Oficina G3 lança clipe da música CONFIAR!

A produção foi dirigida por Hugo Pessoa, mesmo diretor do DVD Depois da Guerra.

E o disco Histórias e Bicicletas da banda Oficina G3 enfim ganha uma obra áudio-visual. O vídeo que foi gravado antes da saída do baterista Alexandre Aposan, conta a história de um mal que tem se tornado comum em nosso dias.

Com tiros, carro capotando, ação e drama, a obra é uma grata exceção a tudo que vem sendo produzido no gospel.

Acredito que se o mercado Gospel não levantasse tantos muros, esse clipe seria facilmente exibido em canais como o Multishow, Bis e MTV, pela qualidade de sua produção. Destaco o fato da música não ser proselitista, o que vai fazer com que esse clipe, pelo menos na internet, faça muito sucesso entre pessoas de todas as crenças.

Assista ao clipe abaixo.

Lucas Souza anuncia o fim de sua banda

Não chegou a ser uma surpresa, mas ainda sim foi muito triste ler a confirmação do fim da Lucas Souza Banda, trazida pelo próprio Lucas através do Twitter.

Lucas souza fim

Assim como já tinha acontecido com o Aeroilis, que em Fevereiro deste ano informou o fim de suas atividades, agora o Lucas nos trás esta notícia. Provavelmente nunca saberemos os motivos exatos que os levaram a estas decisões, embora existam alguns boatos sobre um descontentamento do Lucas com o meio musical Cristão, além do fato de ele estar trabalhando na bem sucedida carreira de seu irmão, o SILVA, um dos destaques no novo cenário pop-MPB.  Ao mesmo tempo, tenho a convicção de que não é necessária música gospel para louvar a Deus, e que lançar discos não significa necessariamente trabalhar em prol do Reino (já falei sobre isso aqui). De qualquer maneira, tudo que eu colocasse aqui a respeito de motivos seria especulação, ao invés disso vou contar uma história que me trás ótimas lembranças, e que envolve uma música do Lucas Souza, assim segue:

 

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=lwc7JypYqk4[/youtube]

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Sobre Como Ouvir Música Popular Brasileira

kCL5OKQJDdLqC633dXf9BdO16D2Quando Milton Hatoum disse para José Castello, “materialmente, não quero muito, espiritualmente, quero tudo”, estava confessando o desejo de muitos artistas; a transcendência. Só a literatura contemporânea interessada na superfície da realidade, no papo chatíssimo da desconstrução autoral, num tipo não-conceitual de arte sem artista, está deixando escapar outros objetivos. Talvez o próprio desaparecimento da literatura. Um tipo de vingança inconsciente desses novos escritores sem fogo, nem brasa.

Mas, o ponto de apoio daquilo que convencionamos chamar de cultura sempre foi uma sensibilidade espiritual que orienta e direciona a criação artística. Pensando agora na música brasileira, tento recordar o tempo que comecei a escrever canções, aos 14 anos. Não conhecia, ainda, a tradição cristã. Minha educação religiosa se deu em volta de uma espiritualidade bem diferente da que eu acredito hoje – meus pais viviam num isolamento filosófico fundamentalista, mas deixaram os filhos estudar em colégio católico. No entanto, escrevi dezenas de canções. Os temas mais variados para um adolescente. Do amor não correspondido ao tema para o dia do professor, falei do aperto no lotação, da sociedade hipócrita, da festa, das estrelas no céu e da falta que todo jovem sente. Meu primeiro mentor chegou a censurar aquelas canções dizendo que eu não tinha crivo para escolher assunto, qualquer coisa entrava na letras – um divertido e bem sincero caos! Contudo, posso garantir aos leitores que antes da minha conversão nunca fiz um música para o ‘coisa ruim’. Acredite, era isso que os religiosos me diziam na época: o que você escreveu antes se não era pra Deus, era pra quem? Perguntavam, sem querer ouvir resposta. Eles satanizavam tudo que não tinha utilidade eclesiástica ou proselitista. Muito embasados em casos isolados de artistas que ganhavam (ou perdiam) a vida em cima do discurso esotérico-ocultista. Não é difícil entender porque nesses últimos anos comemoro quando vejo os novos crentes dialogando com a cultura sem medo de fantasmas criados por uma religião recalcada.

Como compositor e ouvinte, descobri muitas maneiras de ouvir canções. Tem gente que as ouve como um simples objeto sonoro. Outros conseguem perceber na canção uma representação social, um hino não intencional de uma religiosidade-secular, um veiculo político, uma exposição das forças inconscientes, o retrato psicológico do autor ou da época… Enfim, são tantas leituras! Tantas formas de ouvir! Fora o discurso da indústria cultural, da lógica de mercado, dos produtos culturais, a coisa da manipulação e tal e tal. Mas, o viés que me instiga a ouvir música popular brasileira, hoje, é exposto nos temas da identidade e da espiritualidade. Esses temas, tão caros à música sacra ou religiosa, transbordam do cancioneioro popular e formam um caminho que nos ajuda a reconhecer semelhanças confessionais nas diversas formas que o brasileiro encontrou para cantar a vida que experimenta. Vejam isso:

“Quero cantar só pras pessoas fracas
Que estão no mundo e perderam a coragem
Quero cantar o blues com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade, pois há um incêndio sobre a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem ”

(Blues da Piedade – Frejat/Cazuza)

 

A estética da recepção, ou como se dá a fruição da obra de arte, é um tema muito interessante. Suspeito que o ouvinte, o receptor, se confunde com o compositor a medida que interfere na obra, e na sintaxe dela. É o que estamos fazendo agora. É possível dizer que não havia nenhuma intenção ‘religiosa’ no letrista quando escreveu alguns versos com linguagem cristã; “piedade”, “fraqueza”, “pastor” ou a chocante “somos iguais em desgraça”. Expressões como essas fazem muito sentido para um crente como eu, mas seria absurdo determinar o que Frejat e Cazuza quiseram dizer ‘objetivamente’ com essas palavras. Sobretudo atenção: nenhuma das canções que ouvirmos com essa interferência dialogal e analógica continuará a mesma, porque não estamos ouvindo só com os ouvidos, mas com o espírito! Vamos alterar o que está sendo dito, inventar coisas. Estamos trocando idéias com o repertório! Colocamos essas letras em conversa com outros autores do passado, apresentamos o repertório popular para quem escreve no presente e é bem certo que tudo isso vire uma leitura agradável para os meus filhos no futuro. Leitura que pode nos fazer mais humanos. Isso porque quando ouvimos uma canção não somos apenas ouvintes, mas um exemplo legítimo de compositor.

 

Por Marcos Almeida, guitarrista e vocalista da banda Palavrantiga, no blog Nossa Brasilidade.

 

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=7Oh7WdD1Dpk[/youtube]

Se Deus gostasse só de música gospel, dava talento só para os cristãos

crianca-musica

Nem minhas melhores piadas, nem as charges mais polêmicas, nem meus textos mais sérios foram tão compartilhados, comentados, retwittados pelos terrákios e habitantes de todo universo e adjacências. Gosto disso! Meu ministério é fazer os outros pensarem.

Uns acharam o máximo e outros desempoeiraram suas bíblias pra achar um texto que revertesse a intenção da frase. Logo vieram as ilustrações:

– “Já pensou nos anjos cantando Camaro Amarelo?”
– “O mundo jaz no maligno.”
– “Cuidado com a heresia…”

Uma das maiores raivas de certos evangélicos é que Deus trata todos igualmente. Meus “primos” presbiterianos dão cambalhotas lembrando com alegria o que Calvino chamava de Graça comum. Isso mesmo! Deus dá o mesmo sol para todos. Libera oxigênio igualmente, mesmo que os narigudos queiram consumir mais que os outros. E talento também.

Deus deu talento para Djavan da mesma forma que deu para Sérgio Pimenta. Deus deu talento para Latino da mesma forma que deu para… Ah, deixa pra lá. Deus é tão bom que, até para quem não deu talento, deu oportunidade de mostrar suas criações artísticas.

Mas nós evangélicos confundimos tudo. Achamos que se alguém não adora a Deus não tem talento, ou mesmo que tenha, o talento dela não deve ser “consumido” por nós crentes.

Mas isso só vale na música e na dança. Se for literatura, poesia, fotografia, cinema, arquitetura, etc., a galera não pega muito no pé:

– “Oscar Niemeyer , ah esse foi um gênio!”
– “Drumond? Maravilhoso!”
– “Fernanda Montenegro? A Diva do Brasil!”
– “Fred Mercury? Um gay dos demônios!”

Já pensaram que quando é em relação à música é batata? Muitos pensam que só é bom o louvor e a adoração e quem o faz. Aí temos as distorções.

O cara faz qualquer tipo de letra, acaba com o dicionário de acordes, ousa no máximo rimar amor com dor, mas é evangélico: pronto! É praticamente canonizado em cima dos seus milhares de CDs vendidos.

CONFUSÕES

Adoração não é música. Assim como adorador não é quem canta. Louvor não é música. Assim como quem louva não é quem canta. Adoração e louvor são intenções de um coração rendido.

Vamos ilustrar para não ficar tão confuso. Quando a viuvinha da bíblia deu todos os seus trocados, a adoração não foram as moedas (Lucas 21:2). O que valia era o coração. Quando a ex-Garota de Programa de Lucas 7 derramou o perfume aos pés de Jesus, ele pouco ligou para como o perfume foi comprado pela mulher. Ele se importou com o coração.

Adoração não é moeda. Não é perfume. É coração. Então não se pode dizer que música é adoração.

DISTORÇÕES

Se nós passamos a achar que a música evangélica é a única que Deus gosta e por consequência a única que devemos gostar, então devemos levar isso para todas as áreas da nossa vida.

Se você acha que só o talento do seu irmão é válido, então passe a consumir somente livros cristãos, filmes cristãos, ande só com roupas desenhadas e costuradas por cristãos, ande somente em carros fabricados por cristãos e vibre só com gols feitos por atletas cristãos, num gramado regado por cristãos, num estádio projetado e construído somente por cristãos. Lembrando a mesma regra que você criou para a música, se você consumir alguma arte ou coisa que não seja de origem cristã estará pecando.

 

QUAL TIPO DE MÚSICA QUE DEUS GOSTA?

É meio difícil definir o que Deus gosta não é mesmo? A não ser que tentemos refletir Nele algo que nós gostamos. Por isso existem tantos pastores, líderes e cristãos comuns contestando vários estilos musicais (e em 100% dos casos são os mesmos estilos que eles não gostam).

Podemos observar uma coisa sobre o caráter de Deus. Ele gosta de coisas boas, criativas e perfeitas. Foi assim quando ele terminou sua obra na criação da Terra dizendo: Ficou muito bom! Foi assim quando ele aprovou o sacrifício de Abel porque tudo dele era de primeira.

Posso pensar então que quando uma música é bem construída, tem excelência em sua abordagem, tem melodia e harmonia sensacionais e um conteúdo perfeitamente elaborado, Ele deve gostar.

A frase que gerou tantos comentários era subliminarmente para isto: Nós como cristãos não podemos achar que qualquer coisa que criamos vá fazer com que Deus se agrade pelo único falto de levar o rótulo gospel, ou cristão, ou evangélico. Nem podemos achar que qualquer coisa criada fora do nosso gueto é desprezível e não presta.

Usemos nosso talento para produzir coisas grandiosas. Abra mão dos rótulos, deixe que sua arte defenda sua criação. E pare chamar música de adoração! Música é só música!
Ruben Mukama (Um cara que ouve de tudo e que retém só o que é bom!)

Site: http://www.rubenmukama.com/

Texto originalmente publicado em Portal Conectar.

Precisamos de mais músicas Gospel?

Alguns dias atrás eu fui almoçar em um shopping com dois amigos evangélicos, depois do almoço um deles quis passar em uma livraria evangélica que havia no local, pois ele estava procurando um livro. Ao chegarmos ao local, havia uma promoção de CDs: 3 CDs de artistas brasileiros por R$ 10,00 ou 3 CDs de artistas estrangeiros por R$ 15,00. Um dos meus amigos, que está justamente em processo de gravação do seu primeiro CD, comentou: olha, até tem algumas coisas legais aqui nessa promoção, mas vou trabalhar para que meu CD nunca venha parar em um balaio com esse.

Eu já ouvi a prévia do CD que este meu amigo está gravando, ele está se esforçando para atingir um nível de produção profissional, e o cara é um Cristão fiel e de testemunho exemplar, porém você confunde o resultado do trabalho com outras inúmeras gravações, as mesmas letras, os mesmos arranjos, a mesma sonoridade pop/rock/worship, tudo igual.  Pensei comigo mesmo “precisamos de mais este CD? Aliás, precisamos de mais música Gospel?”

Além da questão óbvia da crise do mercado fonográfico e das quedas constantes nas vendas de CDs, mesmo que a música Gospel tenha um comportamento um pouco diferente, com uma incidência menor de pirataria, qual é a validade de gravar mais um CD hoje em dia?

Não faço esta pergunta apenas pelo aspecto mercadológico, é claro que para muita gente vale a pena lançar um CD, pois as vendas são significativas para as estrelas do Gospel nacional, mas principalmente naquilo que deveria ser a função básica da música Cristã: adorar a Cristo, e levar sua mensagem através da arte. Quanto, dessa música Gospel toda que vem sido produzida, cumpre esse função? Fica a pergunta para os estatísticos de plantão.

Mas espere aí, antes que alguém mais atento venha lembrar que eu mesmo escrevi resenhas e indiquei CDs aqui neste site, e venha me chamar de incoerente, é preciso destacar alguns pontos. A principal crítica aqui fica por conta dos inúmeros artistas que apenas se enquadram no padrão vigente, já conversei com produtores musicais que contam que as pessoas chegam ao estúdio trazendo meia-dúzia de CDs de destaque no momento e pedem para que a gravação siga aquele padrão. Criar uma identidade?  Trabalhar em uma sonoridade própria? Pesquisar referências? Não, isso dá muito trabalho. Mas fácil apenas seguir fórmulas prontas.

É fato que a exigência deste mercado é baixa, eu mesmo fui educado para considerar bandas de rock meia-boca como sendo boas apenas por serem Gospel, afinal, já era rock, já era Gospel, exigir que ainda fosse boa? Seria pedir demais. Na mesma linha de raciocínio, já classifiquei como “legais” peças de teatro com textos cheios de clichês e atuações sofríveis. Esperar que o teatro evangelístico do culto de jovens fosse artisticamente relevante seria espera demais.

E assim vamos alimentando esta indústria. E quando digo “vamos”, é “vamos” mesmo, não posso me excluir da crítica com a justificativa de que os CDs que eu compro ou as músicas que eu indico são legais, e não fazem parte deste esquema repetitivo e pré-fabricado. Isso é muito relativo e o gosto pessoal não pode servir de critério.  A música Cristã que estou ouvindo e divulgando cumpre os requisitos básicos que já citei neste texto?

Bandas que não citam o nome de Cristo no decorrer de todo um álbum, talvez com medo de ficarem presas ao rótulo de Gospel, mas que buscam igrejas para tocar em início de carreira, estão cumprindo exatamente que função? Essa é uma pergunta sincera, e não uma crítica, já que eu mesmo ouço várias bandas assim, muitas vezes eu mostro o som para amigos e quando comento que a banda foi  formada em uma igreja e os integrantes são Cristãos os amigos me dizem “Nossa, nem parece gospel”, e eu tenho me perguntado se isso é bom ou ruim. Por um lado a intenção era que realmente não parecesse Gospel, para não gerar um preconceito logo de cara, mas por outro, se esta música se confunde facilmente com tantas outras ditas seculares, qual seria o propósito? Ok, entendo que o dom de produzir arte foi dado por Deus de maneira ampla, não ficou restrito àqueles que creem em nEle, e que por isso a arte não precisa estar necessariamente voltada apenas para propósitos de adoração e/ou evangelização, mas então quando é que essas bandas conseguirão sair das sombras das igrejas?

Quando teremos representatividade artística ou cultural como Cristãos? Quando deixaremos de que a música de nossas liturgias seja apenas mais um mero mercado? Quando foi que reduzimos o significado de “adoração” a canções em Sol Maior feitas por crentes, para crentes, em um idioma que só os crentes entendem, tocadas apenas em igrejas? Precisa dizer que boa parte dessa produção sequer é bíblica? Precisa dizer que quando esta música sai das igrejas e vai para os programas de TV seculares, é apenas pelo fato destes veículos estarem de olho no Ibope dos evangélicos?

Precisamos de mais músicas Gospel?

O espaço está aberto para a discussão.

Fiquem na paz.

@marlosferreira