A canção de Jota Quest e a fé cristã

jota-questPor Herberty Freitas de Souza, via Ultimato Jovem.

Acordei hoje pensando em uma música que há algum tempo fez muito sucesso no Brasil, aliás é conhecida até hoje por muitos jovens e adolescentes, pois pertence a uma banda famosa chamada ´”Jota Quest”. Lembro-me que na época de colegial, tinha o costume de ouvir músicas dessa banda na escola com os amigos. Foram tempos bons! Enfim, o tempo passa, as coisas mudam, mas hoje essa música estava em minha cabeça. Segue um trecho da canção:

Dias melhores

“Vivemos esperando dias melhores. Dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás.

Vivemos esperando o dia em que seremos melhores. Melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo.”

Acredito que Rogério Flausino, compositor dessa música e líder da banda Jota Quest, não entendia que, quando escrevia esta letra retratava claramente o cotidiano de um cristão. Somos ensinados desde criança a vivermos pela fé. Ora o que e a fé? Segundo o versículo que esta na memória de todos os cristãos, “fé é a certeza de que haveremos de receber o que esperamos e a prova daquilo que não podemos ver.” (Hebreus 11.1). Se prestarmos atenção nesse versículo vamos entender que a fé é executada no futuro, nunca no presente ou no passado. Pedimos no presente, recebemos no futuro; mesmo que você receba o que pediu dois segundos após pedir, isso veio no futuro. Ou seja, sempre que usamos nossa fé estamos buscando algo que esta por vir. Se você ora pedindo a Deus sabedoria, acredita que isto esta por vir, se busca um milagre é porque você ainda não o tem naquele momento, mas espera que isso aconteça confiando em Deus e em sua palavra. Por isso, na carta aos Hebreus a tradução King James usa o termo “receber o que esperamos”, ou seja, aquilo que esta por vir.

A fé retrata nesta música é aquilo que o mundo espera ter, mas não sabe como. Mas nós, cristãos, temos a receita para viver dias melhores, pois isso nos foi prometido. É através da fé e da busca que podemos adquirir.

Ed René Kivitz em seu livro “Vivendo com propósitos” diz que, nós, cristãos vivemos em dois mundos: espiritual e terreno (embora muitos cristãos vivam apenas no terreno). Aquele que passa a entender e a viver no mundo espiritual, coloca o terreno em segundo plano, e adquiri exatamente o que está descrito nesta música. Ed René descreve fé da seguinte maneira em seu livro:

“O maior fator de distinção na maneira como as pessoas reagem à vida é a fé. A fé percebe uma presença, a presença de Deus. A fé invoca uma presença, a presença de Deus. A fé sabe que, por trás do cenário visível, das estatísticas e das probabilidades existe Alguém interagindo na situação: Deus. Os recursos humanos resultantes da fé são ainda um mistério para ciência. Quem é capaz de executar a fé vê mais longe, voa mais alto, chega mais adiante”.

Pela fé podemos viver na terra como diferencial, espalhando justamente os versos descritos nessa música.

1º Coríntios 13 fala sobre o amor que vem de Deus e no verso 14 Paulo escreve “O amor é paciente; o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, nem é arrogante” e no verso 13 finaliza “Sendo assim permanece até o momento Estes três: a fé, a esperança e o amor. Contudo, o maior deles é o amor.”

O mundo está carente de amor, e não sabe onde encontrá-lo. O sucesso desta música está justamente ao calhar com a necessidade da maioria das pessoas que vivem somente no mundo terreno. E cabe aqueles que vivem no mundo espiritual mostrarem a receita para se adquirir algo tão desejado e que nos foi presenteado de graça.

Você tem vivido dias de amor, dias de paz? Ou você ainda esta esperando esses dias chegarem. Não seja um expectador, enquanto você pode viver isso hoje, pois a paz de Cristo excede todo entendimento, e a fé é a chave para adquirirmos tudo o que para mundo é somente uma canção. No entanto para nós, é algo real, verdadeiro, que podemos viver hoje, amanhã, depois, até o dia que viveremos para sempre, dias eternamente melhores com nosso Senhor Jesus Cristo.

Tessalonicenses 2.19-20 diz: “Todavia, quando nosso Senhor Jesus retornar, quem será nossa esperança, alegria ou coroa de glória diante dele? Ora, não sois vós? Com toda certeza, vós sois a nossa glória e a nossa grande alegria!”.

Herberty Freitas de Souza tem 28 anos. Atualmente reside em Tulsa, Oklahoma onde estuda no Victory Bible College. Enquanto residia no Brasil, na área ministerial, trabalhava na liderança de jovens e servia como presbítero, ambas funções na Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

A Religião do Rico e a Religião do Pobre

Sempre gostei de Teorias da Conspiração. Imagino que no meio de um monte de ideias insanas e desacopladas da realidade, pode existir algo tão verdadeiro que é tomado como ficção. Alias, a realidade é a melhor obra de ficção que existe. Se toda a verdade fosse contada de maneira crua em um livro, este seria taxado como surreal.

E o ano de 2013 será aquele mais surreal na história brasileira. O ano que o povo acordou e foi as ruas. Fez sua voz ser ouvida, e depois voltou a dormir. Não acredito que ele esteja completamente adormecido, mas apenas em um sono latente, esperando um estopim. Alias analisou um irmão presbiteriano nos anos de 1960 em uma das melhores analises sobre nosso subdesenvolvimento e o papel do cristão na sociedade já produzido pela igreja brasileira: “Reverendo, estamos fazendo pic-nic em cima de um vulcão!”

2013 foi também o ano em que fui presenteado com um melhor entrosamento com alguns graduandos, pós-graduandos e professores do Instituto de Economia (IE) da Unicamp. Até me lembrei de algumas analises que o PT fazia na época do governo FHC. Nessa época o presidente sempre falava que eramos um pais em desenvolvimento, mas o PT como oposição afirmava e reafirmava: somos subdesenvolvidos. Quase 10 anos de PT, o mesmo afirma: somos desenvolvidos! Essa é a maior mentira que existe hoje. E essa proximidade com amigos do IE me fizeram entender como a elite brasileira trabalha para continuarmos nessa posição. Já dizia o profeta Renato Russo: somos escravos por educação. Ao fim de algumas palestras consegui entender como a industria que trabalho e luto para transformar foi destruída nos últimos 10 anos. Não devemos nos tornar gente grande, devemos continuar sendo bobinhos que dão lucros abusivos a empresas estrangeira, assim é na área de TI e em qualquer outra área.

Não imagine que é por incapacidade nossa que temos péssimos serviços. Eles são assim porque muita gente quis assim. Nossa elite já vendeu a alma a interesses externos para fazer os de fora ganhar muito dinheiro com nosso pouco trabalho. Não será nenhum governo democraticamente eleito que mudará isso, só o povo na rua. Não é por acaso que nossos bancos tem os maiores lucros do mundo. Nossa telefonia é a mais cara e a pior. Nossas passagens de avião as mais caras. ETC….

Não foi por acaso que a mídia, principalmente a Globo, patrocinou a total hostilidade a partidos políticos nas manifestações de junho. Sem partidos políticos, não há dialogo com governo. Não há representação. Ninguém poderia atender o chamado das ruas, somente um ditador. Talvez era isso que a nossa mídia queria. Um Batman….

Mas no decorrer desse ano fiquei com uma duvida na cabeça. Se nossa elite é tão expert em fazer o nosso povo escravo de si mesmo, como ela usa a nossa religião? Se esses pastores da TV são tão nocivos, porque não há um combate a eles?

A resposta me veio em letras garrafais, na tela do cinema. Ironicamente quando pensava nisso fui convidado para a estreia de um filme patrocinado em crowdfunding. Me foi informado que o filme era sobre espiritualidade contemporânea, não entendi o que isso significa, mas fui ver… Antes de continuar meus devaneios deixo o trailer do filme:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=jXPdonaB4Vo[/youtube]

O filme tenta construir uma ideia de Felicidade como algo interno. Algo que deve ser buscado por você, dentro de você e não depende de ninguém. Paz é você estar bem como você mesmo. você quem constrói, não precisa ter logica. Não precisa explicar o mundo. Não precisa ser coerente com o homem.

Tenho que ser honesto. O filme é bonito. Tem boas imagens. Se fosse mudo seria melhor! Nada contra as pessoas que dão os depoimentos, eles realmente tem sua fé e acreditam em alguma coisa. Mas a espiritualidade do filme reflete a espiritualidade das pessoas que deram o depoimentos?

Temos alguns nomes bem conhecido nosso: Marina Silva e Leonardo Boff. Ambos falam sobre felicidade no filme, ajudando a “construir” coletivamente a ideia de felicidade da sociedade atual. Mas se analisarmos o que ambos andam escrevendo recentemente nas mídias sociais vemos rapidamente que o que ambos entendem por felicidade não é condizente com o que o filme mostra de felicidade, alias a fala da Marina é cortada exatamente quando ela ia concluir seu pensamento.

Mas porque o filme quer construir definições de felicidade, paz e fé? Porque tantos recortes, tão curtos?

Repare que não existem pobres no filme. A pessoa mais “humilde” é uma senhora do interior do Pernambuco, mas observamos a qualidade de vida que ela tem, veremos que, se ela morasse em uma cidade grande, seria de classe média alta. Ninguém no filme é cansado e oprimido. Ninguém precisa ser aliviado. Em outras palavras: eles são refletem a realidade do povo brasileiro!

Esse filme foi desenvolvido para a elite brasileira com a nítida mensagem: sua vida é apenas sua, não se importe com os outros! O nome já diz tudo EU MAIOR! Desfrute o que você tem e viva sua vida, é tudo que lhe resta. Essa mensagem é linda, mas quando nos confrontamos com a noção de coletivo ela se torna egoísta! Foi exatamente o contrario do que fizemos em junho! Em junho quem foi as ruas não usava transporte coletivo. A classe média lutou por uma conquista das classes mais baixas. Pela primeira vez na história o brasileiro se importo por quem não era exatamente como ele.

Então, colaborando com meus ideias de desenvolver teorias conspirativas, elegi a visão desse filme como a visão que nossas elites querem para a religião do rico. Importe-se com SUA felicidade, SEUS bens, SUA família e SUA vida! A vida dos outros não é sua responsabilidade!

Você acha que vai ganhar dinheiro com fé! Isso eu faço.....

Você acha que vai ganhar dinheiro com fé! Isso eu faço…..

Nisso um grande horizonte se abriu para mim. Percebi que a TV nos mostra todo dia sobre a espiritualidade do pobre. Somos a cada momento bombardeado com mensagens que nos dizem que se não somos ricos é porque não tivemos fé! A fé neo-pentecostal em outras palavras diz isso. Sua fé trará suas riquezas, ou seja, se você não é rico é porque você não tem fé. Inveje a fé de quem tem dinheiro, pois foi a fé deles que deu-lhes riqueza.

Com isso volto ao começo, esses dois panoramas da fé do brasileiro no fundo teriam o intuito de manter a ordem social brasileira (Ordem e Progresso). Enquanto o pobre achar que sua pobreza é causada pela sua falta de fé, e o mais favorecido achar que deve ser feliz sem se importar com os mais humildes, viveremos nesse Brasil. Enquanto pensarmos assim, um outro Brasil não será possível.

A minha fé ainda é pautada nos profetas do antigo testamento que diziam: Não há paz sem justiça social!

Como o Mundo Te Vê?

Milhares de pessoas rodando todos os dias. Você já parou e tentou imaginar qual é a imagem que elas tem de você? Qual sua influência como Cristão no mundo? Será mesmo que as coisas lá fora estão tão boas como nos cultos que você frequenta todo final de semana?

Assista ao documentário “Como o Mundo Te Vê?” produzido por Ricardo Franzen.

Parte 1
[youtube]http://youtu.be/T4AebDHBB28[/youtube]

Parte 2
[youtube]http://youtu.be/C43GQlzmDaU[/youtube]

Quero falar de rock: sobre o ombro de gigantes (I)

Prelúdio

Os tempos estão mudando…  Eu não sei quando você nasceu, provavelmente quando eu era adolescente você era uma criança. Ou quem sabe nem havia nascido! Nasci na década perdida, vulgo anos 80. Dizem que foi perdida porque a economia brasileira retrocedeu. Foi como se não tivéssemos vivido 10 anos. Fico triste, não por ter nascido nessa época, mas por alguns acharem que os números da economia determinam o que vale ou não….

Mas tive minha adolescência nos anos 90!!!! Quem viveu essa época sabe que rock era uma religião. Não sabemos como havíamos chegado lá, mas tínhamos uma ideologia. Evangelizar o mundo para o rock’n’roll! Foram pessoas que viveram nesse contexto que criaram o dot, de onde surgiu o underdot, por isso acredito que vale a pena falar um pouco da ideologia rock (ou pelo menos sobre o que eu acreditava ser o rock).

Mas antes de falar do rock vamos falar de história… Prometo que no final dessa série de posts você verá que isso está relacionado com a sua história, com a história do século em que você nasceu e com a sua fé. Muito mais do que sua vã filosofia pode sonhar…!!!

Pra começar vou quebrar um paradigma que rondava a geração anos 90 do Brasil. Éramos influenciados pela geração anos 80 do rock brasileiro, acreditava que o rock era uma quebra de paradigma. Ttínhamos que romper com o passado! Será? Vou deixar uma amostra do que a segunda geração do rock fez. Muitos regravaram clássicos da musica raiz do seu pais. Nessa minha “amostra” deixo uma música do Leadbelly (1889-1949) e uma regravação do Bob Dylan. 98% das pessoas com quem converso, que entendem muito de rock, atribuiriam essa música a banda The Animals….  Vê-se que não é verdade!

Vou logo avisando que é provável que você goste apenas da versão do Bob Dylan, mas todos os créditos são desse negro, pobre, analfabeto e provavelmente desdentado!

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=2b0KQ6_Oek8[/youtube]

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=y5tOpyipNJs[/youtube]

Raizes

Antes de existir o rock, existiu o homem. E com o homem existiu a opressão. E em todo homem oprimido existe a revolta!

A história do rock é intimamente ligada ao sentimento de revolta existente no homem.

Vou apresentar aqui alguns nomes dessa história do rock. Os primeiros deles não pertencem ao rock, pertencem ao seu pai: o Blues. O rock é o filho ilegítimo de um outro estilo musical. O blues nasceu na África subsaariana e veio contra sua vontade para a América. Essa história não é exclusiva. Todos os nomes desse post pertencerão ao Blues, mas são mais influentes do que qualquer rockstar que já existiu….

Robert Johnson

Se há uma mitologia no rock, o Adão dela é esse cara. Se há ironia, ele foi o cara quem vendeu a alma ao diabo. Esse cara encarna toda a alma do rock do século XX. Nascido pobre, em uma região insignificante, sem habilidades. Fez de tudo para conseguir ser alguém (até vender a alma ao diabo). Viveu sem esperança uma vida que qualquer cristão condenaria… Morreu com 27 anos! Foi indiretamente o guitarrista mais influente do século XX. Ouça uma das 29 músicas dele, e verá muitas frases conhecidas.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=3MCHI23FTP8[/youtube]

Blind Willie Johnson

Quero economizar palavras. Vou apenas traduzir o vídeo do Why Music Matters sobre esse cara.

O cego Willie Johnson está entre os maiores guitarristas slide que existiram.

Nascido em 1887, ele construiu a sua primeira guitarra de caixa de charuto aos 5 anos e passou a maior parte da sua vida tocando em esquinas, por alguns trocados.

Sua voz era tão poderosa, que diz a lenda ele quase começou um motim por cantar.

Ele apenas gravou 30 músicas e teve uma existência humilde.

Em 1945, sua casa se transformou em cinzas, mas sem ter onde ir, ele dormiu nas ruínas e contraiu pneumonia… e acabou morrendo!

No entanto, suas gravações tornaram suas músicas extremamente influentes. Todos regravaram ou cantaram suas canções.

1977: A música “Escura era a noite, frio era o chão” foi enviada ao espaço na nave Voyager da NASA como exemplo da diversidade da vida e cultura na terra.

“Essa gravação representa nossa esperança, nossa determinação e nossa boa vontade no vasto e maravilhoso universo.” … declarou Jimmy Carter.

Em 2004 Blind Willie Johnson deixou nosso sistema solar. Sabe quem sua musica irá inspirar… E isso explica porque a música é importante!

Imagine alguém extremamente influente na música…. É certo que ele já tocou uma do Blind Willie Johnson!

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=dzd9Wa3WoTw[/youtube]

Extremamente religioso. Sua fé era a temática recorrente das suas músicas, mas não influenciou toda geração do rock cristão, apenas alguns ícones como Bob Dylan, Larry Norman e Johnny Cash! Talvez porque os músicos cristãos não estivesse interessados na história de um negro pobre e cego da região mais pobre dos Estados Unidos.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=5OO64Ay3cac[/youtube]

Dicas

O Brother, Where Art Thou?

Musical contando a história e as músicas dessa época. Altamente recomendável!!!

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=n9UlbxlM5nE[/youtube]

The Blues de Martin Scorsese

Documentário sobre a história do blues. Altamente recomendável os epsódios I (Fell like going home) e II (The soul of a man) que falam respectivamente sobre a origem e a religiosidade (protestante) dessa música.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=EzXXDhOQLVw[/youtube]

Depois de tudo…

Esse é o resumo de uma mensagem baseada no ultimo capitulo do evangelho de João

A Desilusão

Hoje é muito comum ouvirmos um evangelho triunfalista. Deixem eu desenvolver a ideia. Na maioria dos púlpitos não há lugar para lugar para a tristeza, a desilusão, a queda, o medo, a incerteza, a duvida, ou qualquer outro sentimento que nos tire a paz da consciência! Muitas vezes nos é passado como se o cristão fosse imune a todo e qualquer incerteza, como se a vida fosse apenas uma crescente.

O velho mar...

O velho mar…

Mas o Pedro dos primeiros versos (v. 3) desse texto demonstra o contrario. Ele resolve ir pescar!

Pescar. Essa pode ser uma atitude simples, mas não quando isso faz parte do seu passado. Havia uma missão dada aos discípulos (que depois seriam chamados apóstolos). Pedro estava voltando a sua vida pregressa. Como se tudo o que ocorreu nos anos anteriores não passasse de uma fase. Eu classificaria esse sentimento como desilusão. Seu mestre estava morto! Ele havia aparecido apenas duas vezes depois da morte, mas não falou nada concreto. O reino que Pedro tanto esperava não estava instaurado. Parecia que tudo continuaria igual a antes do mestre chamar.

Mas…

O mestre reaparece novamente! Exatamente do mesmo jeito que apareceu pela primeira vez. Ele prepara uma refeição. Traz um pouco da felicidade de volta. Mas na memoria de Pedro ainda estava o fracasso. Ainda lembrava da traição. Ele havia prometido que protegeria seu mestre de tudo. Mas Jesus havia sido morto. Pedro havia falhado. Pelo menos era isso que ele pensava.

Muitos gostam de focar nas três perguntas que Jesus faz a Pedro, diferenciar os amores, etc… Acredito que aqui Jesus tinha uma mensagem clara ao coração de Pedro. Pedro sempre prometia o maior dos amores a Jesus. Prometia a proteção. Mas aqui Jesus questiona o amor de Pedro, mas em momento algum ele exclui Pedro dos seus planos. “Pastoreie as minhas ovelhas”.

Quando eu era adolescente, naquela época em que queremos nos portar como adultos, uma senhora me deu um conselho que guardo até hoje. Ela falou que maturidade é ter a idade certa na hora certa. Hoje eu trocaria a palavra idade por atitude. E com isso veríamos a relação com a ultima fala de Jesus. Essa é o momento que Pedro poderia ter duvidas, mas também é momento de pastorear as ovelhas. Depois Pedro seria velho e não teria essa oportunidade.

Hoje temos varias oportunidades de fazer parte do plano de Deus. Seu reino está aí, não como queremos, mas como Deus quer. Nossas incertezas e duvidas servem para questionar como agimos, mas em momento algum o Reino para por nossa causa. É preciso que renovemos nossa mente, assim faremos parte do que Deus tem preparado!

Esperança e saudades…

Após essa conversa, Pedro pergunta sobre o que aconteceria com João.

João era o mais novo dos discípulos. O que mais acompanhou Jesus. E provavelmente deveria ser o único vivo enquanto escrevia esse livro. E esse é o sentimento que eu vejo nesses últimos versos. Saudades do tempo com Jesus. João havia relembrado dos momentos com o mestre e acreditava que veria ele antes da morte. João cria na volta do mestre, como nós devemos acreditar. Esse Reino ainda será pleno como sonhamos!

Jesus não voltou ainda! Mas ainda temos muitas ovelhas para pastorear…..