A Religião do Rico e a Religião do Pobre

Sempre gostei de Teorias da Conspiração. Imagino que no meio de um monte de ideias insanas e desacopladas da realidade, pode existir algo tão verdadeiro que é tomado como ficção. Alias, a realidade é a melhor obra de ficção que existe. Se toda a verdade fosse contada de maneira crua em um livro, este seria taxado como surreal.

E o ano de 2013 será aquele mais surreal na história brasileira. O ano que o povo acordou e foi as ruas. Fez sua voz ser ouvida, e depois voltou a dormir. Não acredito que ele esteja completamente adormecido, mas apenas em um sono latente, esperando um estopim. Alias analisou um irmão presbiteriano nos anos de 1960 em uma das melhores analises sobre nosso subdesenvolvimento e o papel do cristão na sociedade já produzido pela igreja brasileira: “Reverendo, estamos fazendo pic-nic em cima de um vulcão!”

2013 foi também o ano em que fui presenteado com um melhor entrosamento com alguns graduandos, pós-graduandos e professores do Instituto de Economia (IE) da Unicamp. Até me lembrei de algumas analises que o PT fazia na época do governo FHC. Nessa época o presidente sempre falava que eramos um pais em desenvolvimento, mas o PT como oposição afirmava e reafirmava: somos subdesenvolvidos. Quase 10 anos de PT, o mesmo afirma: somos desenvolvidos! Essa é a maior mentira que existe hoje. E essa proximidade com amigos do IE me fizeram entender como a elite brasileira trabalha para continuarmos nessa posição. Já dizia o profeta Renato Russo: somos escravos por educação. Ao fim de algumas palestras consegui entender como a industria que trabalho e luto para transformar foi destruída nos últimos 10 anos. Não devemos nos tornar gente grande, devemos continuar sendo bobinhos que dão lucros abusivos a empresas estrangeira, assim é na área de TI e em qualquer outra área.

Não imagine que é por incapacidade nossa que temos péssimos serviços. Eles são assim porque muita gente quis assim. Nossa elite já vendeu a alma a interesses externos para fazer os de fora ganhar muito dinheiro com nosso pouco trabalho. Não será nenhum governo democraticamente eleito que mudará isso, só o povo na rua. Não é por acaso que nossos bancos tem os maiores lucros do mundo. Nossa telefonia é a mais cara e a pior. Nossas passagens de avião as mais caras. ETC….

Não foi por acaso que a mídia, principalmente a Globo, patrocinou a total hostilidade a partidos políticos nas manifestações de junho. Sem partidos políticos, não há dialogo com governo. Não há representação. Ninguém poderia atender o chamado das ruas, somente um ditador. Talvez era isso que a nossa mídia queria. Um Batman….

Mas no decorrer desse ano fiquei com uma duvida na cabeça. Se nossa elite é tão expert em fazer o nosso povo escravo de si mesmo, como ela usa a nossa religião? Se esses pastores da TV são tão nocivos, porque não há um combate a eles?

A resposta me veio em letras garrafais, na tela do cinema. Ironicamente quando pensava nisso fui convidado para a estreia de um filme patrocinado em crowdfunding. Me foi informado que o filme era sobre espiritualidade contemporânea, não entendi o que isso significa, mas fui ver… Antes de continuar meus devaneios deixo o trailer do filme:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=jXPdonaB4Vo[/youtube]

O filme tenta construir uma ideia de Felicidade como algo interno. Algo que deve ser buscado por você, dentro de você e não depende de ninguém. Paz é você estar bem como você mesmo. você quem constrói, não precisa ter logica. Não precisa explicar o mundo. Não precisa ser coerente com o homem.

Tenho que ser honesto. O filme é bonito. Tem boas imagens. Se fosse mudo seria melhor! Nada contra as pessoas que dão os depoimentos, eles realmente tem sua fé e acreditam em alguma coisa. Mas a espiritualidade do filme reflete a espiritualidade das pessoas que deram o depoimentos?

Temos alguns nomes bem conhecido nosso: Marina Silva e Leonardo Boff. Ambos falam sobre felicidade no filme, ajudando a “construir” coletivamente a ideia de felicidade da sociedade atual. Mas se analisarmos o que ambos andam escrevendo recentemente nas mídias sociais vemos rapidamente que o que ambos entendem por felicidade não é condizente com o que o filme mostra de felicidade, alias a fala da Marina é cortada exatamente quando ela ia concluir seu pensamento.

Mas porque o filme quer construir definições de felicidade, paz e fé? Porque tantos recortes, tão curtos?

Repare que não existem pobres no filme. A pessoa mais “humilde” é uma senhora do interior do Pernambuco, mas observamos a qualidade de vida que ela tem, veremos que, se ela morasse em uma cidade grande, seria de classe média alta. Ninguém no filme é cansado e oprimido. Ninguém precisa ser aliviado. Em outras palavras: eles são refletem a realidade do povo brasileiro!

Esse filme foi desenvolvido para a elite brasileira com a nítida mensagem: sua vida é apenas sua, não se importe com os outros! O nome já diz tudo EU MAIOR! Desfrute o que você tem e viva sua vida, é tudo que lhe resta. Essa mensagem é linda, mas quando nos confrontamos com a noção de coletivo ela se torna egoísta! Foi exatamente o contrario do que fizemos em junho! Em junho quem foi as ruas não usava transporte coletivo. A classe média lutou por uma conquista das classes mais baixas. Pela primeira vez na história o brasileiro se importo por quem não era exatamente como ele.

Então, colaborando com meus ideias de desenvolver teorias conspirativas, elegi a visão desse filme como a visão que nossas elites querem para a religião do rico. Importe-se com SUA felicidade, SEUS bens, SUA família e SUA vida! A vida dos outros não é sua responsabilidade!

Você acha que vai ganhar dinheiro com fé! Isso eu faço.....

Você acha que vai ganhar dinheiro com fé! Isso eu faço…..

Nisso um grande horizonte se abriu para mim. Percebi que a TV nos mostra todo dia sobre a espiritualidade do pobre. Somos a cada momento bombardeado com mensagens que nos dizem que se não somos ricos é porque não tivemos fé! A fé neo-pentecostal em outras palavras diz isso. Sua fé trará suas riquezas, ou seja, se você não é rico é porque você não tem fé. Inveje a fé de quem tem dinheiro, pois foi a fé deles que deu-lhes riqueza.

Com isso volto ao começo, esses dois panoramas da fé do brasileiro no fundo teriam o intuito de manter a ordem social brasileira (Ordem e Progresso). Enquanto o pobre achar que sua pobreza é causada pela sua falta de fé, e o mais favorecido achar que deve ser feliz sem se importar com os mais humildes, viveremos nesse Brasil. Enquanto pensarmos assim, um outro Brasil não será possível.

A minha fé ainda é pautada nos profetas do antigo testamento que diziam: Não há paz sem justiça social!

Homem 2.0

Talvez esse é o ano que eu mais tenho visto o nome Deus e Família nos noticiários. Até cansou esse papo de Religião vs Politica, Religião vs Direitos Humanos e Religião vs Ciência. Tentar entender essa guerra é uma tarefa difícil. Quem sabe caiba pra um dos 12 trabalhos de Hércules! Acredito que um dos lados dessa guerra ia adorar que um deus grego resolvesse essa parada, porque eles são avessos apenas às religiões monoteístas surgidas no oriente médio. Porque tanto ódio quanto essas religiões e uma certa idolatria ao “paganismo” europeu ou aos cultos afros? Essa resposta não tenho! Talvez C. S. Lewis….

“Espanta-me que você ainda me pergunte se é mesmo essencial manter o paciente na ignorância quanto à nossa existência. (…) Nossa política, no momento atual, é de nos mantermos ocultos. (…) Tenho grande esperança de que, no devido tempo, aprenderemos como tornar a ciência dos homens emocional e mítica a ponto de passarem a desconfiar daquilo que na verdade é a crença em nossa existência (embora não sob esse nome) ao mesmo tempo em que suas mentes se mantêm fechadas para o Inimigo. A “Força da Vida”, a veneração do sexo e outros aspectos da Psicanálise podem ser bastante úteis nesse sentido. Se pudermos produzir nossa obra perfeita – o Mago Materialista, o homem que não apenas utiliza, mas que na verdade venera aquilo a que dá o nome de “Forças” ao mesmo tempo em que nega a existência de “espíritos” – . então saberemos que a batalha chegará ao fim.”

Cartas de um Diabo a seu aprendiz

Mas quero abordar outro ponto, porque tanto ódio dos “mais letrados” à religião?

Tudo isso começa em uma ideia surgida a uns 150 anos, a ideia que estamos evoluindo….

Antes de continuar meu argumento, preciso colocar uns pingos em uns is. Acredito na evolução. Acredito que na minha genética tenho antepassados que são os mesmo antepassados de um orangotango. Isso não entra em nenhum conflito com minha fé cristã protestante reformada! E não é esse ponto que quero discutir!

A grande questão é o tempo verbal: evoluímos ou estamos evoluindo?

O “estamos evoluindo” é o pressuposto comum entre quase todos acadêmicos materialistas do Brasil. O homem está passando de uma versão 1.0 para uma 2.0. Isso gera os atritos, as discussões, o ódio ao que significa ser o homem 1.0.

[tube]http://www.youtube.com/watch?v=aDaOgu2CQtI[/tube]

Mas o que seria esse homem 1.0?

Muitos defendem que o homem precisa tirar a roupa do velho homem: a religião, o misticismo, o ódio, o pre-conceito, etc… Acredito que nem esses próprios (homens evoluídos) sabem direito o que isso significa. Só sabem de uma coisa, precisamos aposentar o discurso conservador e tomar uma atitude mais progressista. É muito interessante observar as palavras que são usadas. Qualquer indicio de uma cosmovisão cristã significa ser conservador. Qualquer indicio de abolir coisas como certo-errado, ou a ideia de pecado, significa ser progressista. Fico me questionando: progresso de que? Significa que estamos trilhando um caminho?

A outra ideia é a que evoluímos. Nossa genética foi forjada como primata. Somos primatas. Mamamos, temos pelos (alguns muitos e outros poucos), temos necessidades fisiológicas, somos animais! Mas há algo que nos difere dos outros…

Definir o que é isso acredito que nenhuma ciência humana vai saber a resposta. Para um mero materialista, somos feitos da mesma coisa que um cachorro morto… isso explica porque damos mais valor aos animais do que à homens que não conhecemos.

Segundo a teologia cristã, há uma definição clara e pontual: imagem e semelhança de Deus. Isso nos difere de todos os outros animais (então não pense que você pode sair matando eles, a primeira ordem de Deus foi para você cuidar do jardim d’Ele!).

Então fico pensando com meus botões que sim, evoluímos e nossa genética continua evoluído. Vamos vencer a AIDS, câncer, diabetes, e outras doenças. Se não fizermos isso com um improve no nosso sistema imunológico, vamos criar drogas para isso. Mas isso todos os animais estão fazendo…. Em relação ao que nos difere dos outros animais, estamos ainda no Gênesis 3: a queda do homem!

Sempre fomos assim, sempre tivemos ódio, sempre tivemos diferenças sociais, sempre oprimimos outros homens. Sempre… Devemos assumir de quem é a culpa de todos os males que há na terra. Não é do Sistema Capitalista, um sistema não massacra o homem, homens massacram homens. A culpa não é da Religião, a religião não oprime o homem, homens oprimem homens. A culpa não é da politica, a politica não corrompe o homem, o homem corrompe a si mesmo. A culpa não é do dinheiro…. Como diria Homer Simpson, “a culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser”! Quer ler mais sobre essa ideia que sempre fomos o que somos, leia “O Homem Eterno” de G. K. Chesterton.

E aonde eu quero chegar com esse texto?

Minha geração tinha um sonho: mudar o mundo! Esse sonho é bobo! Nunca conseguiremos isso… Eu realmente acreditei nisso, mas agora vejo impossível. Já tinha desaprendido a sonhar, quando me voltei ao cristianismo. Achava que a caminhada cristã era esperar o céu, vivendo mediocremente na terra. Felizmente eu estava redondamente enganado!

A ideia de céu é uma coisa que só alcançamos quando deixamos a terra é uma ideia grega. Um judeu do primeiro seculo não era dicotomista, ele acreditava em um céu que vinha até a terra. Quem sabe um Reino, ou uma Cidade preparada desde o principio (Ap 21).

Depois refletindo, vi que nosso dito mestre foi embora e nos deixou uma ordem clara: vocês são meu reino! Esse reino já está implantado, e vocês tem que expandi-lo até a volta do Rei. E quando esse Rei voltar, o Reino será pleno!

Hoje eu estava pensando nisso, em quando minha geração perdeu esse sonho de mudar o mundo….

“Ele ganhou dinheiro
Ele assinou contratos
E comprou um terno
Trocou o carro
E desaprendeu
A caminhar no céu
E foi o princípio do fim”

Os Paralamas do Sucesso

[tube]http://www.youtube.com/watch?v=9JvSfIDNb4Y[/tube]

Cristianismo for Dummies: O Livro

Cristão eram chamados muitos anos atras (não lembro se na idade média pelos povos árabes) de o homem do livro. Sempre estava lendo e consultando um livro. Esse livro é a bíblia. Ainda hoje a bíblia continua a ser a regra de fé e pratica de todos os cristãos.

Mas se uma religião assim, tão divergente internamente, segue um livro só… Como se explica tanta divergência? Seria esse livro tão genérico que cada um interpreta como quiser? Os fundamentalistas que aparecem na TV seguem mesmo esse livro a risca? E os progressistas? Como eles leem esse livro?

Definições

Antes de qualquer discussões, quero definir aqui alguns grupos e como eles leem o livro:

  1. Ortodoxos: Na verdade ortodoxia significa leitura correta. Todos acreditam que são ortodoxos, mas levaremos em consideração O Livro. Então na nossa definição, ortodoxos são aqueles em que o livro é lido por inteiro. Não há textos fora de contextos, para cada conclusão, por mais simples que seja, teria que fazer algumas perguntas ao texto: Era isso que o autor queria dizer? O livro em questão me autoriza, a partir do contexto, a fazer essa conclusão? Há algum ensinamento em todo o Livro que me desautoriza essa conclusão? Feita essas três perguntas, a conclusão pode ser tomada… Seja ela qual for!
  2. Tradicionalistas: São bem parecidos com os Ortodoxos, mas antes de qualquer conclusão eles consultam a tradição. Frase que ouvi de um tradicionalista: “Eu tenho a mesma fé que meus pais tinham”.
  3. Fundamentalistas: São muito parecidos com os tradicionalistas, porém não são abertos ao debate. Se você está discordando de mim, você é uma ameaça para mim e a minha fé!
  4. Pentecostais: O Livro é uma ferramenta para o Espirito Santo me revelar a verdade.
  5. Liberais: O que é a verdade? O Livro contém a verdade… Mas ele não é a verdade. A verdade tem que ser extraída dele, filtrando as partes que acredito que não sejam a verdade.

Essas definições são próprias, podem ser que se pareçam com algumas utilizadas na academia, mas mesmo assim, como a palavra Ortodoxia significa doutrina correta, todos se afirmariam ortodoxos.

Essas  definições não são equivalentes as definições denominacionais! Um pentecostal pode ser liberal, como um Anglicano pode ser Ortodoxo. Um Batista pode ser Pentecostal, como  um Presbiteriano pode ser Fundamentalista.

A frase comum

Já é comum ouvirmos a comum frase: “você não pode levar esse livro ao pé da letra”. Seria essa frase correta?

Liberais

Se formos analisar do ponto de vista dos Liberais, eles já não levam ao pé da letra. Porque como letra não tem pé, eu decido que pé não existe em letra e logo essa frase não é verdadeira, seriam melhor extrai-la do texto! Um exemplo bastante comum de um liberal é um cara chamado Rob Bell. Ele escreveu um livro afirmando nos primeiros capítulos que não podemos construir argumentos baseados na bíblia, pois a mesma não é coerente… Então ele construiu uma “nova” (na verdade já velha) teologia, usando o livro que ele afirmava não poder ser usado para construir argumentos, para explicar que não há inferno e que todos seriamos salvos (isso é, se houver pós-vida)!

Estaria ele correto?

Acredito que não! Vamos analisar qual foi a falhar argumentativa dele! Primeiro para “provar” que a bíblia não era coerente, ele apresentou vários texto em paralelo, mas esses textos estavam fora de contexto. Ou seja, é como se eu pegasse duas frases e colocassem uma ao lado da outra, mas ignorasse aonde ela estava sendo dita! Muitos desses textos tinham contextos completamente divergentes. Ele ainda não foi honesto com a origem do texto, apresentou alguns textos como poesia que não eram poéticos, separando em versos frases que não deviam ser separadas. Assim podemos criar, com um texto apenas, inúmeros sentidos conflitantes.

Pentencostais

Muitos anos atras aconteceu um crime! A bíblia foi dividida em versos!!!! Provavelmente foi na época de Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg. A intenção era apenas poder localizar facilmente um texto… Mas como toda invenção era facilmente utilizada para outro fim, acabou dando vida própria a cada verso! Assim a bíblia, que antes era formada de mais de 60 livros (há variações dependendo da tradição) passou a ser formada por milhares de versos.

Para os pentecostais quem é a autoridade máxima é o Espirito Santo. Mas quem certifica se a pessoa tem ou não o Espirito Santo? Essa é a grande questão. Todos os cristão (com exceção de alguns liberais) acreditam no Espirito Santo, mas eles divergem sobre como ele age e qual a sua finalidade. E o Espirito Santo revela o significado dos textos de acordo com a sua vontade!

Mas e se o significa for de encontro com o livro diz? Isso é possível? Muitos pentecostais preferem ficar com o que o “Espirito Santo” revelou, do que com a explicação de algum “irmão”.

Um texto que nos mostra perfeitamente o que é isso é o verso de Filipenses 4:13 “Tudo posso naquele que me fortalece”. Se eu te apresentar esse texto solto, você entenderá o que? Muitos acreditam que podem milagres! Que as portas do céus vão se mover de acordo com a sua vontade! Que nada é impossível para o cristão!!!!

Eu mesmo já acreditei nisso, devo confessar! Mas o que o autor dessa carta queria dizer para os leitores dela?

Se lermos os versos anteriores, vemos Paulo descrevendo as tribulações que passou na vida:

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” Filipenses 4:12

Dentro do livro, é impossível retirar outro significado do “tudo posso” que não seja: “posso aguentar qualquer tranco”. Aqui não há vitorias, mas significa que o autor podia aguentar qualquer derrota, pois ele era contente com quem dava alegria para ele!

Um amigo me alertou que a nova safra de pentecostais não leem a bíblia, apenas decoram textos falados por seus lideres. Esses vamos colocar na categoria manada!

É bastante comum, um pentecostal, ler um texto inteiro e retirar uma reflexão de apenas um verso.

Infelizmente, depois de muito tempo com pentecostalismo e puritanismo, para os versos mais conhecidos do Livro temos reflexões já prontas em nossos subconsciente que não equivalem ao que está escrito no livro como um todo. Somos treinados a ler esses textos com uma lente que na verdade não é a lente que o autor usava quando escreveu.

Fundamentalistas

Há bem claro dois tidos de fundamentalistas. Um que é extremistas na ideia. E outro que não quer mudar de ideia. Se chamarmos o Marco Feliciano de fundamentalistas, estamos atacando o segundo tipo, pois esse não lê os textos segundo as tradições. Ele lê como um pentecostal, e não dialogo por uma agenda própria.

O fundamentalista clássico lê os textos com as lentes dos pais deles, mesmo que existam evidências que esses textos tenham outras interpretações.

Essas leituras são bastante comuns no gênesis. E eles são os que ainda mantém o mito da criação, onde Deus é um magico que tirou o mundo da cartola, como estava antes de Darwin.

Há também outro ponto de discordância no mundo atual. Vemos nos Estados Unidos, qualquer intelectual cristão que tenha ideias que eles consideram esquerdistas são logo considerados hereges e excluídos do meio.

Esses fundamentalistas são os que defendem a escravidão como bíblica. Ou seja, se você ver alguém realmente dizendo que a bíblia defendia a escravidão, pergunte-se se o texto que a pessoa usa realmente dizia isso?

Tradicionalistas

Esses tem valores bem parecidos com os Fundamentalistas, mas eles suporta (a uma certa distancia) pensamentos divergentes. Uma coisa que vemos bem nos tradicionalistas é a defesa da liturgia.

O culto é como deveria ser. Ninguém pode questionar o culto! Muitos deles não se perguntam como os cristão do primeiro seculo (já que nessa época os apóstolos ainda eram vivos) cultuavam. A maneira correta é como cultuamos hoje!

Será mesmo?

Se formos pensar bem, no primeiro seculo não havia essa ordem litúrgica que há hoje. Não havia essa idolatração da música como unica forma de adoração. Ceia era um jantar comum. O vinho da ceia tinha álcool e era o suficiente para alguns ficarem embriagados. A ceia era um festa, e não um rito fúnebre… Ou seja, havia uma outra cultura cristã que hoje seria considerada ofensiva para quase todas as categorias de cristãos!!!

Ortodoxos

Aqui muitos vão me apedrejar! Quem possui a doutrina correta? Há verdade?

Se considerarmos que o Livro tem a verdade, vemos que há doutrina correta. E que ela não é defendida por nenhuma denominação dos dias de hoje!

Devo esclarecer que Ortodoxia não é um grupo, ou uma doutrina. Mas um padrão que considero inalcançável (mas que deve ser perseguido) nos dias de hoje. Ela só seria real, se conseguirmos (e com certeza não conseguiremos) extinguir o pecado de nossas vidas!

Nas cartas de Paulo, ele manda as mulheres de Corintos não falar em publico, para não se assemelhar as prostitutas da cidade. Mas ele envia uma carta à uma mulher em outra cidade, que seu marido era submisso a ela!

“Saudações a Priscila e ao seu marido Áquila e também à família de Onesíforo.” II Timóteo 4:19

Como podemos defender a ideia de submissão feminina com um trecho como esse? Em nenhum outro ponto Paulo repreende Priscila por ela “inverter a ordem”.

Os cristãos são comumente taxados de serem contras direitos trabalhistas e de reformas estruturais no sistema capitalistas. Mas se formos ler as leis do antigo testamento, vemos perdão de dividas, reforma agraria, obrigatoriedade do cuidado com o mais humilde. E nenhum desses são ideais comuns em nossos meios eclesiásticos!

Pequenos Cristos

Cristão foi uma denominação dada aos judeus que seguiam Jesus Cristo, e significa pequenos Cristos. Então, se formos pensar bem, um cristão deveria agir de forma semelhante a quem ele consideram o Mestre. E isso está especificado no Livro.

Termino com um vídeo do Pondé….

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=zh4gpxMjMic[/youtube]

E fica a questão: No que ele incomodaria hoje? Acredito que ele incomodaria todos as classes. E só seriam considerados Ortodoxos uns poucos cristãos, que hoje em dia seriam considerados loucos!

Cristianismo for Dummies: O suicídio intelectual

Estamos passando por um embate muito forte! Há uma grande discussão midiática com dois lados bem distintos: um acusa todos os cristãos de serem acéfalos idiotas. O outro prova que a opinião do oponente está certa! Não há quem nos defenda na mídia! Por isso, como um bom cristão esclarecido (que até frequentou a melhor universidade do Brasil, em um curso bem disputado, e fez matérias de muitos outros cursos) resolvi criar um pequeno guia para combater preconceitos bobos.

Resolvi usar o termo “for Dummies”, que apesar bastante comum em livros americanos, significa “para idiotas”. Mas não se ofenda, não estou lhe chamando de idiota. Ou talvez esteja! Mas quero apenas combater alguns preconceitos, muitas vezes justificados por nós mesmo!! As vezes que retiro isso de “pre” e coloco como conceito mesmo!

O suicídio intelectual

A principal ideia é a do suicídio intelectual. Muitos acreditam que acreditar em um Deus, principalmente o Deus cristão, é assumir sua Esquizofrenia em publico! Há pessoas que chegam ao cumulo de falar que não podem haver cristãos em uma faculdade…. Bom, como rebater isso?

Poderíamos até abusar do pre-conceito da pessoa! Como uma vez vi em uma entrevista uma pessoa falando que alguém com uma cosmovisão cristã não deve ser respeitada, mas o mesmo era de uma religião afro-descendente?!?!!?!? Como pode alguém argumentar que você é idiota porque acredita no sobrenatural, mas ela não, mesmo ela acreditando em outro tipo de sobrenatural!!! É, essa pode ser uma defesa… Mas é muito caricatural e burra! Há defesas mais rebuscadas!

Vamos começar primeiro com o principal. De que somos acusados?

Muitos acusam o cristianismo de ir contra a ciência. Temos primeiro que questionar dois pontos: a que a ciência se destina, e como ela é executada. Alguns acreditam que a ciência aposentou o conceito “deus”… Mas será que aposentou mesmo?

A ciência é baseada no método cientifico! Algo bastante interessante, fala que um evento só pode ser comprovado se ele possa ser repetido. Assim, você que fez faculdade, cansou de fazer experimentos e relatórios, onde havia uma base teórica, e um experimento onde quem lesse aquele relatório deveria chegar aos mesmo resultados que você chegou! Bem isso é a ciência! Não estou aqui para colocar em duvida nenhuma descoberta cientifica! Estou aqui apenas para questionar: a ciência matou Deus?

Antes de bater o martelo, vamos definir dois conceitos: o material e o imaterial.

Material é tudo aquilo que existe nesse universo. A cadeira que estou é material. A água que bebo é material. A minha carne (fisiologicamente falando) é material. O átomo é material. O elétron é também. Até a luz é! Ainda há inúmeras partículas que são material que ainda não foram descobertas. Mas um dia farão parte de algum experimento, que será descrito em algum relatório, onde alguém em outro lugar vai poder repetir e chegar aos mesmo resultados. O

Ou seja, o imaterial é tudo para alguém simplesmente materialista (filosoficamente falando)!!

Mas o que foge ao material, você deve se perguntar? O que é imaterial!

Tente definir o que é espirito! Segundo a ciência é uma serie de reações químicas que nos fazem existir! Não nego que seja uma serie de reações químicas que comprovam que estamos vivos… Estou apenas estendendo o conceito!

Imagine dois conjuntos. O material só se refere aquilo que é palpável. E o imaterial se refere aquilo que não é desse universo, mas está aqui! É como tivéssemos dois conjuntos. Nosso universo é tudo que é material, mas ele foi criado por algo imaterial (poderia ser Deus) e esse imaterial não faria parte desse universo. Logo este imaterial não poderia ser explicado, e nem comprovado por algo material! Ou seja, a ciência nunca matará Deus!

Eu não entendo de filosofia, mas já ouvi algumas pessoas que entendem discutindo. E há um consenso, pessoas que acusam uma religião de negar toda a ciência tem uma péssima base filosófica, pois a religião e a ciência tem bases epistemológicas diferentes! Palavras bonitas, né?

Bom, mas e se meu pastor falou para eu não acreditar no que a ciência diz? Nesse caso temos dois problemas. O primeiro é que seu pastor, ou o pastor em quem você quer pautar sua defesa, deseja atuar em uma área que não é dele. Nesse caso, você pergunte onde ele estudou biologia ou física. O segundo problema é uma mente materialista imaginando coisas imateriais, esse erro normalmente ocorre para se referir a criação do mundo. Deus é imaterial, e ele pode ter criado o mundo usando suas mãos imateriais (isso é se forem realmente mãos) e tudo se formou. Porém nesse universo, o imaterial aconteceu de alguma forma! Não há coelho e cartola. Deus não é magico. Se ele fez, deve ter feito de algum modo que poderia ser explicado de alguma forma que ele não exista, pois ele não é limitado a sua criação.

Poderíamos discorrer muito mais…. Mas essa é basicamente uma questão simples! Se há um Deus e ele criou o universo, logo Ele não pertence a esse universo, então esse universo não poderá provar se ele existe ou não!

Os vários homens de aço

Esse não é primeiro post sobre o filme novo filme do Super-homem, confira aqui o primeiro….

Acabei de ver o novo Super-homem dirigido pelo Zack Snyder. Confesso que me surpreendi!

Não gosto desse personagem, ele sempre foi o simbolismo do homem perfeito: branco, protestante, americano e patriota. Mas dessa vez a tônica foi um pouco diferente, talvez você não tenha percebido se você acreditar que o esse “herói” surgiu na década de 30, ou se você acreditar que esse personagem é uma criação do governo americano. Em qualquer uma das hipóteses anteriores, você está errado! Esse personagem surgiu nos anos de 1880 (entre 83 e 85) e foi criado por uma alemão! E há inúmeras citações a esse personagem no filme! Alias, deixe-me ser bem claro: esse filme é o combate do super-homem nietzscheano com um outro…

Como diria Jack, o Estripador, vamos por partes….

Quem é o Super-Homem de Nietzsche?

Acredito que o horário não me deixa tentar descrever claramente quem é essa criação de um filosofo alemão, então como bom filosofo de orelha de livro, irei apela para Wikipedia!

Nietzsche afirma que podemos nos tornar o Super-homem:

  • Através da transvaloração de todos os valores do indivíduo;
  • Através da sede de poder (vontade de potência), manifestado criativamente em superar o nihilismo e em reavaliar ideais velhos ou em criar novos.
  • E, de um processo contínuo de superação.

Acho que essas definições de Wikipedia não ajudam, certo? Então vamos deixar bem claro. Segundo ele, até aquele ponto, nossos valores eram nos dados pela igreja. E ele acreditava que visto os avanços da ciência, o homem não precisava mais da igreja lhe atribuindo valores, ele poderia encontrar em si mesmo os valores que precisa. Assim ele seria a fonte de todos os valores, e não a religião! Assim nascia o Übermensch (ou super-Homem ou além do homem).

Vale ressaltar que não sou filosofo, e não desejo ser! Apenas li um pouco… As definições aqui podem estar erradas!

Você é um fraco Kal-El!

Se você rever um filme, verá as palavras desse alemão de nome difícil na boca da amiga do General Zod enquanto ele luta com o superman: Se você não superar a sua moralidade, você será um fraco! Até essa frase, eu achava que era um pouco exagerado a comparação entre o Clark Kent e Jesus Cristo, mas se você reparar bem, esse é o discurso do filme.

O anti-superman (ou melhor, a negação do super-homem nietzscheano) surgiu por volta do ano 30 do seculo I. Quando um simples carpinteiro, com 30 e poucos anos, subiu em um monte e disse:

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.

As comparações entre esse jovem carpinteiro e o jovem fazendeiro do filme são inevitáveis. E eu acho que esse é o recado que esse filme nos dá!

Vivemos em um mundo sobre a sobre do super-homem de Nietzsche. Ele é quem governa nossa sociedade. É o discurso que ouvimos todos os dias: você é a melhor pessoa para decidir o que é certo ou errado! Você! Você! Você! Não há moral fora da sua moral, ela é a unica certa. Você está certo, pois não há certo. Não há errado! Há apenas você!

E aquele jovem fazendeiro? Como ele pensava: devo me entregar para salvar os outros? Sim! Há uma moral que não vem de mim, e ela me ensina: ame ao seu próximo, como EU vos amei! Esse eu aí, se entregou…..

Evangélicos: Um novo grupo político

42-19288441Provavelmente você que está lendo isso já algum dia se identificou com evangélico! Se não, substitua todas as vezes que eu citar essa palavra novamente por a de algum grupo que você pertence.

Nessas ultimas semanas tem rolado na mídia a noticia da prisão de um homem. Autodenominado pastor. Trabalhou um bom tempo com presidiários Não me interessa o mérito dele ser preso. Quero me atentar para outro detalhe de tudo isso.

Depois da noticia, muitos evangélicos correram para defender o tal “pastor”. Acreditavam que tudo isso era jogada politica de tal televisão, para denegrir a imagem do grupo.

Grupo? Eu fico me perguntando por que eles têm essa consciência de grupo? O que realmente os une?

Caso fosse um grupo religioso, eles deveriam saber que todas as religiões têm dogmas e conceitos. Curioso, fui até o site da seita do tal “pastor” para ler a carta de doutrina deles. Não há referências ao o que eles acreditam ser Deus. Não há referências a como o homem deve se comunicar com Deus. Não há referências ao o que define o sacerdote. Como é feita a adoração. Qual a situação humana. Não há referências a nenhum conceito que uma religião trataria. Havia referências apenas ao que vestir e beber…

O que isso nos revela?

Qualquer religião que se preze, tem por objetivo religar o homem a Deus. A cristã parte do pressuposto que isso é impossível, pois o homem nunca alcançará Deus, por isso Deus fez o movimento contrario. Nesse “religamento” tem que responder a grande duvida do universo: “porque temos a impressão que tudo está errado?”

Isso não era respondido na carta de princípios Não posso afirmar nos cultos deles, mas visto o padrão dessa classe “religiosa”, provavelmente ele não responde.

Bom, onde quero chegar com esses questionamentos?

Fica claro que esse grupo denominado evangélico não tem preocupação com dogmas e teologias Estou apenas preocupado com o grupo, em fazer parte do grupo e defender o grupo. Inconscientemente eles precisam desses discursos feitos pelos pastores. É exatamente o que eles precisam ouvir. Um caminho para a salvação. Uma maneira de se reconciliar com deus.

Mas quem é esse deus? Muito provavelmente esse deus não é o Deus cristão. É um deus materialista. Deus que faz barganhas. Que pune aquele que erra, é um deus que alguns conseguem o agradar. Ao Deus cristão, ninguém consegue agradar, só aquele que entende que nada do que ele fizer o trará para perto de Deus é que consegue chegar perto desse Deus.

Mas então, se são deuses totalmente diferentes… Porque alguns cristãos tentam defendê-lo como se ele fosse um cristão?!?!

Há algumas suposições.

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A primeira é que os cristãos estão se identificando não como um grupo religioso. Se fosse isso a discussão seria em torno das doutrinas. Mas como um grupo politico. Grupo politico no pior sentido. Aquele que é contra de outro grupo, mesmo tendo ideais similares. Partidaristas da pior espécie!

Outra suposição, é que os grupos cristãos que os apoiam são amantes da ignorância. Não sabem no que creem por isso qualquer que utilizar o mesmo nome, será considerado do mesmo grupo.

E quem são esses pastores?

Devemos analisar o surgimento dessas igrejas não pela ótica religiosa. Mas pela ótica econômica. Há um mercado em franca expansão. O mercado de vidas. Muitos estão sedentos por uma espiritualidade que não irá confronta-los. E muitos estão sedentos por dinheiro. Quem alimentar essas duas necessidades do nosso povo irá ter sucesso. Temos um contingente de ignorantes que tem crescido financeiramente, mas continuam ignorantes. São semianalfabetos. Não sabem distinguir quem é um aproveitador, ou não.

E o que fazer?

Fico na duvida de como agir. Tenho apenas um ideal nessa vida: o Reino de Deus. Qualquer um que pelo nome de Deus não estiver lutando pelo Reino, está em confronto direto com Deus. Com os que têm ciência do erro que estão cometendo, entro em conflito direto! Com os que ainda são ignorantes… Só me resta orar, e tentar criar duvidas em suas cabeças. Pra quem sabe vir à decepção e com a decepção a verdade. A verdade liberta!

A resposta é a diferença entre Elfos e Homens

Domingo de manhã já acordo com o peso na consciência de não estar na igreja. Isso tem sido rotina em minha vida, mas desde que comecei a ler e estudar sobre teologia, a EBD tem sido enfadonha. A maioria dos nosso professores criam o conhecimento do nada. Eles estão embalados pela “nova” doutrina do Espírito Santo, ressuscitada no século XX, de que não é necessário a capacitação, o espírito trará o conhecimento. Bom, não concordo muito com isso (também não discordo totalmente), ainda fico com os muitos anos que Paulo ficou na “geladeira”, com os 30 anos (na verdade foram bem mais) que Jesus esperou para começar seu ministério. Resumindo, quem se dedica a estudar consegue ver com mais clareza.

E é clareza que falta no domingo pela manhã no facebook! Antes de continuar o texto, vou-lhes mostrar o vídeo que vi!

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=VkCOGHOMsxM[/youtube]

É impressionante acreditar que isso é um debate de dois pontos de vista. Tento com todas minhas forças ver assim, mas no fundo é um debate acalorado sobre a fé irracional de dois grupos distintos de materialistas! Consegue ver assim?

Explicando…

Vamos com calma! Alguns anos atrás eu também não entenderia. Mas é preciso colocar em pratica aquilo que lemos, aplicar na nossa vida cotidiana, renovando a mente.

Primeiro quero definir o que é materialismo, depois eu chego nos Elfos! Desculpe-me por usar a wikipedia, mas não acho justo ligar para meus amigos das Ciências Humanas e Filosofia domingo pela manhã….

Da wikipedia, Materialismo é:

Em filosofia, materialismo é o tipo de fisicalismo que sustenta que a única coisa da qual se pode afirmar a existência é a matéria; que, fundamentalmente, todas as coisas são compostas de matéria e todos os fenômenos são o resultado de interações materiais; que a matéria é a única substância.

Não sei se é possível compreender a definição, mas o que ela diz é que um materialista acredita que tudo é matéria e não há nada além da matéria.

Pensando sobre esse assunto e analisando nossas aulas de EBD, vejo que muitos dos nossos professores são essencialmente materialistas. Acreditam em um deus, mas o colocam como matéria. Não quero lhe forçar minhas convicções sobre esse assunto, prefiro que você chegue as suas próprias conclusões, analisem o que ouvem.

Mas voltando ao vídeo. Se analisarmos bem, os dois lados são materialistas. O pastor e o padre preferem desmerecer o texto bíblico a rebater o argumento do ateu. Porque isso? Porque TODOS eles acreditaam que a morte é o fim de tudo! Se pensarmos que a morte é o fim de tudo, acreditamos que tudo é material, e quando acaba a matéria acaba tudo! Mas será assim mesmo? Se Deus me levar hoje, isso seria extremamente triste pra minha namorada, e para minha família. Mas e do ponto de vista d’Ele? Isto seria um ato de maldade?

Seria muita pretensão minha responder essa pergunta, temos 20 seculos de pensadores cristão que deve ter, em algum momento da vida, pensado sobre isso. Com certeza, eles tem respostas melhores que a minha! Por isso escolho J. R. R. Tolkien, que apesar de não ter escrito teologia como teologia, deixou ela clara na sua obra. Só trocarmos os nomes e vemos que o que ele fez foi aplicar sua leitura da bíblia em uma pseudo-mitologia. Em O Silmarillion ele explica bem a questão materialista:

Inclui-se, nesse dom de liberdade, que os filhos dos homens permaneçam vivos por um curto intervalo no mundo, não sendo presos a ele, e partam logo, para onde, os elfos não sabem. Ao passo que os elfos ficam até o final dos tempos, e seu amor pela Terra e por todo o mundo é mais exclusivo e intenso por esse motivo e, com o passar dos anos, cada vez mais cheio de tristezas. Pois os elfos não morrem enquanto o mundo não morrer, a menos que sejam assassinados ou que definhem de dor (e a essas duas mortes aparentes eles estão sujeitos); nem a idade reduz sua força, a menos que estejam fartos de dez mil séculos; e, ao morrer, eles são reunidos na morada de Mandos, em Valinor, de onde podem depois retornar. Já os filhos dos homens morrem de verdade, e deixam o mundo, motivo pelo qual são chamados Hóspedes ou Forasteiros. A morte é seu destino, o dom de Ilúvatar, que, com o passar do tempo, até os Poderes hão de invejar. Melkor, porém, lançou sua sombra sobre esse dom, confundindo-o com as trevas; e fez surgir o mal do bem; e o medo, da esperança. Outrora, no entanto, os Valar declararam aos elfos em Valinor que os homens juntarão suas vozes ao coro na Segunda Música dos Ainur: embora Ilúvatar não tenha revelado suas intenções com relação aos elfos depois do fim do Mundo; e Melkor ainda não as tenha descoberto.

Bom, se você ainda não entendeu vou deixar mais claro. A morte é um dom que nos liberta para verdadeira vida! Então esse argumento bobo de que Deus é mau por ter matado muitos na história é falho. Não deveríamos questionar as mortes, mas o nosso julgamento de valor sobre elas. Deus ter matado crianças no antigo testamento faz dele mal?

Para os ateus, e sua visão limitada ao materialismo sim! Mas para o cristão, que além de acreditar em tudo que um materialista acredita e mais no sobrenatural, não! Tudo depende da sua cosmo visão, mas o que vemos  no vídeo são dois grupos com pessoas que possuem a mesma cosmovisão: tudo se limita ao material!

Expandindo o argumento

Ainda dá para pensarmos mais sobre materialismo. Outro dia saiu uma noticia na Folha sobre uma entrevista em que Richard Dawkins afirmava “Não devemos respeitar crenças contrárias ao consenso científico“. A grande questão é: o cristianismo é contra o consenso científico?

Primeiro devemos limitar o que se refere o consenso científico. A ciência é um método para validar conceitos materiais. Ela não se aplica ao imaterial! Até mesmo os estudos recentes da física moderna, sobre a matéria e sua relação com a energia, são conceitos desse mundo  material.

Mas devemos lembrar que Dawkins é um biólogo, provavelmente ele está falando da evolução, logo vamos partir pra biologia.

Deus me deu o privilégio de, por meu esforço próprio, ficar 6 anos (e ainda moro ao lado) em uma das maiores universidade do Brasil. Há grandes pesquisadores fazendo e pensando ciência poucas quadras da minha casa. Convivi também com o conceito de universidade, ao contrário de muitos dos meus amigos estiveram em uma universidade, mas não fizeram nenhuma matéria fora do currículo base deles. São engenheiros, filósofos, advogados. Eu pude dialogar e conviver (muitas vezes por morar juntos, pois tive que sair da casa dos meus pais e morar com até 17 pessoas em uma casa!) com pessoas de outras realidades acadêmicas. E fui obrigado a fazer matérias de todos os ramos do conhecimento.

Meus diálogos com pessoas da biologia foi muito proveitoso, pois pode observar que existem biólogos cristãos evolucionistas que acreditam no Gênesis exatamente como ele está escrito!

Então Moisés e Darwin são brothers?

É tudo obra de alguém que conhece todos os processos? Ou de um grande mágico?

É tudo obra de alguém que conhece todos os processos? Ou de um grande mágico?

Sim! A minha conclusão sobre conviver com muitos biólogos é que se olharmos cientificamente e culturalmente para o Gênesis, vemos a descrição da evolução, conforme é creditada pela ciência, descrita por Moisés. Lembre-se que Moisés era um pastor de ovelha que viveu no Oriente Médio no século XV antes de Cristo!

Essa afirmação pode parecer bombástica, mas não é! O grande problema é que a maioria dos nosso pastores e teólogos não estudam biologia. A maioria dos nosso biólogos criacionista estudam biologia apenas para provar que Darwin estava errado. E a maioria dos nosso biólogos evolucionistas ateus, estudam biologia com intuito de provar que deus está errado. Todos esses grupos tem interesses bem definidos e num deles está atrás do que realmente aconteceu, mas apenas quer desmascarar outro grupo!

Se usarmos a abordagem de diferenciar o materialismo no argumento, da mesma forma que usei com o vídeo, podemos observar ao que o argumento materialista se propões e ao que o argumento cristão se propõe.

Darwin quis descrever como o mundo materialmente foi criado e como as espécies evoluíram. Se ele era materialista ou se seus discípulos são materialistas, estes devem se ater ao argumento materialistas! Se há evolução, ela é prova de que não existe Deus? Não!!!

Os cristãos devem acreditar no argumento materialista, pois ele explica a matéria.  Mas devem crer que suas crenças vão além da matéria. Sim! Pode ter existido Evolução, Big Bang, etc… Mas e se tudo isso foi confeccionado e arquitetado por uma inteligência superior? Por um Deus? Essa é a resposta do cristianismo aos Elfos que não tem uma perspectiva de vida acima do sol.

Mas infelizmente muitos dos nosso professores são materialistas…

Seria Deus a imagem de um velho Xamã?

Seria a imagem de Deus um velho Xamã?

Se perguntarmos: Como é Deus? Muitos desenharão um senhor idoso com cara de bonzinho. Isso somente prova que somos materialistas. Podemos desenhar Deus? Podemos limitar ele a uma representação carnal? Até podemos, mas aquilo deixará de ser Deus ser será uma representação de Deus!

Aí podemos pensar: “Mas somos feitos imagem e semelhança d’Ele“! Sim, concordo absolutamente com a afirmação. Mas não sou materialistas. Não acredito que Deus tenha duas mãos, até porque todo e qualquer homem que não tenha um braço (e olha que já vivi alguns meses com essa perspectiva) não será a imagem de Deus. A grande questão é: Qual a imagem de Deus no homem, visto que somos muito mais do que apenas carne?

Quem escreveu o Gênesis caminhou pela terra durante a criação. Ao lado de Deus quanto ele explicava: “Vimos que tudo era belo”! Há uma grande afirmação teológica aqui que é supra-material e não é levado em conta, nem pelos materialistas e nem pelos criacionistas! Deus é único e plural sem se contradizer! Não estou dizendo que ele é esquizofrênico! Estou dizendo que ele tem a capacidade de ser relacionar consigo mesmo e ser um ao mesmo tempo que é Criador (Pai), Salvador (Filho) e Consolador (Espírito Santo) ao mesmo tempo!

Muitos de nós não pensamos sobre isso. Aceitamos que Deus é trino. Aceitamos que Deus tem duas orelhas. Mas Deus tem duas orelhas? Questionar sobre o que é ser imagem e semelhança, é errado? Questionar é aceitar ter uma fé fraca?

Questionar não é uma falha de fé! Questionar é ter a fé de que das dúvidas há uma resposta lógica. Uma resposta que além da razão ela será respondida com a  fé. A Fé e a Razão nunca deve estar em lados diferentes de um ringue. Elas devem estar no front de batalha contra a dúvida. Se ficarmos com a duvida é porque não temos fé que a nossa Fé possa responder nossas dúvidas!

Mas e a reposta?

A reposta pra imagem e semelhança está na conjugação do verbo e não no verbo!

Deus não é UM velhinho! Deus é um Criador que se relaciona com um Consolador e com um Filho. E que criou o homem e deu a ele o poder de se relacionar, de criar, de consolar e de precisar ser consolado! Deu nos o poder de ser como Deus! E que o homem escolher ser igual a Deus, de conhecer o bem e o mal. Escolheu a cada dia praticar humilhar o próprio Deus humilhando a imagem dele no homem.

Esse argumento os ateus não conseguem racionalmente explica: a origem do mal, e porque o homem busca o bem….

Deixo em aberto, porque há mais perguntas que respostas…

Fé cega, faca amolada

“Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu
vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos
conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” | João 13:34 e 35

Quando Rosa Parks se negou a ceder seu lugar no ônibus a uma mulher branca, nos Estados Unidos dos anos 1950, havia um pastor ao seu lado para protestar contra segregação racial. Ele liderou esse movimento por anos. Enfrentou ameaças e ataques. Seu nome era Martin Luther King. E sua participação foi decisiva na luta contra a discriminação não só nos transportes, mas em toda a sociedade norte-americana. Foi assassinado brutalmente. Mas virou herói em seu país, e, hoje, não é possível falar de Direitos Humanos ou minorias sem citar sua enorme contribuição.

Esse movimento de mais de 60 anos atrás me lembra de que, quando a fé encontra a ação política profética, não precisa necessariamente se transformar em acusações, falso moralismo ou hipocrisia. Antes, pode ser traduzida em ação contra a injustiça, a favor da inclusão e pela paz. Infelizmente, porém, parece que o modelo capaz de combinar atuação pública relevante e cristianismo genuíno está sendo ignorado por alguns daqueles que resolveram se dizer porta-vozes da Igreja brasileira.

Tenho acompanhado com perplexidade – e, tenho de dizer, com constrangimento – o noticiário dos últimos dias. A conclusão é óbvia: a plataforma dos Direitos Humanos virou palanque predileto de um certo povo lá de Brasília… Usar tema dessa importância só pra se promover já não seria coisa boa. Porém, se ao menos estivessem batendo bumbo contra a corrupção, a violência e a injustiça vá lá… Mas não. O que estão fazendo é acentuar preconceitos e rancores, estimular a exclusão e o racismo, e defender a intolerância. E o pior: tudo isso em nome de Deus (e no meu e no seu nome também!).

É evidente que, num país democrático, ninguém pode impedir quem quer que seja de expressar suas opiniões, valores e crenças. E o princípio vale também para nós, evangélicos, que temos de ter liberdade para dizer o que pensamos. Não se combate intolerância com intolerância, nem fundamentalismo com mais fundamentalismo. Sem dúvida, repudio qualquer tentativa de cerceamento desse direito. Porém, não podemos nos esquecer de que Jesus veio a esse mundo com a missão de salvá-lo e não de acusá-lo.

Quem me conhece, sabe da minha militância de quase 20 anos pelos Direitos Humanos. Sabe de minha luta e da luta do grupo que represento para garantia de direitos aos pobres, aos injustiçados, aos mais fracos, aos escravizados… E, na semana que passou, fui ao plenário e me posicionei contra essa redução da agenda bíblica de transformação social a questões de sexualidade. No entanto, não protestei como ativista do tema: discursei como cristão.

Fui ao microfone e critiquei esse modelo de política e púlpito que explora questões étnicas ou de sexualidade em troca de lucro eleitoral (ou seja, voto). Mas, sobretudo, usei meu pronunciamento para pedir perdão. Sim, dirigi-me aos não-crentes, àqueles que não professam a mesma fé que eu e você, e pedi que nos perdoassem se, de alguma forma, o barulho que está sendo feito os estiver impedindo de entender a verdadeira mensagem de Jesus.

Há mais de dois mil versículos na Bíblia falando sobre o cuidado com os pobres e aproximadamente seis tratando sobre homossexualidade, por exemplo. No entanto, não se vê nenhum projeto para atender a quem sofre. Pergunto: Quantas vezes Jesus falou sobre homossexualidade? Respondo: Nenhuma… No topo da lista dos confrontados pelo Mestre estavam os homossexuais? Ou eram os hipócritas religiosos de Sua época? Por que, então, super explorar alguns temas de forte apelo eleitoral e desvalorizar outros, claramente enfatizados pela Bíblia e por Jesus? A quem interessa reduzir a essência amorosa e transformadora da mensagem de Jesus à agenda moralista? Será que esses que fecham os olhinhos diante das câmeras da imprensa, parecendo muito espirituais, não os mantêm bem abertos, fixos nos votos que podem tirar de todo esse teatro?

“Errais não conhecendo as Escrituras”, diz a Palavra. E o problema fica ainda mais agudo quando esse discurso sem amor ou sabedoria contamina algumas igrejas. Aí, é mesmo como na velha música: fé cega, faca amolada. Crentes sinceros têm aderido a essa ideologia esdrúxula, sem saber que estão assumindo uma agenda que nada tem a ver com os reais desejos do coração do Pai.

Atenção, caro leitor. Não estou propondo que essa ou aquela prática seja, agora, legitimada. Há questões que são específicas da Igreja. E outras que são de Estado. Não apoio aqueles que tratam a nós, evangélicos, como ignorantes. Minha fé e minha consciência cristã não estão alinhadas a esses que querem impor no grito sua condição como regra. Defendo que respeitem a nós, evangélicos, com o mesmo respeito que têm exigido.

Porém, o que acontece é, no meio de todo esse barulho, a ideia de cristianismo transmitida está errada. O testemunho público está ruim. Pesquisa recente, realizada pelo Barna Group, nos Estados Unidos, questionou jovens não-cristãos sobre sua percepção sobre os cristãos. O resultado? Para eles, a principal característica dos crentes é a de ser anti-homossexual. Triste conclusão a de que cristãos estejam se tornando mais conhecidos pelo que são contra do que pelo que são a favor. Vale a reflexão. Essa com certeza não era a impressão que as pessoas tinham ao encontrar Jesus ou os irmãos da primeira Igreja.

Perde-se tempo com discussão de modos e costumes, quando uma agenda cristã contemporânea, biblicamente fundamentada, conduzida com honestidade e humildade, poderia diminuir a violência, lutar por melhores condições de saúde, erradicar a pobreza e a escravidão moderna, cuidar da Criação, fortalecer as famílias, promover o respeito à sacralidade da vida humana e sua dignidade intrínseca – bem ao contrário dos absurdos que temos visto.

A esses pastores ou políticos que se autodenominam defensores dos evangélicos, lembro que a Igreja já tem em Cristo o seu maior e suficiente defensor. As vozes cristãs que mais foram ouvidas e mais transformaram a história da Humanidade não foram essas que se apressam em julgar e condenar. Foram aquelas que pregaram e viveram a essência da mensagem de Jesus: o amor, a paz, a justiça, o perdão, a tolerância, a não violência, a defesa dos mais frágeis, a vida com integridade. Foram vozes que se levantaram contra o racismo e a hipocrisia religiosa.

Salve Mandela, salve Desmond Tutu, salve Martin Luther King, Bonhoeffer, Wilberforce, Jaime Wright, Robinson Cavalcanti! Com esses, estou alinhado, hoje e sempre.

Por Carlos Alberto Bezerra Jr

Depois de tudo…

Esse é o resumo de uma mensagem baseada no ultimo capitulo do evangelho de João

A Desilusão

Hoje é muito comum ouvirmos um evangelho triunfalista. Deixem eu desenvolver a ideia. Na maioria dos púlpitos não há lugar para lugar para a tristeza, a desilusão, a queda, o medo, a incerteza, a duvida, ou qualquer outro sentimento que nos tire a paz da consciência! Muitas vezes nos é passado como se o cristão fosse imune a todo e qualquer incerteza, como se a vida fosse apenas uma crescente.

O velho mar...

O velho mar…

Mas o Pedro dos primeiros versos (v. 3) desse texto demonstra o contrario. Ele resolve ir pescar!

Pescar. Essa pode ser uma atitude simples, mas não quando isso faz parte do seu passado. Havia uma missão dada aos discípulos (que depois seriam chamados apóstolos). Pedro estava voltando a sua vida pregressa. Como se tudo o que ocorreu nos anos anteriores não passasse de uma fase. Eu classificaria esse sentimento como desilusão. Seu mestre estava morto! Ele havia aparecido apenas duas vezes depois da morte, mas não falou nada concreto. O reino que Pedro tanto esperava não estava instaurado. Parecia que tudo continuaria igual a antes do mestre chamar.

Mas…

O mestre reaparece novamente! Exatamente do mesmo jeito que apareceu pela primeira vez. Ele prepara uma refeição. Traz um pouco da felicidade de volta. Mas na memoria de Pedro ainda estava o fracasso. Ainda lembrava da traição. Ele havia prometido que protegeria seu mestre de tudo. Mas Jesus havia sido morto. Pedro havia falhado. Pelo menos era isso que ele pensava.

Muitos gostam de focar nas três perguntas que Jesus faz a Pedro, diferenciar os amores, etc… Acredito que aqui Jesus tinha uma mensagem clara ao coração de Pedro. Pedro sempre prometia o maior dos amores a Jesus. Prometia a proteção. Mas aqui Jesus questiona o amor de Pedro, mas em momento algum ele exclui Pedro dos seus planos. “Pastoreie as minhas ovelhas”.

Quando eu era adolescente, naquela época em que queremos nos portar como adultos, uma senhora me deu um conselho que guardo até hoje. Ela falou que maturidade é ter a idade certa na hora certa. Hoje eu trocaria a palavra idade por atitude. E com isso veríamos a relação com a ultima fala de Jesus. Essa é o momento que Pedro poderia ter duvidas, mas também é momento de pastorear as ovelhas. Depois Pedro seria velho e não teria essa oportunidade.

Hoje temos varias oportunidades de fazer parte do plano de Deus. Seu reino está aí, não como queremos, mas como Deus quer. Nossas incertezas e duvidas servem para questionar como agimos, mas em momento algum o Reino para por nossa causa. É preciso que renovemos nossa mente, assim faremos parte do que Deus tem preparado!

Esperança e saudades…

Após essa conversa, Pedro pergunta sobre o que aconteceria com João.

João era o mais novo dos discípulos. O que mais acompanhou Jesus. E provavelmente deveria ser o único vivo enquanto escrevia esse livro. E esse é o sentimento que eu vejo nesses últimos versos. Saudades do tempo com Jesus. João havia relembrado dos momentos com o mestre e acreditava que veria ele antes da morte. João cria na volta do mestre, como nós devemos acreditar. Esse Reino ainda será pleno como sonhamos!

Jesus não voltou ainda! Mas ainda temos muitas ovelhas para pastorear…..

As lições do Papa Francisco para a Igreja evangélica

Papa Francisco

Retirado de Anno Domini

Enquanto a comunidade internacional festeja a recente eleição do Papa Francisco ao episcopado de Roma, muitos dentre a comunidade evangélica tem respondido com a costumeira ironia, sarcasmo e desdém aos desdobramentos no Vaticano.

Contudo, creio que há várias lições importantes que nós evangélicos podemos aprender com a eleição do novo Papa, dentre as quais:

 

1) Devoção

A nomeação do cardeal Jorge María Bergoglio ao papado romano está coberta de significado histórico. Além de ser o primeiro papa oriundo de terras não europeias em quase mil e quatrocentos anos, este é o primeiro membro da ordem dos jesuítas a ocupar o cargo máximo da Santa Sé.

Historicamente, os jesuítas têm sido uma referência no campo da disciplina, da educação e do ímpeto missionário no Catolicismo Romano. Em resposta à Reforma Protestante no século dezesseis, os jesuítas impulsionaram o movimento da Contrarreforma, investindo pesadamente tanto na educação da Europa a fim de estancar a migração em massa para o campo Protestante, quanto na expansão do domínio da Igreja mediante a conversão e catequização de civilizações colonizadas pelas cortes leais à Roma.

Independente dos métodos e resultados dos esforços jesuítas, a devoção do Papa Francisco às virtudes da sua ordem em muito supera a dedicação evangélica à disciplina, à educação e ao ímpeto missionário característicos dos nossos pais Protestantes dos séculos passados. Isso não significa que não haja hoje no meio evangélico pastores e igrejas comprometidos com a prática de uma vida piedosa e disciplinada, com a instrução paciente e perseverante nas Escrituras Sagradas e com a obediência à Grande Comissão do nosso Senhor Jesus Cristo. Contudo, esses esforços têm se tornado, lamentavelmente, cada vez mais escassos e desconexos entre si no cenário evangélico atual. Mesmo aqueles que promovem o retorno às disciplinas espirituais, à educação na sã doutrina e ao cumprimento da missão do Evangelho têm grande dificuldade em demonstrar a interdependência desses elementos numa devoção rica, profunda e abrangente que renove a fé evangélica em nosso país.

2) Convicção moral

Apesar do avanço do relativismo ético e moral no Ocidente, o Papa Francisco não hesita em denunciar abertamente alguns dos pecados mais notórios dos nossos tempos – o aborto, o divórcio e o homossexualismo – que têm corrompido e desfeito o tecido básico da nossa sociedade.

É triste constatar quantos dentro dos círculos evangélicos têm titubeado e tropeçado nesse ponto. Temos nos tornado cada vez mais reféns da cultura do “politicamente correto” e deixado de nos posicionar claramente contra os pecados da nossa época perante a nossa sociedade. Falta-nos coragem e firmeza não só para denunciar tais pecados, mas também para instruir as nossas igrejas – do púlpito à sala de estar – no tocante a uma visão bíblica da santidade da vida, do casamento e da sexualidade para a glória de Deus.

3) Simplicidade

Dentre as muitas qualidades que tem chamado a atenção no Papa Francisco destaca-se a simplicidade da sua vida e do seu serviço. Embora ele ocupe o lugar de maior prestígio e honra dentro da hierarquia do Vaticano, em suas palavras e em suas posturas o Papa tem demonstrado uma simplicidade contrastante com a opulência e as honrarias costumeiras do seu ofício. Além do mais, seus discursos e seu serviço têm demonstrado uma preocupação pastoral em servir as camadas mais simples da sociedade com compaixão e misericórdia.

Nisto também o contraste entre o Papa Francisco e uma parcela significativa da população evangélica salta aos olhos. Enquanto o bispo de Roma promove um retorno a uma vida simples e um serviço pastoral ao próximo, muitos dentro do arraial evangélico promovem em suas pregações e em seu estilo de vida uma ganância e uma ambição características de uma cultura materialista, consumista e narcisista. Quão diferente seria a vida da Igreja evangélica – tanto da sua liderança quanto da sua membresia – se redescobríssemos as virtudes perdidas da simplicidade, da piedade com contentamento e do serviço humilde e abnegado ao próximo.

4) Simpatia

Além de todas as qualidades citadas, resplandece a simpatia e a humildade do Papa Francisco a cada novo sorriso diante das câmeras, cada aceno para as multidões e cada cumprimento de um fiel desejoso por conhecê-lo. Sua simpatia torna-se ainda mais atraente em conjunto com suas demais virtudes, mostrando-nos que devoção, erudição, firmeza de convicção e simplicidade não devem conflitar com uma postura humilde e simpática diante do povo.

Mais uma vez, o contraste entre o Papa Francisco e os nossos “papas” evangélicos é gritante. A arrogância, antipatia e beligerância das lideranças evangélicas diante dos seus opositores e críticos deveria ser motivo de vergonha para todos nós. Não propomos aqui uma mera aparência simpática diante de uma sociedade incrédula e perversa, mas uma postura humilde e autêntica diante das multidões para que ganhemos o direito de sermos ouvidos e proclamarmos o Evangelho puro e simples do nosso Senhor Jesus Cristo.

5) Senhorio

Apesar das muitas qualidades do Papa Francisco, é impossível deixar de registrar que este também é um líder falho como todos os demais. Tanto em suas crenças quanto no seu culto, o Papa defende dogmas e doutrinas que julgamos incompatíveis com as Escrituras Sagradas, tais como a infalibilidade papal, a veneração dos santos e, especialmente, a devoção a Maria.

Porém, nisto também há uma lição importante a ser aprendida. Por mais que os líderes da Igreja evangélica possam atrair e encantar as multidões tanto quanto o Papa Francisco tem encantado os fieis da Igreja Católica Romana, eles também são homens falhos cujos ensinamentos e procedimentos devem ser examinados sempre pela autoridade final das Sagradas Escrituras. Consequentemente, não são estes os homens que edificam e sustentam a Igreja. Somente Jesus Cristo, a pedra angular e Salvador do seu povo, merece tal honra como Senhor Soberano da Igreja.

[author]John McAlister é graduado em línguas antigas e pós-graduado em estudos teológicos pela Wheaton College (2001-2005). Serve como deão acadêmico do Instituto Bispo Roberto McAlister de Estudos Cristãos (IBRMEC) e é pastor titular da Catedral da Igreja Cristã Nova Vida no Recreio dos Bandeirantes (Rio de Janeiro, RJ). É casado com Raquel e é pai de João Felipe.[/author]