Møldar e Diego Marins

MøldarAs vezes ouvimos um álbum, gostamos, mas logo a demanda por outro álbuns lançados (ou pela simples falta de tempo) faz com que deixemos eles de lado.

Semana passado estava ouvindo Confessional do Diego Marins, quando um amigo pediu um depoimento de algumas linhas sobre o álbum da banda dele.

Depois de uma semana altamente corrida, sentei em casa, liguei o som e voltei a ouvir O Fim da Espera do Møldar. Já tinha ouvido o álbum, mas queria ouvir novamente.

Uma vez um critico falou que boas letras são feitas quando pessoas falam de coisas reais. E é assim que os caras da Møldar começam o álbum. Em uma boa música fala de um relacionamento cada vez mais distante, mas isso não tira o desejo de fazer esse relacionamento dar certo. Mesmo que doa. Mesmo que o chá esfrie. “A Mesa e a Distância” é uma ótima letra e uma ótima música.

Todas as outras letras apresentam situações da vida de um homem. Problemas, anseios, fé.

A outra letra que muito me marcou foi Espinhos Entre as Flores. Viagem. Som. Amor. O verso “Veja devagar, tem espinhos também” mostra que não é a voz de uma criança (como 99,9999% dos compositores teimam em ser, prometendo amores irreais). Não são versos soltos, pintam uma cena. Quase uma foto. Uma certa sinestesia.

O som também revela a idade dos compositores. Há um cheiro de rock alternativo anos 90. Ponto positivo!

Vale a pena conferir.

ConfessionalO outro álbum Confessional foi o ultimo (ou primeiro) lançamento do selo que o Eduardo Mano criou, o Velhas Verdades Discos. Voltado para discos com verdades bíblicas, e repudiando aquela baboseira de cultura gospel que usa a bíblia apenas para referencias esparsas, mas nega suas verdades com um mundanismo pungente.

No álbum, belas músicas. Belas letras. Algumas músicas lembram as melodias tipicas dos hinários cristãos. Musicas que você talvez não goste pelo tradicionalismo, mas não pode esquecer as verdades que estavam escritas ali. Talvez você veja um “Asa Branca” coroando o Folk e nos lembrando que nosso folk é o baião. O álbum segue bem a linha musical que o Eduardo Mano estava colocando nos seus álbuns, violões e boas melodias.

Vale a pena conferir. O álbum está gratuito aqui.

Quem venham mais trabalhos assim!!!!

A Religião do Rico e a Religião do Pobre

Sempre gostei de Teorias da Conspiração. Imagino que no meio de um monte de ideias insanas e desacopladas da realidade, pode existir algo tão verdadeiro que é tomado como ficção. Alias, a realidade é a melhor obra de ficção que existe. Se toda a verdade fosse contada de maneira crua em um livro, este seria taxado como surreal.

E o ano de 2013 será aquele mais surreal na história brasileira. O ano que o povo acordou e foi as ruas. Fez sua voz ser ouvida, e depois voltou a dormir. Não acredito que ele esteja completamente adormecido, mas apenas em um sono latente, esperando um estopim. Alias analisou um irmão presbiteriano nos anos de 1960 em uma das melhores analises sobre nosso subdesenvolvimento e o papel do cristão na sociedade já produzido pela igreja brasileira: “Reverendo, estamos fazendo pic-nic em cima de um vulcão!”

2013 foi também o ano em que fui presenteado com um melhor entrosamento com alguns graduandos, pós-graduandos e professores do Instituto de Economia (IE) da Unicamp. Até me lembrei de algumas analises que o PT fazia na época do governo FHC. Nessa época o presidente sempre falava que eramos um pais em desenvolvimento, mas o PT como oposição afirmava e reafirmava: somos subdesenvolvidos. Quase 10 anos de PT, o mesmo afirma: somos desenvolvidos! Essa é a maior mentira que existe hoje. E essa proximidade com amigos do IE me fizeram entender como a elite brasileira trabalha para continuarmos nessa posição. Já dizia o profeta Renato Russo: somos escravos por educação. Ao fim de algumas palestras consegui entender como a industria que trabalho e luto para transformar foi destruída nos últimos 10 anos. Não devemos nos tornar gente grande, devemos continuar sendo bobinhos que dão lucros abusivos a empresas estrangeira, assim é na área de TI e em qualquer outra área.

Não imagine que é por incapacidade nossa que temos péssimos serviços. Eles são assim porque muita gente quis assim. Nossa elite já vendeu a alma a interesses externos para fazer os de fora ganhar muito dinheiro com nosso pouco trabalho. Não será nenhum governo democraticamente eleito que mudará isso, só o povo na rua. Não é por acaso que nossos bancos tem os maiores lucros do mundo. Nossa telefonia é a mais cara e a pior. Nossas passagens de avião as mais caras. ETC….

Não foi por acaso que a mídia, principalmente a Globo, patrocinou a total hostilidade a partidos políticos nas manifestações de junho. Sem partidos políticos, não há dialogo com governo. Não há representação. Ninguém poderia atender o chamado das ruas, somente um ditador. Talvez era isso que a nossa mídia queria. Um Batman….

Mas no decorrer desse ano fiquei com uma duvida na cabeça. Se nossa elite é tão expert em fazer o nosso povo escravo de si mesmo, como ela usa a nossa religião? Se esses pastores da TV são tão nocivos, porque não há um combate a eles?

A resposta me veio em letras garrafais, na tela do cinema. Ironicamente quando pensava nisso fui convidado para a estreia de um filme patrocinado em crowdfunding. Me foi informado que o filme era sobre espiritualidade contemporânea, não entendi o que isso significa, mas fui ver… Antes de continuar meus devaneios deixo o trailer do filme:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=jXPdonaB4Vo[/youtube]

O filme tenta construir uma ideia de Felicidade como algo interno. Algo que deve ser buscado por você, dentro de você e não depende de ninguém. Paz é você estar bem como você mesmo. você quem constrói, não precisa ter logica. Não precisa explicar o mundo. Não precisa ser coerente com o homem.

Tenho que ser honesto. O filme é bonito. Tem boas imagens. Se fosse mudo seria melhor! Nada contra as pessoas que dão os depoimentos, eles realmente tem sua fé e acreditam em alguma coisa. Mas a espiritualidade do filme reflete a espiritualidade das pessoas que deram o depoimentos?

Temos alguns nomes bem conhecido nosso: Marina Silva e Leonardo Boff. Ambos falam sobre felicidade no filme, ajudando a “construir” coletivamente a ideia de felicidade da sociedade atual. Mas se analisarmos o que ambos andam escrevendo recentemente nas mídias sociais vemos rapidamente que o que ambos entendem por felicidade não é condizente com o que o filme mostra de felicidade, alias a fala da Marina é cortada exatamente quando ela ia concluir seu pensamento.

Mas porque o filme quer construir definições de felicidade, paz e fé? Porque tantos recortes, tão curtos?

Repare que não existem pobres no filme. A pessoa mais “humilde” é uma senhora do interior do Pernambuco, mas observamos a qualidade de vida que ela tem, veremos que, se ela morasse em uma cidade grande, seria de classe média alta. Ninguém no filme é cansado e oprimido. Ninguém precisa ser aliviado. Em outras palavras: eles são refletem a realidade do povo brasileiro!

Esse filme foi desenvolvido para a elite brasileira com a nítida mensagem: sua vida é apenas sua, não se importe com os outros! O nome já diz tudo EU MAIOR! Desfrute o que você tem e viva sua vida, é tudo que lhe resta. Essa mensagem é linda, mas quando nos confrontamos com a noção de coletivo ela se torna egoísta! Foi exatamente o contrario do que fizemos em junho! Em junho quem foi as ruas não usava transporte coletivo. A classe média lutou por uma conquista das classes mais baixas. Pela primeira vez na história o brasileiro se importo por quem não era exatamente como ele.

Então, colaborando com meus ideias de desenvolver teorias conspirativas, elegi a visão desse filme como a visão que nossas elites querem para a religião do rico. Importe-se com SUA felicidade, SEUS bens, SUA família e SUA vida! A vida dos outros não é sua responsabilidade!

Você acha que vai ganhar dinheiro com fé! Isso eu faço.....

Você acha que vai ganhar dinheiro com fé! Isso eu faço…..

Nisso um grande horizonte se abriu para mim. Percebi que a TV nos mostra todo dia sobre a espiritualidade do pobre. Somos a cada momento bombardeado com mensagens que nos dizem que se não somos ricos é porque não tivemos fé! A fé neo-pentecostal em outras palavras diz isso. Sua fé trará suas riquezas, ou seja, se você não é rico é porque você não tem fé. Inveje a fé de quem tem dinheiro, pois foi a fé deles que deu-lhes riqueza.

Com isso volto ao começo, esses dois panoramas da fé do brasileiro no fundo teriam o intuito de manter a ordem social brasileira (Ordem e Progresso). Enquanto o pobre achar que sua pobreza é causada pela sua falta de fé, e o mais favorecido achar que deve ser feliz sem se importar com os mais humildes, viveremos nesse Brasil. Enquanto pensarmos assim, um outro Brasil não será possível.

A minha fé ainda é pautada nos profetas do antigo testamento que diziam: Não há paz sem justiça social!

Homem 2.0

Talvez esse é o ano que eu mais tenho visto o nome Deus e Família nos noticiários. Até cansou esse papo de Religião vs Politica, Religião vs Direitos Humanos e Religião vs Ciência. Tentar entender essa guerra é uma tarefa difícil. Quem sabe caiba pra um dos 12 trabalhos de Hércules! Acredito que um dos lados dessa guerra ia adorar que um deus grego resolvesse essa parada, porque eles são avessos apenas às religiões monoteístas surgidas no oriente médio. Porque tanto ódio quanto essas religiões e uma certa idolatria ao “paganismo” europeu ou aos cultos afros? Essa resposta não tenho! Talvez C. S. Lewis….

“Espanta-me que você ainda me pergunte se é mesmo essencial manter o paciente na ignorância quanto à nossa existência. (…) Nossa política, no momento atual, é de nos mantermos ocultos. (…) Tenho grande esperança de que, no devido tempo, aprenderemos como tornar a ciência dos homens emocional e mítica a ponto de passarem a desconfiar daquilo que na verdade é a crença em nossa existência (embora não sob esse nome) ao mesmo tempo em que suas mentes se mantêm fechadas para o Inimigo. A “Força da Vida”, a veneração do sexo e outros aspectos da Psicanálise podem ser bastante úteis nesse sentido. Se pudermos produzir nossa obra perfeita – o Mago Materialista, o homem que não apenas utiliza, mas que na verdade venera aquilo a que dá o nome de “Forças” ao mesmo tempo em que nega a existência de “espíritos” – . então saberemos que a batalha chegará ao fim.”

Cartas de um Diabo a seu aprendiz

Mas quero abordar outro ponto, porque tanto ódio dos “mais letrados” à religião?

Tudo isso começa em uma ideia surgida a uns 150 anos, a ideia que estamos evoluindo….

Antes de continuar meu argumento, preciso colocar uns pingos em uns is. Acredito na evolução. Acredito que na minha genética tenho antepassados que são os mesmo antepassados de um orangotango. Isso não entra em nenhum conflito com minha fé cristã protestante reformada! E não é esse ponto que quero discutir!

A grande questão é o tempo verbal: evoluímos ou estamos evoluindo?

O “estamos evoluindo” é o pressuposto comum entre quase todos acadêmicos materialistas do Brasil. O homem está passando de uma versão 1.0 para uma 2.0. Isso gera os atritos, as discussões, o ódio ao que significa ser o homem 1.0.

[tube]http://www.youtube.com/watch?v=aDaOgu2CQtI[/tube]

Mas o que seria esse homem 1.0?

Muitos defendem que o homem precisa tirar a roupa do velho homem: a religião, o misticismo, o ódio, o pre-conceito, etc… Acredito que nem esses próprios (homens evoluídos) sabem direito o que isso significa. Só sabem de uma coisa, precisamos aposentar o discurso conservador e tomar uma atitude mais progressista. É muito interessante observar as palavras que são usadas. Qualquer indicio de uma cosmovisão cristã significa ser conservador. Qualquer indicio de abolir coisas como certo-errado, ou a ideia de pecado, significa ser progressista. Fico me questionando: progresso de que? Significa que estamos trilhando um caminho?

A outra ideia é a que evoluímos. Nossa genética foi forjada como primata. Somos primatas. Mamamos, temos pelos (alguns muitos e outros poucos), temos necessidades fisiológicas, somos animais! Mas há algo que nos difere dos outros…

Definir o que é isso acredito que nenhuma ciência humana vai saber a resposta. Para um mero materialista, somos feitos da mesma coisa que um cachorro morto… isso explica porque damos mais valor aos animais do que à homens que não conhecemos.

Segundo a teologia cristã, há uma definição clara e pontual: imagem e semelhança de Deus. Isso nos difere de todos os outros animais (então não pense que você pode sair matando eles, a primeira ordem de Deus foi para você cuidar do jardim d’Ele!).

Então fico pensando com meus botões que sim, evoluímos e nossa genética continua evoluído. Vamos vencer a AIDS, câncer, diabetes, e outras doenças. Se não fizermos isso com um improve no nosso sistema imunológico, vamos criar drogas para isso. Mas isso todos os animais estão fazendo…. Em relação ao que nos difere dos outros animais, estamos ainda no Gênesis 3: a queda do homem!

Sempre fomos assim, sempre tivemos ódio, sempre tivemos diferenças sociais, sempre oprimimos outros homens. Sempre… Devemos assumir de quem é a culpa de todos os males que há na terra. Não é do Sistema Capitalista, um sistema não massacra o homem, homens massacram homens. A culpa não é da Religião, a religião não oprime o homem, homens oprimem homens. A culpa não é da politica, a politica não corrompe o homem, o homem corrompe a si mesmo. A culpa não é do dinheiro…. Como diria Homer Simpson, “a culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser”! Quer ler mais sobre essa ideia que sempre fomos o que somos, leia “O Homem Eterno” de G. K. Chesterton.

E aonde eu quero chegar com esse texto?

Minha geração tinha um sonho: mudar o mundo! Esse sonho é bobo! Nunca conseguiremos isso… Eu realmente acreditei nisso, mas agora vejo impossível. Já tinha desaprendido a sonhar, quando me voltei ao cristianismo. Achava que a caminhada cristã era esperar o céu, vivendo mediocremente na terra. Felizmente eu estava redondamente enganado!

A ideia de céu é uma coisa que só alcançamos quando deixamos a terra é uma ideia grega. Um judeu do primeiro seculo não era dicotomista, ele acreditava em um céu que vinha até a terra. Quem sabe um Reino, ou uma Cidade preparada desde o principio (Ap 21).

Depois refletindo, vi que nosso dito mestre foi embora e nos deixou uma ordem clara: vocês são meu reino! Esse reino já está implantado, e vocês tem que expandi-lo até a volta do Rei. E quando esse Rei voltar, o Reino será pleno!

Hoje eu estava pensando nisso, em quando minha geração perdeu esse sonho de mudar o mundo….

“Ele ganhou dinheiro
Ele assinou contratos
E comprou um terno
Trocou o carro
E desaprendeu
A caminhar no céu
E foi o princípio do fim”

Os Paralamas do Sucesso

[tube]http://www.youtube.com/watch?v=9JvSfIDNb4Y[/tube]

Cristianismo for Dummies: O Livro

Cristão eram chamados muitos anos atras (não lembro se na idade média pelos povos árabes) de o homem do livro. Sempre estava lendo e consultando um livro. Esse livro é a bíblia. Ainda hoje a bíblia continua a ser a regra de fé e pratica de todos os cristãos.

Mas se uma religião assim, tão divergente internamente, segue um livro só… Como se explica tanta divergência? Seria esse livro tão genérico que cada um interpreta como quiser? Os fundamentalistas que aparecem na TV seguem mesmo esse livro a risca? E os progressistas? Como eles leem esse livro?

Definições

Antes de qualquer discussões, quero definir aqui alguns grupos e como eles leem o livro:

  1. Ortodoxos: Na verdade ortodoxia significa leitura correta. Todos acreditam que são ortodoxos, mas levaremos em consideração O Livro. Então na nossa definição, ortodoxos são aqueles em que o livro é lido por inteiro. Não há textos fora de contextos, para cada conclusão, por mais simples que seja, teria que fazer algumas perguntas ao texto: Era isso que o autor queria dizer? O livro em questão me autoriza, a partir do contexto, a fazer essa conclusão? Há algum ensinamento em todo o Livro que me desautoriza essa conclusão? Feita essas três perguntas, a conclusão pode ser tomada… Seja ela qual for!
  2. Tradicionalistas: São bem parecidos com os Ortodoxos, mas antes de qualquer conclusão eles consultam a tradição. Frase que ouvi de um tradicionalista: “Eu tenho a mesma fé que meus pais tinham”.
  3. Fundamentalistas: São muito parecidos com os tradicionalistas, porém não são abertos ao debate. Se você está discordando de mim, você é uma ameaça para mim e a minha fé!
  4. Pentecostais: O Livro é uma ferramenta para o Espirito Santo me revelar a verdade.
  5. Liberais: O que é a verdade? O Livro contém a verdade… Mas ele não é a verdade. A verdade tem que ser extraída dele, filtrando as partes que acredito que não sejam a verdade.

Essas definições são próprias, podem ser que se pareçam com algumas utilizadas na academia, mas mesmo assim, como a palavra Ortodoxia significa doutrina correta, todos se afirmariam ortodoxos.

Essas  definições não são equivalentes as definições denominacionais! Um pentecostal pode ser liberal, como um Anglicano pode ser Ortodoxo. Um Batista pode ser Pentecostal, como  um Presbiteriano pode ser Fundamentalista.

A frase comum

Já é comum ouvirmos a comum frase: “você não pode levar esse livro ao pé da letra”. Seria essa frase correta?

Liberais

Se formos analisar do ponto de vista dos Liberais, eles já não levam ao pé da letra. Porque como letra não tem pé, eu decido que pé não existe em letra e logo essa frase não é verdadeira, seriam melhor extrai-la do texto! Um exemplo bastante comum de um liberal é um cara chamado Rob Bell. Ele escreveu um livro afirmando nos primeiros capítulos que não podemos construir argumentos baseados na bíblia, pois a mesma não é coerente… Então ele construiu uma “nova” (na verdade já velha) teologia, usando o livro que ele afirmava não poder ser usado para construir argumentos, para explicar que não há inferno e que todos seriamos salvos (isso é, se houver pós-vida)!

Estaria ele correto?

Acredito que não! Vamos analisar qual foi a falhar argumentativa dele! Primeiro para “provar” que a bíblia não era coerente, ele apresentou vários texto em paralelo, mas esses textos estavam fora de contexto. Ou seja, é como se eu pegasse duas frases e colocassem uma ao lado da outra, mas ignorasse aonde ela estava sendo dita! Muitos desses textos tinham contextos completamente divergentes. Ele ainda não foi honesto com a origem do texto, apresentou alguns textos como poesia que não eram poéticos, separando em versos frases que não deviam ser separadas. Assim podemos criar, com um texto apenas, inúmeros sentidos conflitantes.

Pentencostais

Muitos anos atras aconteceu um crime! A bíblia foi dividida em versos!!!! Provavelmente foi na época de Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg. A intenção era apenas poder localizar facilmente um texto… Mas como toda invenção era facilmente utilizada para outro fim, acabou dando vida própria a cada verso! Assim a bíblia, que antes era formada de mais de 60 livros (há variações dependendo da tradição) passou a ser formada por milhares de versos.

Para os pentecostais quem é a autoridade máxima é o Espirito Santo. Mas quem certifica se a pessoa tem ou não o Espirito Santo? Essa é a grande questão. Todos os cristão (com exceção de alguns liberais) acreditam no Espirito Santo, mas eles divergem sobre como ele age e qual a sua finalidade. E o Espirito Santo revela o significado dos textos de acordo com a sua vontade!

Mas e se o significa for de encontro com o livro diz? Isso é possível? Muitos pentecostais preferem ficar com o que o “Espirito Santo” revelou, do que com a explicação de algum “irmão”.

Um texto que nos mostra perfeitamente o que é isso é o verso de Filipenses 4:13 “Tudo posso naquele que me fortalece”. Se eu te apresentar esse texto solto, você entenderá o que? Muitos acreditam que podem milagres! Que as portas do céus vão se mover de acordo com a sua vontade! Que nada é impossível para o cristão!!!!

Eu mesmo já acreditei nisso, devo confessar! Mas o que o autor dessa carta queria dizer para os leitores dela?

Se lermos os versos anteriores, vemos Paulo descrevendo as tribulações que passou na vida:

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” Filipenses 4:12

Dentro do livro, é impossível retirar outro significado do “tudo posso” que não seja: “posso aguentar qualquer tranco”. Aqui não há vitorias, mas significa que o autor podia aguentar qualquer derrota, pois ele era contente com quem dava alegria para ele!

Um amigo me alertou que a nova safra de pentecostais não leem a bíblia, apenas decoram textos falados por seus lideres. Esses vamos colocar na categoria manada!

É bastante comum, um pentecostal, ler um texto inteiro e retirar uma reflexão de apenas um verso.

Infelizmente, depois de muito tempo com pentecostalismo e puritanismo, para os versos mais conhecidos do Livro temos reflexões já prontas em nossos subconsciente que não equivalem ao que está escrito no livro como um todo. Somos treinados a ler esses textos com uma lente que na verdade não é a lente que o autor usava quando escreveu.

Fundamentalistas

Há bem claro dois tidos de fundamentalistas. Um que é extremistas na ideia. E outro que não quer mudar de ideia. Se chamarmos o Marco Feliciano de fundamentalistas, estamos atacando o segundo tipo, pois esse não lê os textos segundo as tradições. Ele lê como um pentecostal, e não dialogo por uma agenda própria.

O fundamentalista clássico lê os textos com as lentes dos pais deles, mesmo que existam evidências que esses textos tenham outras interpretações.

Essas leituras são bastante comuns no gênesis. E eles são os que ainda mantém o mito da criação, onde Deus é um magico que tirou o mundo da cartola, como estava antes de Darwin.

Há também outro ponto de discordância no mundo atual. Vemos nos Estados Unidos, qualquer intelectual cristão que tenha ideias que eles consideram esquerdistas são logo considerados hereges e excluídos do meio.

Esses fundamentalistas são os que defendem a escravidão como bíblica. Ou seja, se você ver alguém realmente dizendo que a bíblia defendia a escravidão, pergunte-se se o texto que a pessoa usa realmente dizia isso?

Tradicionalistas

Esses tem valores bem parecidos com os Fundamentalistas, mas eles suporta (a uma certa distancia) pensamentos divergentes. Uma coisa que vemos bem nos tradicionalistas é a defesa da liturgia.

O culto é como deveria ser. Ninguém pode questionar o culto! Muitos deles não se perguntam como os cristão do primeiro seculo (já que nessa época os apóstolos ainda eram vivos) cultuavam. A maneira correta é como cultuamos hoje!

Será mesmo?

Se formos pensar bem, no primeiro seculo não havia essa ordem litúrgica que há hoje. Não havia essa idolatração da música como unica forma de adoração. Ceia era um jantar comum. O vinho da ceia tinha álcool e era o suficiente para alguns ficarem embriagados. A ceia era um festa, e não um rito fúnebre… Ou seja, havia uma outra cultura cristã que hoje seria considerada ofensiva para quase todas as categorias de cristãos!!!

Ortodoxos

Aqui muitos vão me apedrejar! Quem possui a doutrina correta? Há verdade?

Se considerarmos que o Livro tem a verdade, vemos que há doutrina correta. E que ela não é defendida por nenhuma denominação dos dias de hoje!

Devo esclarecer que Ortodoxia não é um grupo, ou uma doutrina. Mas um padrão que considero inalcançável (mas que deve ser perseguido) nos dias de hoje. Ela só seria real, se conseguirmos (e com certeza não conseguiremos) extinguir o pecado de nossas vidas!

Nas cartas de Paulo, ele manda as mulheres de Corintos não falar em publico, para não se assemelhar as prostitutas da cidade. Mas ele envia uma carta à uma mulher em outra cidade, que seu marido era submisso a ela!

“Saudações a Priscila e ao seu marido Áquila e também à família de Onesíforo.” II Timóteo 4:19

Como podemos defender a ideia de submissão feminina com um trecho como esse? Em nenhum outro ponto Paulo repreende Priscila por ela “inverter a ordem”.

Os cristãos são comumente taxados de serem contras direitos trabalhistas e de reformas estruturais no sistema capitalistas. Mas se formos ler as leis do antigo testamento, vemos perdão de dividas, reforma agraria, obrigatoriedade do cuidado com o mais humilde. E nenhum desses são ideais comuns em nossos meios eclesiásticos!

Pequenos Cristos

Cristão foi uma denominação dada aos judeus que seguiam Jesus Cristo, e significa pequenos Cristos. Então, se formos pensar bem, um cristão deveria agir de forma semelhante a quem ele consideram o Mestre. E isso está especificado no Livro.

Termino com um vídeo do Pondé….

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=zh4gpxMjMic[/youtube]

E fica a questão: No que ele incomodaria hoje? Acredito que ele incomodaria todos as classes. E só seriam considerados Ortodoxos uns poucos cristãos, que hoje em dia seriam considerados loucos!

Depois de tudo…

Esse é o resumo de uma mensagem baseada no ultimo capitulo do evangelho de João

A Desilusão

Hoje é muito comum ouvirmos um evangelho triunfalista. Deixem eu desenvolver a ideia. Na maioria dos púlpitos não há lugar para lugar para a tristeza, a desilusão, a queda, o medo, a incerteza, a duvida, ou qualquer outro sentimento que nos tire a paz da consciência! Muitas vezes nos é passado como se o cristão fosse imune a todo e qualquer incerteza, como se a vida fosse apenas uma crescente.

O velho mar...

O velho mar…

Mas o Pedro dos primeiros versos (v. 3) desse texto demonstra o contrario. Ele resolve ir pescar!

Pescar. Essa pode ser uma atitude simples, mas não quando isso faz parte do seu passado. Havia uma missão dada aos discípulos (que depois seriam chamados apóstolos). Pedro estava voltando a sua vida pregressa. Como se tudo o que ocorreu nos anos anteriores não passasse de uma fase. Eu classificaria esse sentimento como desilusão. Seu mestre estava morto! Ele havia aparecido apenas duas vezes depois da morte, mas não falou nada concreto. O reino que Pedro tanto esperava não estava instaurado. Parecia que tudo continuaria igual a antes do mestre chamar.

Mas…

O mestre reaparece novamente! Exatamente do mesmo jeito que apareceu pela primeira vez. Ele prepara uma refeição. Traz um pouco da felicidade de volta. Mas na memoria de Pedro ainda estava o fracasso. Ainda lembrava da traição. Ele havia prometido que protegeria seu mestre de tudo. Mas Jesus havia sido morto. Pedro havia falhado. Pelo menos era isso que ele pensava.

Muitos gostam de focar nas três perguntas que Jesus faz a Pedro, diferenciar os amores, etc… Acredito que aqui Jesus tinha uma mensagem clara ao coração de Pedro. Pedro sempre prometia o maior dos amores a Jesus. Prometia a proteção. Mas aqui Jesus questiona o amor de Pedro, mas em momento algum ele exclui Pedro dos seus planos. “Pastoreie as minhas ovelhas”.

Quando eu era adolescente, naquela época em que queremos nos portar como adultos, uma senhora me deu um conselho que guardo até hoje. Ela falou que maturidade é ter a idade certa na hora certa. Hoje eu trocaria a palavra idade por atitude. E com isso veríamos a relação com a ultima fala de Jesus. Essa é o momento que Pedro poderia ter duvidas, mas também é momento de pastorear as ovelhas. Depois Pedro seria velho e não teria essa oportunidade.

Hoje temos varias oportunidades de fazer parte do plano de Deus. Seu reino está aí, não como queremos, mas como Deus quer. Nossas incertezas e duvidas servem para questionar como agimos, mas em momento algum o Reino para por nossa causa. É preciso que renovemos nossa mente, assim faremos parte do que Deus tem preparado!

Esperança e saudades…

Após essa conversa, Pedro pergunta sobre o que aconteceria com João.

João era o mais novo dos discípulos. O que mais acompanhou Jesus. E provavelmente deveria ser o único vivo enquanto escrevia esse livro. E esse é o sentimento que eu vejo nesses últimos versos. Saudades do tempo com Jesus. João havia relembrado dos momentos com o mestre e acreditava que veria ele antes da morte. João cria na volta do mestre, como nós devemos acreditar. Esse Reino ainda será pleno como sonhamos!

Jesus não voltou ainda! Mas ainda temos muitas ovelhas para pastorear…..

Eu acredito em heresias!

Quem sabe esses churrasquinhos medievais não fossem apenas alguns caras que estivessem tendo boas ideias em momentos errados...

Preste atenção no que eu escrevi acima. Provavelmente você fez algum julgamento que não condiz com aquilo que eu quis dizer. Acredito que com ela perdi metade dos leitores. Alguns desistiram porque julgaram que eu acredito nas heresias. Outros desistiram porque simplesmente não acham nada errado, tudo é lindo e eu sigo aquilo que me faz feliz.

Mas qual era a intenção da frase? Chocar! As vezes a melhor forma de trazer a verdade é chocando.

Mas voltando a frase. Eu não acredito nas heresias, mas sim que elas existem. E esse é o que me move assumir a sessão sobre “Cristianismo” do www.underdot.com.br.

Calma! Eu não quero assumir o bastão da verdade e sair por aí pregando que todo mundo está errado. Só quero abrir o canal pra quem quiser falar.

Certo, esse é o canal aberto? Totalmente aberto? Claro que não!!! Eu já falei que acredito em heresias. Acho bom eu definir o que vou considerar heresias aqui.

Para alguns heresia é tudo aquilo que desvia da verdade bíblica. Bom, eu penso assim, mas não ensinaria isso nunca. Pessoas pensam diferentes, e podem acreditar em verdades diferentes se os pressupostos deles são diferentes. Por exemplos, porque os padres católicos estão se lixando em corrigir os erros doutrinários dos seguidores deles? Porque eles acreditam que TODOS estão salvos, então não importa o que você acredita, para eles, você é um católico e você estará no céu dos católicos com eles. Entende a sutileza de uma ideia pode desencadear profundos abismos entre grupos?

Mas voltando as heresias! Então o que vou considerar heresias? A falta de caráter com o cristianismo!

Die Religion … Sie ist das Opium des Volkes.

Aê! Toh certo ou num toh?

Ainda bem que você não entendeu a frase anterior. Talvez você não concorde com ela. Se você não concordar, já sei um pressuposto seu: você acha tudo lindo! A frase é de atribuída a Marx, “A religião … É o ópio do povo”. Todo homem tem essa necessidade inócua de se reconectar com Deus. Alguns homens percebem isso e criam meios para que essa necessidade dos outros seja benéfico a eles.

Vamos lá, sua cabeça capitalista ocidental do século XX (ei, acorda já estamos no século XXI!!!) já pensou que usar a religião em beneficio próprio é ganhar dinheiro? Nem sempre… Alguns ainda tem a cabeça do século XIV, onde a instituição estava acima de tudo. Ou do século XIX onde a verdade estava acima de tudo. Exercite sua mente, tente pensar de acordo com as varias formas de pensar do homem durante a história. Vamos! Faça esse exercício, talvez você se surpreenda descobrindo que o homem iluminista se parece muito mais interessante que o homem moderno, e você sabe que o homem moderno não é o mais moderno? Mas qual era mente do homem da bíblia? Você sabia que o homem do primeiro século tinha a mente muito mais aberta que a nossa? Eles sabiam, com muito mais propriedade que nós, o que eram diferenças culturais. Mas porque eu estou falando isso? Simples, quero apenas te convencer que não vou defender com unhas e dentes que a verdade está do meu lado. E não quero abrir esse canal para pessoas que querem convencer os outros pela força de uma repetição ou de uma emoção.

Te segura Dá Vinte! Um dia eu chego aí....

O homem do século I era racional, acho que de vez em quando precisamos voltar a ser racionais. Eles acreditavam em heresias! Pensa comigo, Jesus não ficou bravo e tentou convencer a mulher samaritana (povo que segundo os judeus eram completamente heréticos) que a verdade estava com ele. Mas com os mercadores do templo… ah, com eles, ele apenas usou o chicote e a força!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=_CtauEYrdWk]