Møldar e Diego Marins

MøldarAs vezes ouvimos um álbum, gostamos, mas logo a demanda por outro álbuns lançados (ou pela simples falta de tempo) faz com que deixemos eles de lado.

Semana passado estava ouvindo Confessional do Diego Marins, quando um amigo pediu um depoimento de algumas linhas sobre o álbum da banda dele.

Depois de uma semana altamente corrida, sentei em casa, liguei o som e voltei a ouvir O Fim da Espera do Møldar. Já tinha ouvido o álbum, mas queria ouvir novamente.

Uma vez um critico falou que boas letras são feitas quando pessoas falam de coisas reais. E é assim que os caras da Møldar começam o álbum. Em uma boa música fala de um relacionamento cada vez mais distante, mas isso não tira o desejo de fazer esse relacionamento dar certo. Mesmo que doa. Mesmo que o chá esfrie. “A Mesa e a Distância” é uma ótima letra e uma ótima música.

Todas as outras letras apresentam situações da vida de um homem. Problemas, anseios, fé.

A outra letra que muito me marcou foi Espinhos Entre as Flores. Viagem. Som. Amor. O verso “Veja devagar, tem espinhos também” mostra que não é a voz de uma criança (como 99,9999% dos compositores teimam em ser, prometendo amores irreais). Não são versos soltos, pintam uma cena. Quase uma foto. Uma certa sinestesia.

O som também revela a idade dos compositores. Há um cheiro de rock alternativo anos 90. Ponto positivo!

Vale a pena conferir.

ConfessionalO outro álbum Confessional foi o ultimo (ou primeiro) lançamento do selo que o Eduardo Mano criou, o Velhas Verdades Discos. Voltado para discos com verdades bíblicas, e repudiando aquela baboseira de cultura gospel que usa a bíblia apenas para referencias esparsas, mas nega suas verdades com um mundanismo pungente.

No álbum, belas músicas. Belas letras. Algumas músicas lembram as melodias tipicas dos hinários cristãos. Musicas que você talvez não goste pelo tradicionalismo, mas não pode esquecer as verdades que estavam escritas ali. Talvez você veja um “Asa Branca” coroando o Folk e nos lembrando que nosso folk é o baião. O álbum segue bem a linha musical que o Eduardo Mano estava colocando nos seus álbuns, violões e boas melodias.

Vale a pena conferir. O álbum está gratuito aqui.

Quem venham mais trabalhos assim!!!!

Mumford & Sons e a arte de adorar sem “adorar”

Por Eduardo Mano

 

Capa do disco Babel

Os ortodoxos ficarão de cabelos em pé. Mas vamos lá.

Mumford & Sons se tornou minha banda favorita, junto ao Fleet Foxes, há uns dois anos atrás, com o lançamento do disco Sigh no More. Foi amor à primeira vista. Após dois anos (e mais de um ano de produção), eles lançarão, no dia 24 de setembro, seu mais novo disco, Babel. E aqui eu vou dizer algo que vai deixar alguns amigos meio #chateados comigo.

Este é um dos melhores discos do ano, e um dos melhores discos cristãos do ano.

Marcus Mumford, para quem não sabe, é filho dos líderes nacionais para o Reino Unido e Irlanda da igreja Vineyard. Cresceu, portanto, em um lar cristão. Isto fica óbvio em suas letras, que em alguns casos, não deixam dúvidas se estão sendo cantadas para Deus ou para a namorada (ao contrário de alguns cânticos made in Brasil).

Alguns exemplos de letras que deixam isto claro estão nas músicas “Awake my Soul”, do primeiro disco, Sigh no More (onde lemos “awake my soul, for you were made to meet your Maker” / “desperta, ó minh’alma, pois você foi feita para encontrar teu Criador”) e Whispers in the dark (onde ele canta, “sou um canalha, mas não sou perfeito / propus-me a servir ao Senhor), Below my Feet (“eu estava parado, estava sob seu feitiço quando Jesus me disse que tudo estava bem, então tudo deve estar bem”) e outras… há muitas referências, tanto diretas quanto indiretas.

Mas há uma música que me chamou a atenção. “I Will Wait”, Eu Esperarei, em português.

A letra em inglês você encontra neste link , e abaixo vou colocar a minha tradução interpretada da mesma. Não creio que esteja errada.

 

Eu Esperarei
E eu cheguei ao Lar, e pesado como uma pedra, cai em Teus braços. Estes dias de deserto pelos quais passamos serão levados por este novo sol.

Eu me ajoelharei, esperando este momento. Eu me ajoelharei, e saberei onde estou firmado.

E eu esperarei, eu esperarei por Ti. E eu esperarei, eu esperarei por Ti.

Então mude meus passos e tenha compaixão de mim; Você me perdoou, e eu não esquecerei disto. Sabes o que vimos, e com muito menos, de alguma forma, tiras todo o excesso.

E eu esperarei, eu esperarei por Ti. E eu esperarei, eu esperarei por Ti.

Então eu serei firme, e também forte, E usarei minha cabeça junto ao meu coração. Então toma a minha carne, e dá-me novos olhos, mantenha minha mente cativa e livre de mentiras.

Eu me ajoelharei, esperando este momento. Eu me ajoelharei, e saberei onde estou firmado.

Ergo minhas mãos, pinte meu espírito de ouro. Eu curvo minha cabeça, mantenha meu coração desacelerado.

Pois eu esperarei, eu esperarei por Ti. E eu esperarei, eu esperarei por Ti.

 

Traduzir uma canção é algo ingrato. Mas às vezes somos impactados por um senso de grandeza e profundidade que excede aquilo que consideramos comum e ordinário, e o próprio Deus vem e fala conosco. Muitas vezes ele fala na brisa suave da tarde, mas às vezes, sim, ele usa Tempestades. Esta música soou como uma tempestade para mim.

Quem me conhece sabe que não sou destes que procura espiritualidade em tudo, desde filmes a músicas do U2 e Coldplay, mas às vezes, o Espírito nos testifica que há algo para além de nossos olhos em algumas coisas, e isto é para a glorificação de Cristo, e não para a vaidade humana. E isto é adoração. Mas no caso do Mumford & Sons, é adoração sem ser adoração, ou o que a mídia fez dela.

Tu me perdoaste, e eu não esquecerei.” De fato Cristo, não esquecerei e nem desdenharei do que fizeste por mim.

 

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