bíblia e aí por diante. Não cremos que esse seja o papel do artista cristão. Não fomos chamados para nos fecharmos num gueto e dialogar somente com nossos pares. O jornalista inglês Steve Turner, em “Cristianismo Criativo” comenta o seguinte: “Por que não conseguimos citar nomes de cineastas, dramaturgos e dançarinos renomados que são cristãos? Por que os artistas cristãos só têm relevância dentro do ambiente gospel, para o público cristão?” Aliás, esse livro ajudou a moldar a vocação d’Os Oitavos. Além de “A Arte e a Bíblia”, de Francis A. Schaeffer e dos livros do holandês H.R Rookmaaker. Há uma citação do Rookmaaker que explica bem a nossa ideia: “A arte tem seu próprio significado como criação de Deus – ela não precisa de justificativa. Sua justificativa é ser uma possibilidade dada por Deus. Os artistas não necessitam de justificativa assim como os açougueiros, os jardineiros, os motoristas de táxi, os policiais ou as enfermeiras não precisam justificar com argumentos sagazes o porquê de estarem fazendo o seu trabalho. E eles certamente não o fazem como forma de conseguir uma oportunidade para pregar ou testemunhar. Encanadores que fazem grandes discursos evangelísticos, mas deixam a torneira vazando, não estão cumprindo o seu papel. São maus encanadores. Fica claro que eles não amam ao próximo”.

Já citamos C.S. Lewis na outra resposta, e concordamos que o artista cristão deve criar arte verdadeira, sobre qualquer assunto, com sua latente cristã. Se o momento é de desamparo, desesperança, pavor, essas sensações tem de transparecer na obra de arte, assim como apareceriam nas preces do artista. Na Bíblia há muitos Salmos com essa temática, tem um livro inteiro chamado Lamentações. A arte precisa ser verdadeira, mas muitas vezes, a sinceridade é mal vista no meio evangélico e logo começam boatos de que fulano perdeu a fé, ciclano está em pecado, etc. Talvez isso tenha prejudicado a legitimidade da arte cristã.

Quais os futuros projetos da banda?

Neste ano vamos lançar o clipe da música Frases Feitas e estamos tramando a gravação de outros dois. Começaremos a tocar mais no meio gospel e ver como o público reage ao nosso trabalho. Em paralelo a isso estamos compondo as músicas do nosso segundo álbum.

O que vocês acham da nova safra de bandas Cristãs brasileira, como Tanlan, Palavrantiga, Crombie entre outros, existem alguma identificação, ou até mesmo interação entre vocês?

Claro! Esse movimento está acontecendo em todos os cantos do Brasil. O número de bandas a artistas com essa visão da arte cristã está aumentando. Há similaridades sonoras sim, mas nos identificamos mais mesmo é no sentido missionário e visionário. Já tocamos algumas vezes com Tanlan e Aeroilis, e é sempre excelente. Esperamos que a interação e o trabalho coletivo aumente cada vez mais.

 

 

Quem quiser conhecer mais a banda, o site oficial da banda é OsOitavos.com e na página no SoundCloud é http://www.soundcloud.com/osoitavos.