Møldar e Diego Marins

MøldarAs vezes ouvimos um álbum, gostamos, mas logo a demanda por outro álbuns lançados (ou pela simples falta de tempo) faz com que deixemos eles de lado.

Semana passado estava ouvindo Confessional do Diego Marins, quando um amigo pediu um depoimento de algumas linhas sobre o álbum da banda dele.

Depois de uma semana altamente corrida, sentei em casa, liguei o som e voltei a ouvir O Fim da Espera do Møldar. Já tinha ouvido o álbum, mas queria ouvir novamente.

Uma vez um critico falou que boas letras são feitas quando pessoas falam de coisas reais. E é assim que os caras da Møldar começam o álbum. Em uma boa música fala de um relacionamento cada vez mais distante, mas isso não tira o desejo de fazer esse relacionamento dar certo. Mesmo que doa. Mesmo que o chá esfrie. “A Mesa e a Distância” é uma ótima letra e uma ótima música.

Todas as outras letras apresentam situações da vida de um homem. Problemas, anseios, fé.

A outra letra que muito me marcou foi Espinhos Entre as Flores. Viagem. Som. Amor. O verso “Veja devagar, tem espinhos também” mostra que não é a voz de uma criança (como 99,9999% dos compositores teimam em ser, prometendo amores irreais). Não são versos soltos, pintam uma cena. Quase uma foto. Uma certa sinestesia.

O som também revela a idade dos compositores. Há um cheiro de rock alternativo anos 90. Ponto positivo!

Vale a pena conferir.

ConfessionalO outro álbum Confessional foi o ultimo (ou primeiro) lançamento do selo que o Eduardo Mano criou, o Velhas Verdades Discos. Voltado para discos com verdades bíblicas, e repudiando aquela baboseira de cultura gospel que usa a bíblia apenas para referencias esparsas, mas nega suas verdades com um mundanismo pungente.

No álbum, belas músicas. Belas letras. Algumas músicas lembram as melodias tipicas dos hinários cristãos. Musicas que você talvez não goste pelo tradicionalismo, mas não pode esquecer as verdades que estavam escritas ali. Talvez você veja um “Asa Branca” coroando o Folk e nos lembrando que nosso folk é o baião. O álbum segue bem a linha musical que o Eduardo Mano estava colocando nos seus álbuns, violões e boas melodias.

Vale a pena conferir. O álbum está gratuito aqui.

Quem venham mais trabalhos assim!!!!

#Pipocando – Gravidade

GravityAlfonso Cuarón é um diretor que prima pela qualidade sobre a quantidade. Em quase 20 anos de carreira cinematográfica, ele tem apenas 6 longas em sua filmografia (e um segmento em “Paris, Eu Te Amo”), onde “E Sua Mãe Também”, “Harry Potter E O Prisioneiro de Azkaban” e, principalmente, o seu último filme, “Filhos da Esperança”, se destacam. Sete anos depois de “Filhos”, o diretor mexicano reaparece com a que pode ser a obra prima de sua carreira.

“Gravity”, no original, conta a história de Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalsky (George Clooney), dois astronautas que, ao fazerem uma operação de rotina fora da nave, são surpreendidos por uma chuva de lixo espacial que destrói a nave e os deixa à deriva no espaço ligados apenas um ao outro por um cabo. Correndo contra o tempo, os dois terão que fazer de tudo para conseguir chegar à outra estação espacial e conseguir se salvar.

Eu nunca estive e, provavelmente, nunca irei ao Espaço, mas o que experimentei durante os 90 minutos de projeção de “Gravidade” deve ser a coisa mais próxima da experiência que é estar a centenas de quilômetros acima da Terra. O filme é de um primor técnico impressionante. A edição e mixagem de som, combinados com a fotografia de Emmanuel Lubezksi (“Árvore da Vida”) imergem o espectador nesse “mundo” escuro e sem som. O design de produção recria o interior das naves e estações espaciais com detalhes impressionantes.

Gravity - Bullock and Clooney (cut)Esses elementos ainda são somados à câmera de Cuarón, que, num lugar onde é impossível a vida, parece viva ao passear pelo espaço, como numa bela dança, enquanto nos mostra a imensidão de um lugar tão hostil.
Em “Filhos da Esperança”, já pudemos ver o apreço que o diretor tem por longos takes e planos-sequência, com dois planos de tirar o fôlego — um passado todo dentro de um carro e o outro seguindo o protagonista interpretado por Clive Owen em meio a uma revolta de rebeldes. Em seu novo trabalho, Cuarón mais uma vez cria com maestria planos que duram minutos, sejam apresentando os personagens, no início do filme, ou os seguindo em seus momentos de tensão.

É muito bonito, também, a forma como o diretor utiliza por várias vezes a câmera subjetiva, se aproximando do capacete do personagem, “entrando” pelo vidro e, enfim, assumindo o seu olhar. Outras vezes, querendo mostrar o que os personagens veem e suas reações, Cuarón usa um primeiríssimo plano, inteligentemente focando nos seus rostos e, pelo reflexo do vidro do capacete, exibindo o que acontece.

GRAVITYEssa subjetividade é importantíssima para nos fazer entrar na mente do personagem e sentir na pele o que ele passa. Porém, isso não teria efeito se não fosse o roteiro escrito pelo próprio Cuarón e seu filho, Jonas, a precisa montagem e as atuações maravilhosas de George Clooney e, principalmente, Sandra Bullock. Seis meses foi o tempo que sua personagem passou em treinamento para a missão no espaço e foi também o tempo que Bullock levou se preparando fisicamente para o papel, enquanto estudava cada detalhe do roteiro e de sua atuação junto com o diretor. O resultado é uma das melhores atuações do ano.

Dentro do limite de tempo, os dois personagens principais são bem desenvolvidos. Matt Kowaski é um astronauta prestes a se aposentar, boa pinta e bem humorado, que ajuda a aliviar a tensão em alguns momentos. Ryan Stone é uma médica em sua primeira missão espacial. Logo sabemos que ela recentemente sofreu uma tragédia pessoal e entendemos o motivo (ou um deles) que a levou a ir trabalhar no espaço. Apesar de continuar com seus deveres, depois do trauma ela para de viver. Esse elemento do seu passado a faz ficar a vontade com o silêncio oferecido pelo espaço.

[Desse ponto em diante, haverão spoilers sobre momentos-chave da trama do filme]

Gravity - GestaçãojpgA partir desse momento, o verdadeiro significado do filme começa a se desenhar e podemos aos poucos perceber do que a história contada se trata. Já não estamos mais assistindo a um filme sobre uma astronauta em perigo, e sim, estamos testemunhando o renascer de uma pessoa. Isso é muito bem ilustrado com o belíssimo plano em que Stone, após conseguir entrar na estação russa e tirar seu equipamento, é enquadrada flutuando por alguns segundos em posição fetal enquanto descansa, remetendo a um bebê no útero.

Uma vez que o sentido principal é entendido, o filme deixa de ser apenas uma obra bonita, para se tornar algo intenso, uma experiência autêntica. Não há nada mais lindo do que o renascimento da vida numa pessoa — a vida como um sentimento, e não como um período de tempo. Interiormente, Ryan morre junto com sua filha. Não havendo mais pelo que viver, ainda na Terra, ela vivia o resto dos seus dias dirigindo, sem rumo, pois era assim que ela se sentia. Todavia, quando ela olha nos olhos da morte, várias vezes (sim, os obstáculos do filme parecem ser um pouco excessivos), ela descobre uma força que nunca imaginou ter. Se revela, então, um do maiores conceitos do filme: do ambiente mais estéril conhecido, nasce uma vida.

Gravity - Ryan na CabineMas Cuarón não para por aí. A última sequência, além de reafirmar a ideia do renascimento com Ryan “reaprendendo” a andar — no espaço, ela estava em gestação, como o plano já citado apresentou, enquanto seu nascimento se deu com sua chegada à Terra —, guarda um significado ainda mais profundo. Depois de quase se afogar, a personagem nada em direção a superfície, mas, alguns segundos antes disso, uma rã é vista também emergindo. A rã, que, como todos sabem, é o estado evoluído do girino após sofrer metamorfose, é inteligentemente posta nessa sequência em particular para indicar que Ryan evoluiu. Ela é um novo ser. E não só isso. Notem como a personagem, da água, vai lentamente se arrastando até a margem, até conseguir se levantar — como a vida terrestre teve início. A câmera ainda a enquadra de baixo para cima, a fazendo ficar maior e apontando sua mudança. Nesses segundos o diretor recria, ou melhor, personifica os milhões de anos de evolução na figura de Ryan Stone.

Por ser um filme quase todo passado no espaço e com muitas metáforas, comparações com o clássico “2001 – Uma Odisseia no Espaço” já foram feitas. Mas os dois diferem muito entre si. A obra de Stanley Kubrick se encaixa muito mais no gênero ficção científica que a de Cuarón, que pode ser classificado como um suspense dramático. Enquanto “2001” aborda a evolução numa maneira muito mais extensa (e ainda influenciada por terceiros), “Gravidade” é um filme muito mais pessoal, onde a evolução é intrínseca.

Gravity - Evolução (Cut)Com seu novo trabalho, Cuarón mostra que, para um filme ser genial, não precisa ter uma trama complicada. Mesmo quem não conseguir ler nas entrelinhas, poderá gostar do longa por sua simples história de superação da personagem de Sandra Bullock ante uma catástrofe e vários empecilhos. Algo muito diferente do próprio “2001”, que é um filme tão comprometido com sua mitologia que não permite ao espectador que não entender a trama curtir o filme.

Há muito tempo eu não saía do cinema tão satisfeito. “Gravidade” vai muito mais além do “filme-catástrofe” — é um belo conto sobre renascimento e, mais que isso, evolução. Os méritos da obra vão muito além dos aspectos técnicos. A produção beira a perfeição, graças especialmente ao roteiro dos Cuarón e a atuação iluminada de Sandra Bullock. A metáfora do renascimento de Ryan Stone como uma pessoa evoluída é linda e muito bem apresentada. O filme, sem dúvida, já é um dos melhores do ano e será lembrado por muito tempo.

“It’s time to stop driving. It’s time to go home.”

Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar

O novo livro do jornalista Ricardo Alexandre, “Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar” (Arquipélago Editorial, 2013, 256 pgs, R$34,90), me acertou em cheio. Gosto muito de ler sobre música de maneira geral, não somente sobre rock (aliás, meu livro preferido sobre música é “Chega de Saudade”, de Ruy Castro, sobre Bossa Nova), mas no alto dos meus 35 anos este livro em especial aborda exatamente o período da formação do meu gosto musical, e por consequência disso, a própria formação da minha personalidade como adolescente e depois jovem/adulto, sem exageros.

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Ricardo trata muito bem do período de ascensão e queda da indústria fonográfica brasileira. De como os milhões de discos vendidos se tornaram milhões de discos pirateados (e também vendidos, porque não?). Um período do qual minha geração sente saudade, pois especialmente nos anos 90 você ligava o rádio e ouvia Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Raimundos, U2, Oasis, Alice In Chains, Guns N’ Roses etc, porém Ricardo trata de quebrar um pouco esse romantismo e nos lembrar que no biênio 95-96 fomos infernizados por “Pimpolho”, do Art Popular, “Florentina”, de Tiririca, “Na Boquinha da garrafa”, da Companhia do Pagode, “Xô Satanás”, do Asa de Águia” e “Dança da cordinha” do É o Tchan.

Desde a construção da carreira do Skank, às expectativas frustradas (e hoje supervalorizadas) de Chico Science, do surgimento do Planet Hemp, Raimundos e O Rappa (e seu idealismo barato), à luta pela sobrevivência das bandas de médio porte em um mercado alternativo dentro de um estilo que nunca foi realmente de massa no Brasil, da explosão dos Mamonas Assassinas à reclusão dos Racionais MC’s, das características locais das cenas de Recife e Porto Alegre, ao surgimento dos festivais independentes em vários estados, do momento em que o Brasil se tornou a bola da vez para todas as grandes gravadoras multinacionais ao momento em que todo mundo se tornou independente, Ricardo vai documentando tudo com os olhos de quem viu por dentro, mesmo sentindo-se um estranho em diversas ocasiões. Dentro de estúdios, de escritórios de gravadoras, de redações de jornais e revistas de música, de bastidores de shows e festivais.

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A importância da MTV em seus primeiros anos, os altos e baixos do mercado fonográfico brasileiro, as estratégias das gravadoras, o jabá pago que as rádios toquem determinados artistas, a quebradeira das lojas de discos que começou justamente no momento de superaquecimento das vendas de CDs no Brasil, o impacto do surgimento da internet tanto para os artistas quanto para a imprensa e, principalmente, para as gravadoras, em capítulos curtos Ricardo nos apresenta vários recortes que se completam, ao mesmo tempo vai revelando os dilemas e motivações da construção da sua própria carreira como jornalista.

 

 

Todos os textos já haviam sido publicados anteriormente no blog do autor, mas juntos eles ganham mais coesão, mais sentido. Na medida em que avançamos os capítulos um tom de melancolia vai tomando conta. O rock vai perdendo sua importância e espaço, devorado pela extrema popularização que é o aparelho de respiração que ainda mantém a indústria fonográfica, a música torna-se apenas uma forma a mais de entretenimento. Com este esvaziamento de ideologias, não somente o mercado fonográfico sente o baque, mas toda uma indústria editorial vai tristemente se desmanchando, a MTV vai se descaracterizando, rádios-rock Brasil afora vão fechando (ou mudando seu público-alvo) revistas especializadas e cadernos dedicados à cultura pop vão sumindo das bancas e dos jornais, e este processo está documentado no livro. Várias páginas são dedicadas às idas e vindas da revista Bizz, da qual fui leitor, colecionador e da qual até hoje guardo alguns exemplares históricos.

 

Dois capítulos em especial tratam da relação do autor com o mercado gospel, e, porque não, da sua fé Cristã. Um episódio envolvendo a banda Catedral onde uma manchete mal intencionada causou dor de cabeça à banda e apresentou a Ricardo o mercado gospel, suas regras e sua hipocrisia, e um (no melhor capítulo do livro em minha opinião) a respeito de Rodolfo Abrantes, sua ruptura com os Raimundos, tudo que ele abriu mão, sua tentativa de falar com o público religioso e secular ao mesmo tempo, e a posterior guinada de Rodolfo para dentro da igreja. 

Ricardo registra o último momento em que duas canções representativas e legítimas do rock fazem sucesso realmente grande no Brasil: Mulher de Fases (Raimundos) e Anna Julia (Los Hermanos) e lá se vão 14 anos. Para ser historicamente correto, Ricardo cita casos mais recentes como CPM22 e NXZero dentro de sua devida importância, ou seja, nenhuma, e guarda uma ponta de carinho e esperança para a baiana Pitty.

Está bem claro que o livro é apenas um parêntese, não trata da música brasileira como um todo, nem faz muitas referências ao passado (a década de 80 já está muito bem documentada em outro livro do mesmo autor: Dias de Luta), além do subtítulo (50 causos e memórias do rock brasileiro (1993-2008)), em algumas passagens do livro explicam a concentração do autor no rock e num período específico, ainda assim há omissões importantes, principalmente o Sepultura, e em certa altura do livro Ricardo concentra-se nas perturbadas relações da imprensa musical com o mercado editorial, o que pode interessar a (e colocar uma pulga atrás da orelha de) quem ainda pense em estudar Jornalismo, mas interessa menos ao fã de música. Porém, ajuda muito a entender os caminhos e descaminhos que este estilo percorreu no Brasil nas últimas décadas, e porque ele, após um considerável brilho nos anos 80 tenha se apagado quase que totalmente nos anos 2000. Onde foi que o rock brasileiro se perdeu? A resposta é: ele nunca se achou.

Fiquem na paz.

@marlosferreira

#Pipocando – Círculo de Fogo

Pacific Rim - Poster2Conhecido por seus filmes de terror e fantasia, como “O Labirinto do Fauno”, “A Espinha do Diabo” e “Hellboy”, o multitarefa Guillermo Del Toro — que já havia produzido “Mama” esse ano — dessa vez se joga de cabeça num sonho antigo seu (e de 90% dos jovens que cresceram  principalmente nos anos 80 e 90): um filme sobre monstros contra robôs gigantes.

Na trama, legiões de monstruosas criaturas, conhecidas como Kaiju, começam a emergir do Oceano (mais precisamente do Círculo de Fogo do Pacífico) e destruir cidades ao redor do mundo, matando milhões de pessoas. Quando as armas convencionais não se mostram o bastante para deter os monstros, a Pan Pacific Defense Corp começa a criar enormes robôs controlados por dois pilotos para defender as cidades. Nasce o Programa Jaeger. A princípio um sucesso, os Jaegers não conseguem resistir por muito tempo devido às aparições cada vez mais frequentes dos Kaijus e ao custo e demora na fabricação e reparo dos robôs.
A PPDC, então, decide suspender os fundos do Programa e dar prioridade à construção de muros em volta das cidades. Contrariado com a decisão, Stacker Pentecost, o responsável pelo Programa Jaeger, decide levar os quatro Jaegers remanescentes para o último post de batalha em Hong Kong, onde pretende liderar um ataque final.

Pacific Rim - SidneyUma das coisas mais legais do filme é subverter a máxima do herói de ação, na maioria das vezes, americano. Em “Pacific Rim” (título original), a Pan Pacific Defense Corp, organização criada para defender a humanidade dos Kaijus é transnacional. Pentecost, o comandante do Programa Jaeger, é britânico e as equipes que pilotam os quatro robôs principais são da China, Rússia, Austrália e, no caso do Gipsy Danger, um americano e uma japonesa. Raleigh Becket (Charlie Hunnam, da série “Sons Of Anarchy”), um piloto aposentado e traumatizado por um evento do passado, e a inexperiente Mako Mori (Rinko Kikuchi, de Babel) são os personagens principais que se levantam como heróis quando tudo dá errado. E, apesar de Becket ser o óbvio protagonista, uma vez que a personagem de Mori é apresentada, a trama começa a girar em torno dela. Vemos a história através dos olhos de Becket, mas é Mori quem se torna a protagonista do filme.

Se um filme de ação/ficção científica com uma heroína já não é comum em Hollywood, um filme em que a heroína não seja sexualizada, é raridade. Del Toro queria que os personagens e seus dramas fossem o foco do longa, e não seus físicos (ainda assim ele presenteia as mulheres com um Charlie Hunnam sem camisa por alguns segundos) ou, ainda vou mais longe, os robôs. Sim, os robôs são as coisas mais divertidas no filme, mas sem os humanos, eles são milhares de toneladas de metal inanimado. A “alma” desses seres gigantes é o que os move, assim como a alma dos personagens é o que move o filme. Um elemento bem inteligente (e legal, vai!) que mostra isso é a conexão neural que os pilotos precisam fazer para pilotar os Jaegers. Duas pessoas (ou três, no caso dos chineses) compartilharem as mentes quer dizer compartilhar alegrias, tristezas, virtudes, defeitos, medos, decepções, fraquezas, traumas, e tudo o que nos faz humanos. Dentro de um Jaeger os pilotos — e o robô — se tornam um.

Pacific Rim - Charlie Hunnam and Rinko KikuchiO significado disso é muito mais profundo e interessante do que qualquer embate entre um Jaeger e um Kaiju. E devo dizer que as batalhas são excepcionais. Apesar de serem feitas completamente com computação gráfica, não há uma cena em que os movimentos — seja dos seres gigantes, do mar, ou dos ambientes destruídos — soem artificiais. Del Toro e o supervisor de efeitos especiais, John Knoll, passaram semanas discutindo a física dos Jaegers e Kaijus e até os detalhes da reação que eles causariam nos ambientes (como o tremor das janelas de prédios causados pelo deslocamento de ar quando um Jaeger passa por eles). O resultado são efeitos visuais muito reais e impressionantes.

Um elemento que chama atenção na fotografia do filme é as cores, que são bem fortes. Pela primeira vez, Guillermo del Toro e Guillermo Navarro (diretor de fotografia com quem já trabalhou várias vezes) optaram pelas câmeras Red Epic, que tem uma saturação bem intensa de cores — muito maior do que uma câmera analógica. Essa intensidade das cores dá ainda mais vida aos planos que sempre buscam ostentar o tamanho das imensas criações do diretor, frequentemente os mostrando de baixo e os comparando com outros objetos e construições enormes, como arranha-céus, pontes, e até a própria profundidade do mar, onde os Jaegers raramente ficam submersos. Um momento que ilustra bastante essa ideia de proporção e que, particulamente, eu esperava muito desde que vi o trailer, é quando Gipsy Danger usa um navio cargueiro como espada, na batalha contra um Kaiju em Hong Kong (cidade onde a maioria da ação acontece). É um daqueles raros momentos em filmes pipoca em que penso “gostaria ter tido essa ideia” — a sequência da explosão do gramado enquanto um jogador faz um touchdown, em “Batman – O Cavaleiros das Trevas Ressurge“, é outro momento desses.

Pacific Rim - Jaeger Vs KaijuApesar de suas muitas qualidades, porém, o filme tem seus pontos fracos. A maioria deles mora no roteiro escrito por Travis Beacham e pelo próprio del Toro, que abusa de personagens, situações e diálogos clichês. Temos o comandante casca grossa (o sempre ótimo Idris Elba, de “Prometheus”), o piloto arrogante que rivaliza com o mocinho e o cientista maluco que funciona como escape cômico. Aliás, em “Círculo de Fogo” é uma dupla de cientistas — Newt Geiszler e Gottlieb, irritantemente interpretados por Charlie Day e Burn Gorman, respectivamente. Outro personagem responsável pelo humor é Hannibal Chau, um vendedor de partes de Kaijus no mercado negro, interpretado por Ron Pealman (também de “Sons Of Anarchy”, e “Hellboy”).
Há ainda situações que soam artificiais, como quando Becket e Mori “checam o pulso” de um Kaiju já morto. Percebe-se claramente que é uma cena apenas com o objetivo de impactar visualmente. Provavelmente na cabeça de Del Toro a cena teria um efeito empolgante ou até cômico quando, na verdade, soa bobo.

Pacific Rim - Personagens PrincipaisEntretanto, os visíveis defeitos e tropeços no roteiro não tiram o mérito do diretor e de seu filme excelente, que não só funciona como bom entretenimento, mas também é capaz de despertar a criança interior de muitos marmanjos, que certamente sentirão uma sensação de nostalgia vendo as batalhas colossais. E, mesmo sendo cheio de metal e monstros, “Círculo de Fogo” não é um filme bruto, artificial, mas sensível, que envolve o espectador, principalmente pela força de seus personagens. O elo que Guillermo del Toro cria entre Raleigh e Mako é muito bonito. É emocionante quando, perto do final do filme, Raleigh diz à ela “All I have to do is fall, Mako. Anyone can fall”. É verdade que a fala teria ainda mais peso se o destino de seu personagem fosse diferente, mas, por tudo o que significa, pela construção da cena, e interpretação de Charlie Hunnam (que merece ser mais conhecido) é um momento comovente e importantíssimo para a história do filme.

“Círculo de Fogo” é um dos melhores filmes do ano, mas com um texto mais cuidadoso seria ainda melhor do que já é. Não é uma produção que visa premiações, ainda assim é capaz de tocar e envolver o público de uma forma que muitos filmes oscarizados não conseguem.

Crítica também disponível no blog: http://www.isduarte.blogspot.com.br/

Cristianismo for Dummies: O Livro

Cristão eram chamados muitos anos atras (não lembro se na idade média pelos povos árabes) de o homem do livro. Sempre estava lendo e consultando um livro. Esse livro é a bíblia. Ainda hoje a bíblia continua a ser a regra de fé e pratica de todos os cristãos.

Mas se uma religião assim, tão divergente internamente, segue um livro só… Como se explica tanta divergência? Seria esse livro tão genérico que cada um interpreta como quiser? Os fundamentalistas que aparecem na TV seguem mesmo esse livro a risca? E os progressistas? Como eles leem esse livro?

Definições

Antes de qualquer discussões, quero definir aqui alguns grupos e como eles leem o livro:

  1. Ortodoxos: Na verdade ortodoxia significa leitura correta. Todos acreditam que são ortodoxos, mas levaremos em consideração O Livro. Então na nossa definição, ortodoxos são aqueles em que o livro é lido por inteiro. Não há textos fora de contextos, para cada conclusão, por mais simples que seja, teria que fazer algumas perguntas ao texto: Era isso que o autor queria dizer? O livro em questão me autoriza, a partir do contexto, a fazer essa conclusão? Há algum ensinamento em todo o Livro que me desautoriza essa conclusão? Feita essas três perguntas, a conclusão pode ser tomada… Seja ela qual for!
  2. Tradicionalistas: São bem parecidos com os Ortodoxos, mas antes de qualquer conclusão eles consultam a tradição. Frase que ouvi de um tradicionalista: “Eu tenho a mesma fé que meus pais tinham”.
  3. Fundamentalistas: São muito parecidos com os tradicionalistas, porém não são abertos ao debate. Se você está discordando de mim, você é uma ameaça para mim e a minha fé!
  4. Pentecostais: O Livro é uma ferramenta para o Espirito Santo me revelar a verdade.
  5. Liberais: O que é a verdade? O Livro contém a verdade… Mas ele não é a verdade. A verdade tem que ser extraída dele, filtrando as partes que acredito que não sejam a verdade.

Essas definições são próprias, podem ser que se pareçam com algumas utilizadas na academia, mas mesmo assim, como a palavra Ortodoxia significa doutrina correta, todos se afirmariam ortodoxos.

Essas  definições não são equivalentes as definições denominacionais! Um pentecostal pode ser liberal, como um Anglicano pode ser Ortodoxo. Um Batista pode ser Pentecostal, como  um Presbiteriano pode ser Fundamentalista.

A frase comum

Já é comum ouvirmos a comum frase: “você não pode levar esse livro ao pé da letra”. Seria essa frase correta?

Liberais

Se formos analisar do ponto de vista dos Liberais, eles já não levam ao pé da letra. Porque como letra não tem pé, eu decido que pé não existe em letra e logo essa frase não é verdadeira, seriam melhor extrai-la do texto! Um exemplo bastante comum de um liberal é um cara chamado Rob Bell. Ele escreveu um livro afirmando nos primeiros capítulos que não podemos construir argumentos baseados na bíblia, pois a mesma não é coerente… Então ele construiu uma “nova” (na verdade já velha) teologia, usando o livro que ele afirmava não poder ser usado para construir argumentos, para explicar que não há inferno e que todos seriamos salvos (isso é, se houver pós-vida)!

Estaria ele correto?

Acredito que não! Vamos analisar qual foi a falhar argumentativa dele! Primeiro para “provar” que a bíblia não era coerente, ele apresentou vários texto em paralelo, mas esses textos estavam fora de contexto. Ou seja, é como se eu pegasse duas frases e colocassem uma ao lado da outra, mas ignorasse aonde ela estava sendo dita! Muitos desses textos tinham contextos completamente divergentes. Ele ainda não foi honesto com a origem do texto, apresentou alguns textos como poesia que não eram poéticos, separando em versos frases que não deviam ser separadas. Assim podemos criar, com um texto apenas, inúmeros sentidos conflitantes.

Pentencostais

Muitos anos atras aconteceu um crime! A bíblia foi dividida em versos!!!! Provavelmente foi na época de Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg. A intenção era apenas poder localizar facilmente um texto… Mas como toda invenção era facilmente utilizada para outro fim, acabou dando vida própria a cada verso! Assim a bíblia, que antes era formada de mais de 60 livros (há variações dependendo da tradição) passou a ser formada por milhares de versos.

Para os pentecostais quem é a autoridade máxima é o Espirito Santo. Mas quem certifica se a pessoa tem ou não o Espirito Santo? Essa é a grande questão. Todos os cristão (com exceção de alguns liberais) acreditam no Espirito Santo, mas eles divergem sobre como ele age e qual a sua finalidade. E o Espirito Santo revela o significado dos textos de acordo com a sua vontade!

Mas e se o significa for de encontro com o livro diz? Isso é possível? Muitos pentecostais preferem ficar com o que o “Espirito Santo” revelou, do que com a explicação de algum “irmão”.

Um texto que nos mostra perfeitamente o que é isso é o verso de Filipenses 4:13 “Tudo posso naquele que me fortalece”. Se eu te apresentar esse texto solto, você entenderá o que? Muitos acreditam que podem milagres! Que as portas do céus vão se mover de acordo com a sua vontade! Que nada é impossível para o cristão!!!!

Eu mesmo já acreditei nisso, devo confessar! Mas o que o autor dessa carta queria dizer para os leitores dela?

Se lermos os versos anteriores, vemos Paulo descrevendo as tribulações que passou na vida:

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” Filipenses 4:12

Dentro do livro, é impossível retirar outro significado do “tudo posso” que não seja: “posso aguentar qualquer tranco”. Aqui não há vitorias, mas significa que o autor podia aguentar qualquer derrota, pois ele era contente com quem dava alegria para ele!

Um amigo me alertou que a nova safra de pentecostais não leem a bíblia, apenas decoram textos falados por seus lideres. Esses vamos colocar na categoria manada!

É bastante comum, um pentecostal, ler um texto inteiro e retirar uma reflexão de apenas um verso.

Infelizmente, depois de muito tempo com pentecostalismo e puritanismo, para os versos mais conhecidos do Livro temos reflexões já prontas em nossos subconsciente que não equivalem ao que está escrito no livro como um todo. Somos treinados a ler esses textos com uma lente que na verdade não é a lente que o autor usava quando escreveu.

Fundamentalistas

Há bem claro dois tidos de fundamentalistas. Um que é extremistas na ideia. E outro que não quer mudar de ideia. Se chamarmos o Marco Feliciano de fundamentalistas, estamos atacando o segundo tipo, pois esse não lê os textos segundo as tradições. Ele lê como um pentecostal, e não dialogo por uma agenda própria.

O fundamentalista clássico lê os textos com as lentes dos pais deles, mesmo que existam evidências que esses textos tenham outras interpretações.

Essas leituras são bastante comuns no gênesis. E eles são os que ainda mantém o mito da criação, onde Deus é um magico que tirou o mundo da cartola, como estava antes de Darwin.

Há também outro ponto de discordância no mundo atual. Vemos nos Estados Unidos, qualquer intelectual cristão que tenha ideias que eles consideram esquerdistas são logo considerados hereges e excluídos do meio.

Esses fundamentalistas são os que defendem a escravidão como bíblica. Ou seja, se você ver alguém realmente dizendo que a bíblia defendia a escravidão, pergunte-se se o texto que a pessoa usa realmente dizia isso?

Tradicionalistas

Esses tem valores bem parecidos com os Fundamentalistas, mas eles suporta (a uma certa distancia) pensamentos divergentes. Uma coisa que vemos bem nos tradicionalistas é a defesa da liturgia.

O culto é como deveria ser. Ninguém pode questionar o culto! Muitos deles não se perguntam como os cristão do primeiro seculo (já que nessa época os apóstolos ainda eram vivos) cultuavam. A maneira correta é como cultuamos hoje!

Será mesmo?

Se formos pensar bem, no primeiro seculo não havia essa ordem litúrgica que há hoje. Não havia essa idolatração da música como unica forma de adoração. Ceia era um jantar comum. O vinho da ceia tinha álcool e era o suficiente para alguns ficarem embriagados. A ceia era um festa, e não um rito fúnebre… Ou seja, havia uma outra cultura cristã que hoje seria considerada ofensiva para quase todas as categorias de cristãos!!!

Ortodoxos

Aqui muitos vão me apedrejar! Quem possui a doutrina correta? Há verdade?

Se considerarmos que o Livro tem a verdade, vemos que há doutrina correta. E que ela não é defendida por nenhuma denominação dos dias de hoje!

Devo esclarecer que Ortodoxia não é um grupo, ou uma doutrina. Mas um padrão que considero inalcançável (mas que deve ser perseguido) nos dias de hoje. Ela só seria real, se conseguirmos (e com certeza não conseguiremos) extinguir o pecado de nossas vidas!

Nas cartas de Paulo, ele manda as mulheres de Corintos não falar em publico, para não se assemelhar as prostitutas da cidade. Mas ele envia uma carta à uma mulher em outra cidade, que seu marido era submisso a ela!

“Saudações a Priscila e ao seu marido Áquila e também à família de Onesíforo.” II Timóteo 4:19

Como podemos defender a ideia de submissão feminina com um trecho como esse? Em nenhum outro ponto Paulo repreende Priscila por ela “inverter a ordem”.

Os cristãos são comumente taxados de serem contras direitos trabalhistas e de reformas estruturais no sistema capitalistas. Mas se formos ler as leis do antigo testamento, vemos perdão de dividas, reforma agraria, obrigatoriedade do cuidado com o mais humilde. E nenhum desses são ideais comuns em nossos meios eclesiásticos!

Pequenos Cristos

Cristão foi uma denominação dada aos judeus que seguiam Jesus Cristo, e significa pequenos Cristos. Então, se formos pensar bem, um cristão deveria agir de forma semelhante a quem ele consideram o Mestre. E isso está especificado no Livro.

Termino com um vídeo do Pondé….

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=zh4gpxMjMic[/youtube]

E fica a questão: No que ele incomodaria hoje? Acredito que ele incomodaria todos as classes. E só seriam considerados Ortodoxos uns poucos cristãos, que hoje em dia seriam considerados loucos!

#Pipocando – O Homem de Aço

man_of_steel_ver2Adaptar o Superman para as telas do Cinema sempre foi uma tarefa muito complicada. Apesar do kryptoniano ser o herói mais famoso do mundo, seus poderes (outrora difíceis de simular com efeitos especiais) dificultavam a realização de filmes, e sua invulnerabilidade afastava muitos potenciais fãs — afinal, qual a graça em um herói praticamente invencível?
Essa dificuldade em adaptar o herói é vista só em olhar a sua filmografia: dos cinco filmes, apenas os dois primeiros, de Richard Donner e Richard Lester (e com Christopher Reeve no papel), são considerados importantes.

Com o fracasso de “Superman Returns” (2006), última tentativa de levar Kal-el para as telas, foi decidido que um reboot era necessário. Zack Snyder foi escolhido como diretor e Christopher Nolan, a mente por trás da trilogia do Batman, entrou no barco, como produtor.

Esqueça a famosa trilha sonora de John Williams, o inocente e unilateral Super Homem de Christopher Reeve, a baboseira de defender o “jeito americano” e tudo referente ao (bom) filme do Richard Donner e suas sequências. Zack Snyder, apresenta uma visão completamente nova do Homem de Aço, com uma história mais madura e um herói em conflito antes e depois de descobrir quem realmente é. Apesar de ser filho de dois mundos, ele não pertence a nenhum, já que é um alienígena na Terra e, por ser filho de concepção natural, uma abominação para os Kyrptonianos — que nasciam com um propósito pré-estabelecido (Jor-el, cientista e Zod, Guerreiro, por exemplo).

Man Of Steel - Flying LowO Superman é um herói que precisava se inovar e se adequar ao mundo de hoje — um mundo menos colorido, como sua roupa, e onde fazer o certo pode significar sujar suas mãos (como a decisão que ele toma perto do final). Snyder e o roteirista David Goyer acertam em trabalhar bem Kal-el, como pessoa e herói, mesmo que seja algo diferente do que estávamos acostumados. Como nunca antes, vemos e sentimos Clark como um peixe fora d’água. Sofrendo na sua infância com a descoberta de suas habilidades (a frase “Pessoas têm medo do que não entendem” dita por Jonathan para Clark, vale para o próprio, que não entendia o porquê de ser diferente) e quando adulto, vagando de um lugar para o outro, como um nômade — porém, mais sem identidade do que lar. Henry Cavill caiu muito bem no papel, passando a solidão e todo o peso de sua responsabilidade da fase adulta de Kal-el, e até a rebeldia da adolescência em uma cena em especial.

E a boa notícia para quem achou que faltou ação em “Returns”, é que em “Man Of Steel” é o que não falta. Do início ao fim há cenas de lutas, destruição com coisas explodindo e construções ruindo. Em certos momentos soa tudo meio “over”, principalmente no terceiro ato, quando acontece o embate final entre Superman e Zod. Mas são praticamente 2 deuses brigando no meio de uma cidade, testando seus limites. Não dava para esperar uma luta menos que grandiosa

Mand Of Steel - Zod and FaoraCom alguns tropeços no meio do caminho, como a utilização além do necessário de Jor-el (a sua consciência não serve apenas como guia para Kal-el descobrir sua origem) e o paralelo constante e nada sutil de Kal-el com Jesus Cristo (a cena na igreja, principalmente), “O Homem de Aço” se revela uma filme muito eficiente e divertido. Percebe-se que é apenas o primeiro passo para o estabelecimento de uma franquia, pois Kal-el ainda não parece ter chegado a maturidade de seus poderes e de sua personalidade. Esse ainda não é o Superman que daqui a alguns anos veremos liderando a Liga da Justiça.
Mas de qualquer forma, foi um bom primeiro passo, e com o pé direito.

*Se você gostou da crítica e quiser ler mais, uma análise mais profunda (e maior, claro) do filme estará disponível no meu BLOG pessoal a partir do dia 12/07, data de estreia do filme.

#Pipocando – Segredos de Sangue

stoker_ver3O cinema coreano tem crescido muito nos últimos anos, inclusive exportando seus diretores para Hollywood. Curiosamente, três deles tiveram filmes programados para 2013. O primeiro da leva foi Kim Ji-woon (conhecido pelo excelente “Eu Vi O Diabo” e pelo terror “Medo”) que dirigiu o novo filme de Arnold Schwarzenegger, “O Último Desafio”. Bong Joon-ho (“Memórias de Um Assassino” e “O Hospedeiro”) roteiriza e dirige “Snowpiecer”, uma ficção científica com um elenco estelar, com direito ao Vingador Chris Evans e as ganhadoras do Oscar Tilda Swinton e Octavia Spencer, mas ainda sem data para estrear. E dia 14 chegou aos cinemas brasileiros o suspense “Segredos de Sangue”, 10º longa do elogiado diretor Park Chan-Wook, mais conhecido pela Trilogia da Vingança (que tem em “Oldboy” seu ápice), e por seu último filme, o vampiresco “Sede de Sangue”.

“Segredos de Sangue” conta a história da família Stoker (nome original do filme). Depois que o pai da introvertida India (Mia Wasikowska) morre, o seu tio Charles (Matthew Goode), que ela nunca soube que existia, vai morar com ela e sua mãe, Evelyn (Nicole Kidman). Charmoso e simpático, ele logo ganha a confiança de sua mãe, mas India começa a suspeitar que ele não é tão perfeito assim. A presença de Charlie irá fazer com que India descubra detalhes sobre o passado sombrio da família Stoker e sobre ela mesma.

Diretor que costuma realizar filmes com personagens excêntricos e bem desenvolvidos, Park Chan-Wook dessa vez aposta em personagens mais normais, ao menos a primeira vista, e concentra seu apreço pelo diferente no visual do filme, que é o que realmente chama a atenção. São planos imprevisíveis, com enquadramentos curiosos que valorizam o filme e ajudam a contar a história, já que a narrativa, dessa vez não é de tão alto nível.

Stoker - India and CharlieA princípio remetendo ao Hitchcockiano “A Sombra de Uma Dúvida” (até no nome do tio), “Segredos de Sangue” se revela o oposto, já que, ao contrário do suspense de 1943, a sobrinha e o tio acabam tendo algo em comum. Pistas de que há algo de diferente em India vão sendo dadas desde o início do filme, mas só descobrimos (junto com ela) com o desenvolvimento de sua relação com Charles. E o auto conhecimento é tema forte no filme. India está em transição da adolescência para a fase adulta — o longa começa no dia de seu 18º aniversário. Ela sente emoções, ímpetos, que não sabe explicar. Seu tio acaba funcionando como um guia.
Em determinado momento, vemos que o falecido pai de India sabia muito bem o seu “segredo”, porém conseguia administrá-lo, funcionando até como um tipo de super ego. O tio Charles tem o objetivo de liberar os impulsos da jovem, se transformando no Id. O resultado desde embate será muito interessante, ainda que não chegue ao nível dos clímax de outros filmes do diretor.

Porém, mesmo que o desenvolvimento da história esteja um pouco abaixo do padrão Park Chan-Wook, o diretor mostra uma exímia sensibilidade na hora de filmar e decupar o filme. Além dos já citados planos originais, ele utiliza, por exemplo, vários belos raccords* tanto para dar noção de elipses (a imagem de India caminhando no caminho que leva a sua casa sobrepõe a dela caminhando sozinha na estrada), quanto de flashbacks (funde os cabelos de Nicole Kidman sendo penteados a um campo onde India e seu pai caçavam).
*Raccord: ligação entre duas cenas por efeito visual ou sonoro, para reforçar ideia de continuidade.

Stoker - India and EvelynA direção de arte acerta em cheio no clima do filme, utilizando cores sempre harmoniosas, como lilás, azul e laranja, mas sempre com atenção especial no verde e no vermelho em cenas chave. A iluminação e os filtros da fotografia de Chung-hoon Chung ajudam na padronização das cores do filme, como na sequência externa em que India tem um encontro com Whip. Não bastasse o ambiente com muita grama e árvores, percebe-se um cuidado especial no filtro utilizado nas câmeras, inteligentemente dando um tom ainda mais esverdeado à cena, já que é quando a natureza de India é revelada (ou pelo menos aparece mais). Se o verde representa a natureza (bastante explorada no filme), o vermelho forte, quase vinho, o sangue — no sentido de família e da violência que existe dentro da personagem principal.

Na mesma sequência citada de India com Whip no parque, vale citar o belo efeito que a câmera de Chung cria ao filmar India num plano médio girando no roda roda, dando inclusive um certo ar sobrenatural à jovem, que parece estar flutuando. Toda a sequência foi muito bem dirigida e nos dá a noção de uma predadora seduzindo sua vítima. Trabalho notável de Mia Wasikowska.
O diferencial de India é muito bem explorado especialmente em duas outras cenas também. Na sequência dela na mesa da cozinha, escutando o barulho da casca do ovo se quebrando, e a da aula de pintura, em que enquanto todos pintam o vaso usado como modelo, ela pinta o padrão do lado de dentro do vaso (“Meus ouvidos ouvem o que outros não podem ouvir. Coisas pequenas e longes que pessoas não podem ver normalmente são visíveis para mim.”)

Stoker - India and Whip-editPor tudo isso, “Segredos de Sangue” vale mais como um exercício visual do que como narrativo, já que peca um pouco no desenvolvimento da trama, e fica a impressão de que o roteiro de Wentworth Miller (ele mesmo, o Michael Scofield de “Prison Break”) não teve o seu potencial máximo aproveitado. Mesmo assim Park Chan-Wook não decepciona em sua primeira empreitada no cinema americano, compensando a fragilidade da narrativa na forma como ele utiliza recursos visuais e metafóricos para enriquecer o estudo de seu personagem principal, India — a aranha, mais um exemplo, simbolizando o despertar de sua sexualidade.

Pelos muitos simbolismos (muitos nem citados nessa crítica), é um filme que vale ser visto mais de uma vez, pois certos detalhes só serão captados e completamente compreendidos depois de uma revisita ao filme.

#Pipocando – Homem de Ferro 3

Iron Man 3 - PosterEm 2007, a Marvel Studios estreou no universo cinematográfico para revolucionar a maneira como é feito os filmes de super heróis. Começando com um personagem que até então tinha papel secundário nas HQs da Marvel, a produtora lançou “Homem de Ferro”, que até hoje é uma unanimidade dentre os fãs de quadrinhos e cinéfilos — um grande filme para ninguém botar defeito. Assim, a produtora mostrou a que veio e, a partir daí, lançou “O Incrível Hulk”, “Homem de Ferro 2″, “Thor” e “Capitão América”, todos passados no mesmo universo e interligados entre si, até culminar no impressionante “Os Vingadores”. Esse foi o final da Fase 1 da Marvel Studios.

Por isso, “Homem de Ferro 3″ veio com duas grandes responsabilidades: fechar por cima a trilogia de Tony Stark, personagem mais querido da Marvel nos cinemas, e começar a Fase 2 com o pé direito. Infelizmente, o filme falha nos dois quesitos.
É o primeiro filme sem Jon Favreau na direção, que é assumida por Shane Black, criador da série “Máquina Mortífera” e diretor do ótimo “Beijos e Tiros” (protagonizado também por Robert Downey Jr.). Black, que também assina o roteiro (junto com Drew Pearce), faz um filme bobo que é mais comédia do que qualquer outra coisa — esqueça o tom sombrio tão enfatizado nos trailers.

Já buscando se conectar com o primeiro filme, uma das primeiras cenas de “Homem de Ferro 3″ mostra o primeiro encontro de Stark com Yinsen, que o ajudou a construir a Mark 1 quando ele foi capturado no Afeganistão. Nesse mesmo evento onde os dois se encontram, Stark também conhece Aldrich Killian, que queria apresentá-lo um de seus projetos, mas acaba sendo ignorado já que o playboy estava ocupado demais com a cientista Maya Hanssen — e não por motivos profissionais.
Já no presente, um fragilizado Tony Stark tenta voltar a ter uma vida normal depois dos eventos de “Os Vingadores”, afinal, conhecer semideuses, monstros verdes e combater forças extra terrestres vindas de um buraco de minhoca, mexe com qualquer um. E, não conseguindo mais dormir e tendo ataques de ansiedade, Stark passa o tempo construindo dezenas de armaduras e aprimorando suas tecnologias.
Enquanto isso, o mundo é assombrado por um terrorista chamado Mandarim, que num dos seus ataques acaba pondo em risco a vida de uma pessoa do círculo de Tony, que leva para o lado pessoal. Aí é onde a aventura começa e a sua vida pode terminar.

Iron Man 3 - GunApesar dos muitos defeitos, o filme tem um tema muito interessante: como os acontecimentos do passado moldam uma pessoa. Killian, enganado, e até pode-se dizer humilhado, por Stark no primeiro encontro dos dois, vira o jogo e se torna um brilhante e ambicioso cientista. Já Stark não consegue se livrar de seus medos e se esconde no seu casulo, a armadura. Ele já não consegue se sentir seguro fora dela (s). É impossível não lembrar da frase “A armadura e eu somos um” dita por ele em “Homem de Ferro 2″. Só que na ocasião a frase tinha um sentido mais político e científico (de um inventor querendo defender sua invenção enquanto o governo queria confiscá-la). Agora, o sentido é literal, já que o que Stark busca é praticamente um estado de simbiose com a armadura.

O problema é que a resolução desse conflito de Stark não é só decepcionante como chega a trair a mitologia do herói. Aliás, muitas das resoluções das subtramas do filme são um tanto abaixo do esperado (como a do Mandarim, por exemplo, que com certeza deixou muita gente com raiva) e ainda deixam pontas soltas. O final escolhido por Black parece ter preocupado até Joss Whedon, que quando viu o filme comentou “Agora o que eu devo fazer? O que vou fazer em O Vingadores 2?”. E realmente é uma “pepino” que passa para as mãos de Whedon, já que percebe-se que Shane Black não fez “Homem de Ferro 3″ com uma ideia de continuidade, e sim de conclusão, o que é um erro já que o personagem é parte de um universo muito maior.

Iron Man 3 - Suits3Mas se há uma coisa que Shane Black sabe fazer, e faz bem, é filme de ação com elementos cômicos. Você pode até não concordar com as escolhas narrativas que o diretor faz, mas a verdade é que o filme diverte. Não faltam cenas de ação com ótimos efeitos visuais — mesmo que a maioria seja sem as armaduras, ou pelo menos do Tony fora delas — e piadas. A escolha de tirar Tony Stark da sua zona de conforto e fazê-lo ser um herói apenas de carne e osso foi muito corajosa. O problema é que isso transformou o filme em algo muito parecido com a obra pela qual o diretor é mais conhecido. Sim, em determinados momentos, “Homem de Ferro 3″ parece ser mais um “Máquina Mortífera” com armaduras e soldados luminosos do que um filme da franquia da Marvel. Há também elementos de filmes de espionagem, como quando Stark invade a mansão de Mandarim. A trilha sonora de Brian Tyler não deixa mentir, já que sua composição nessa sequência parece saída de um filme do James Bond.

Se o primeiro “Homem de Ferro” tentava ser um filme calcado no mundo real, o terceiro filme do herói toma muitas licenças poéticas em relação a HQ e a realidade, se tornando o filme mais fantasioso da saga.
Entre erros e acertos, “Homem de Ferro 3″ fecha a trilogia de Tony Stark de forma decepcionante, deixando para “Thor: O Mundo Sombrio” a responsabilidade de ser o primeiro filme relevante da nova fase da Marvel.

#Pipocando – O Substituto

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“Detachment” (no original) é o 6º filme de Tony Kaye, diretor mais conhecido pelo forte “A Outra História Americana” — que rendeu Edwart Norton uma indicação ao Oscar pelo seu papel de um Neo Nazista.
Em seu novo filme, Kaye aborda não só o problema na educação atual, mas expande a visão procurando a fonte desse problema, que tem piorado nas gerações atuais. Vemos alunos cheios de raiva, pais irresponsáveis e incompreensíveis e professores estressados, que muitas vezes levam seus problemas pessoais para a escola, comprometendo suas funções e relacionamentos com os alunos. Falta compreensão e a única coisa que todos compartilham, é o vazio que sentem, por mais contraditório que soe.

Até Henry Barthes (Adrien Brody, numa atuação arrebatadora), que é uma boa pessoa e professor inspirador, carrega seus demônios do passado que o impedem de se relacionar com pessoas e amá-las/ser amado — o nome original do filme, que quer dizer desapego ou distanciamento, é exatamente sobre isso. Quando o perguntam o porquê de ter escolhido essa profissão, ele foge da questão, mas durante o filme fica claro que esse seu problema é o verdadeiro motivo que o leva a ser um professor substituto (não querer ficar muito tempo num lugar e se apegar aos alunos) e ter entregado Erica, uma adolescente que se prostitua e foi acolhida por ele, ao Serviço Social — ele só se “livra” dela depois dos dois terem criado um laço muito forte.

Todos os personagens tem dificuldades em sua vida pessoal que comprometem seus deveres. Seja professores que não conseguem mais dar conta do ensino, pais que negligenciam os filhos (a sequência da reunião dos pais mostra bem isso) ou alunos com problemas de auto-estima que não conseguem ter uma vida normal (dentro e fora da escola). O próprio Henry consegue conquistar e inspirar os alunos, até os mais problemáticos, mas uma vez que ele vai embora, ninguém pode assegurar que eles continuem no caminho certo. Se ele não tivesse seus conflitos e conseguisse assumir um compromisso com pessoas, provavelmente ele faria uma maior diferença na vida desses jovens que precisam de um modelo a seguir.

detachment02A fotografia do filme, feita pelo próprio Tony Kaye, assume um ar documental nas cenas da escola, se afastando um pouco dos personagens — talvez para reforçar a distância emocional. Já fora dela, primeiros e primeiríssimos planos são muito utilizados, procurando extrair o máximo da emoção dos personagens.
A montagem nervosa retrata perfeitamente o caos, principalmente na vida de Henry (vemos muitas cenas de seu passado e presente em certos momentos). O roteiro do estreante Carl Lund é muito bom, explorando a vida dos personagens e fazendo questionamentos oportunos — e ainda é potencializado pela direção de Kaye que o transforma num belo e poderoso filme.

“O Substituto” é interessante por não ser uma simples história de um professor que chega na escola e muda a vida do lugar e dos alunos. Aqui não há professores heróis, apenas seres humanos danificados. O caos está em todo lugar, inclusive dentro de cada personagem. E reconhecê-lo, entender sua origem, é vital para combatê-lo e encontrar a distante e já esquecida paz.

#Pipocando – Terapia de Risco

side_effectsSe há um adjetivo que poderia descrever Steven Soderbergh como diretor, definitivamente seria: versátil. Sua filmografia variada vai desde filmes extremamentes pipocas, como “Onze Homens e Um Segredo”, a cults como “Che”, passando por longas de ficção científica (“Solaris”) e ação (“À Toda Prova”).
Em seu novo e provavelmente último filme, “Side Effects” (no original), ele faz um suspense que mistura o universo da indústria farmacêutica — já abordado, dentre outros temas, dois anos atrás, em “Contágio” — com elementos que remetem até a obras de Hitchcock e seus jogos mentais.

A trama do filme conta a história de Emily Taylor (Rooney Mara, da versão americana de “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”), uma mulher que sofre com ataques de ansiedade e depressão. Mesmo com a volta do seu marido (Channing Tatum) para casa, depois de passar 4 anos preso por um negócio ilícito na Bolsa de Valores, as crises não melhoram e a levam a uma tentativa de suicídio. No hospital, ela conhece o psiquiatra Jonathan Barks (Jude Law), com quem começa a se tratar. Ele prescreve um novo remédio experimental que a faz melhorar, porém, causa alguns efeitos colaterais inesperados que mudarão a vida de todos.

O roteiro de Scott Z. Burns faz “Terapia de Risco” parecer dois filmes em um. A princípio um filme de investigação que trata de temas sérios como depressão e a responsabilidade de médicos que são pagos por laboratórios para testar novos medicamentos em seus pacientes (com a permissão deles, é claro), o filme toma uma guinada inesperada que o transforma num grande suspense psicológico.
Dentro do que foi pretendido o filme funciona muito bem (apesar de forçar a barra em alguns momentos), pois consegue pegar o espectador de surpresa. Mas talvez poderia ser um filme ainda mais interessante se Soderbergh fosse mais a fundo nas questões mais sérias que começou a abordar, pois elas só funcionam como uma escada para a verdadeira trama. Além da depressão, como ele tinha começado a tratar do tema da indústria farmacêutica há dois anos, eu esperava que em “Terapia de Risco” ele fosse mais a fundo, “investigando” esse universo pouco conhecido do público, como o filme dá a entender. Mas ele pretere esses dois temas para puxar o tapete do espectador em nome de um thriller que, dependendo do ponto de vista, pode ser considerado inteligente e intrigante, ou bobo e ilusório.

Side Effects - Emily and JonPorém, mesmo com minhas ressalvas, admito que gostei do filme. Dentre esses bons e maus adjetivos que citei, eu usaria intrigante e ilusório como a minha definição do longa. Minhas reservas quanto à obra são mais por gosto pessoal — e até expectativa — do que por questões narrativas ou técnicas. A fotografia, assumida mais uma vez pelo próprio Soderbergh (sob o pseudônimo de Peter Andrews), é excelente e trás detalhes muitos interessantes. Um deles é na primeira consulta de Emily com Jonathan. No início da sequência a câmera enquadra Emily de cima para baixo (posição em que o personagem/objeto filmado diminui), mas à medida que ela vai falando sobre como conheceu Martin, a câmera vai abaixando até enquadrá-la de baixo para cima (fazendo-a crescer), sinalizando como ele a fazia bem, inclusive para sua auto-estima.
Seja por meio da iluminação ou da direção de arte, a paleta de cores frias e foscas, como um amarelo-pastel muito utilizado nos vários ambientes escuros, dominam o filme em sua maioria, enfatizando ainda mais o universo sem cores e o clima depressivo do filme.

“Terapia de Risco” é muito bem dirigido e tem ótimas atuações. A dupla de protagonistas — Jude Law e Rooney Mara — levam muito o filme. Law está muito bem como o psiquiatra numa posição difícil que precisa provar sua inocência. E Mara é perfeita em todas as nuances que seu personagem pede. Já Catherine Zeta-Jones, que interpreta a antiga psiquiatra de Emily, fica abaixo do resto do elenco, não fugindo da caricatura de uma psiquiatra.

Steven Soderbergh vem prometendo se aposentar como diretor desde 2011, mas esse é o seu segundo filme de lá para cá. Se “Terapia de Risco” realmente for o seu adeus ao Cinema, ele o faz com um filme se não perfeito, com qualidade inquestionável. O longa tem seus defeitos, não é a sua melhor obra, mas gostando ou não do rumo tomado, funciona muito bem como suspense, e consegue surpreender.