Mahmundi, Red Hot, Jake Bugg e Radiohead lançam trabalhos novos

Enquanto a carioca Mahmundi lançou seu primeiro disco cheio, os gringos liberaram singles dos novos trabalhos. Radiohead lança disco neste domingo, 8 de maio.

E a semana foi de lançamentos. A Mahmundi lançou na última sexta (6) um disco lindo, com algumas canções já conhecidas e outras que são grandes novidades. Vale a pena conferir o disco.

Quem também lançou música nova foi o Red Hot Chili Peppers. Dark Necessities até promete em seus primeiros acordes, mas a mim, pelo menos não empolgou. Ainda espero que o disco me surpreenda.

O britanico Jake Bugg, que já foi até comparado aos irmãos Gallagher, também apresentou sua nova canção. Love, Hope And Misery. A nova música traz uma bela linha melódica, lembrando em certos momentos os timbres usados pelo Alabama Shakes. Mesmo tendo sua bandeira fincada no Folk, Love, Hope And Misery da indícios de que o garoto pretende explorar outras vertentes musicais. Estou bem ansioso pra ouvir na integra o sucessor do aclamadíssimo Shangri La. Vale lembrar que Jake tem apenas 22 anos. É muita maturidade, não é?

Mas quem quebrou mesmo a internet essa semana foi o Radiohead. Depois de cometer “suicídio” digital e apagar tudo de todas as suas redes sociais, os ingleses divulgaram duas músicas, Burn The Witch e Daydreaming.

Daydreaming inclusive ganhou um clipe feito pelo cineasta Paul Thomas Anderson (Magnólia, Sangue Negro). O clipe é denso e deixa muito aflito quem assiste. Obra prima! O disco sai amanhã dia 8 de maio em formato digital. Quem quiser obter uma cópia física, poderá comprar a partir do dia 17 de Junho.

Dê o play e acompanhe nosso querido Thom Yorke a vagar por aí!

Grande abraço,
Raphael Phields.

Tanlan lança o single “A Maior Aventura”

Em trabalhos anteriores, a Tanlan (conhece pouco a banda? Ouça essa entrevista muito legal aqui!) já havia dado prévia do que estava a caminho através de singles, mas pela primeira vez o single vem acompanhado de um clipe.

A Maior Aventura, o clipe, foi dirigido por Mateus Raugust e filmado no Jockey Club de Porto Alegre; A Maior Aventura, a canção, foi mixada e masterizada por Rodrigo Del Toro e nos remete à sonoridade que já conhecemos da banda, e o amor que já foi cantado como sendo o “mais louco do mundo”, agora é colocado como o desafio de “consertar antigos erros, aceitar os mesmos termos” e “dividir um pouco de mim com os outros, e multiplicar um pouco dos outros em mim.”.

De acordo com o vocalista Fábio Sampaio, a banda tem mais dois singles engatilhados, ambos acompanhados de clipes, e após isso eles iniciarão o processo de gravação do sucessor de Um Dia a Mais, ainda sem nome e previsão de lançamento.

A faixa estará disponível dentro de alguns dias em todas as plataformas online, e o clipe está abaixo! Curte aí, é um belo trabalho!

Fiquem na paz.

@marlosferreira

UnderDot entrevista: Marcos Almeida

IMG_20150627_202131790Retomando as entrevistas aqui no UnderDot (já falamos com gente bem legal, como Lorena Chaves, Os Oitavos, Tanlan e etc), agora chegou a vez de um dos caras mais relevantes da música Cristã nos últimos anos, o ex-vocalista do Palavrantiga, Marcos Almeida. Segue o papo:

 

1 – Como está sendo essa turnê “Eu Sarau”, está dentro de suas expectativas? [UND]
A turnê já passou por 11 cidades e superou todas as expectativas, em vários aspectos. Quando se fala de um espetáculo como este, algumas coisas se destacam, por exemplo: eu fiquei um ano longe dos palcos e que agora sigo a diante propondo uma nova experiência, temos um local de encontro não muito frequentado pelos brasileiros, que é o teatro, é uma apresentação solo, o custo de produção é alto… Bem, ninguém apostaria nesse formato, nessa conjuntura econômica que o Brasil vive, chamando um publico para o teatro, um público que me conheceu tocando em eventos promovidos na Igreja ou no circuito cultural evangélico, em sua maioria festivais e conferências. A resposta tem sido surpreendente! Estamos ocupando um lugar na cultura e compartilhando uma experiência inédita. Isso é sensacional!

 

2 – No show de Curitiba da turnê “Eu Sarau” contou com a participação de integrantes do {Sí}monami, em outras cidades também ocorrem participações especiais? Existe algum artista que você sonha em dividir o palco neste espetáculo? [UND]
Nessa turnê, apenas em Curitiba ganhei esse presente de cantar com a Liu e o Jean do Simonami. Nos outros segui a ideia de one man band. Tenho muitos sonhos, mas se eu pudesse dividir o palco hoje, chamaria a Baby do Brasil.

 

3 – O formato dos shows que você vem fazendo e o público que você está atraindo favorece o diálogo com a plateia e a inserção de elementos como a poesia. Você acha que é possível transferir um pouco disso para shows maiores? Seria viável? [UND]
Acredito que sim. Especialmente se for em grandes teatros. O desafio maior surge quando a apresentação acontece em lugares abertos. A parte técnica acaba sendo mais complicada. Mas, dá certo. O Sarau toma um ar de acampamento, de lual, é bem interessante.

 

4 – Música gospel, você acha que este rótulo mais ajuda ou atrapalha? E você se identifica como artista download (1)deste nicho? [UND]
O Gospel no Brasil é um vocabulário de comunicação,  é uma linguagem que muitas Igrejas vieram adotar, desde o final dos anos 1980, para tomar posição dentro de uma cultura mais ampla. Não me identifico com esse estilo de diálogo, embora não falte em mim o respeito e a admiração por tantos irmãos talentosos e piedosos que acolheram esse viés. Acredito que estamos vivendo um pós-movimento-gospel, onde os novos artistas que nascem na igreja ao invés de migrarem para o “secular” como resposta ao descontentamento com a estética gospel, estão inventando uma terceira via. E a medida que a Igreja for se descolando da Publicidade Gospel, isso vai ficando mais claro na cabeça das pessoas; uma coisa é a Igreja que conta mais de 2.000 anos de história, outra é o Gospel que não fez 30 anos. O que parte da Igreja brasileira tem feito agora é desconstruir o manual de comunicação de três décadas que está aí, inventando um novo lugar na cultura brasileira. Certamente isso nos levará para mais perto da rua, do português corrente, um encontro que me anima muito!

 

5 – Você já recebeu alguma crítica de artista bem identificado com o Gospel por não entender o movimento “pós-gospel” que você promove? [UND]
Tenho muitos amigos na música gospel e eles respeitam minha abordagem como eu respeito a deles. E qualquer movimento após, precisa conhecer de perto aquilo que preexiste. São duas gerações que nasceram na Igreja e que cultivam uma convivência respeitosa. Aprendo muito nesse convívio e eu jamais ouvi deles alguma crítica negativa.

 

6 – Como você vê a situação da música Cristã no Brasil do ponto de vista do mercado e da função de propagadora da fé Cristã? [UND]
Não sei falar desse ponto de vista. Invertendo o lugar, falando como um liturgista, acredito que não é bom usar pressupostos mercadológicos para pautar as decisões pastorais e eclesiásticas. Isso é um abuso de poder da esfera econômica sobre a esfera pística. Mercado e Publicidade estão, de certa forma, tentando colonizar a igreja e devemos reagir. 

7 – Mudando de assunto, os serviços de streaming (Spotity, Deezer, Rdio e etc) são a melhor resposta para a pirataria? [UND]
Quanto a prateleiras de música online, talvez essa seja a melhor que temos a disposição no momento. Mas o streaming ainda está muito aquém do que deve ser, especialmente em dois aspectos: na qualidade do áudio e na distribuição de royalties para intérpretes e compositores. Entre tantos outros aspectos, destaco esses. Se olharmos de forma mais abrangente, a melhor resposta para a pirataria ainda se chama show! O espetáculo de música, a experiência de sair de casa, ir ao teatro ou à alguma casa de shows, experimentar uma acústica perfeita, uma estrutura técnica de alta qualidade, uma atmosfera acolhedora e o seu artista no palco. Quem pode piratear isso? Daí, esperamos acabar o show e corremos pra banca de discos do artista, levamos sua discografia, as camisetas, os souvenires. Isso não tem como copiar. 

 

images 8 – Quando um integrante de uma banda (especialmente o vocalista e principal compositor) decide deixar esta banda em um momento, aparentemente, de alta na carreira, muitas vezes o público não entende muito bem e questiona bastante a decisão. Como foi no seu caso, e como você lidou com essa situação? [UND]
Não são muitos os que me perguntam por que decidi sair da banda para trilhar esse caminho desconhecido; essa talvez seja uma pergunta jornalística, porque dos que me perguntaram, todos trabalham para algum veículo de comunicação. Curioso isso, rs…  Mas gosto de pensar que esse foi o meio de me manter na tensão tão útil para a invenção, sair do conforto para encontrar o novo. Acredito que somos tentados a fazer do trabalho um monumento. Mas isso é ruim, por que fomos feitos para o movimento. Depois de sete anos com o Palavrantiga, três discos e centenas de shows, celebro o sucesso que tivemos juntos, vejo os frutos dessa obra e como que soprado pelo vento me vejo agora com uma nova disposição para me encontrar com o futuro.

 

9 – Temos sentido falta de um posicionamento dos integrantes remanescentes do Palavrantiga quanto à continuidade da banda. Você mantem contato com eles? Sabe como está o processo de escolha do novo vocalista? [UND]
Mantenho contato com eles, mas sobre os processos eu não sou consultado em nada. As informações que tenho são as mesmas que foram divulgadas na rede do grupo: o Palavrantiga não acabou e a banda está a procura de um novo vocalista.

 

10 – Você consegue enxergar influência sua e do Palavrantiga em bandas mais novas? Há uma sequência nesse movimento de música Cristã mais “alternativa”? [UND]
Veja: o disco “Sobre o Mesmo Chão”, que deu sequência a um trabalho iniciado em 2008, apresentou um testemunho de que é possível fazer rock nacional a partir dos afetos, sentimentos e experiências de um brasileiro que segue a Cristo e ama sua Igreja. Mas a banda não se filiou a nenhum movimento de música cristã alternativa, com intenções de renovar o cântico litúrgico. É uma abordagem que faz toda diferença; o Palavrantiga como banda brasileira de rock criou uma tensão que será sustentada se as novas bandas não abrirem mão de adquirir a sua cidadania artística dentro da nossa cultura. Essa é a contribuição do Palavrantiga na história. Ao meu ver, foi uma intromissão na linhagem do rock nacional, dando às guitarras distorcidas e a poesia em português uma dicção de esperança.

 Se há uma sequência nesse movimento, deixo que as novas bandas respondam.

 

11 – Quem do “underground” musical você apontaria como boa aposta, e que pouca gente conhece? [UND]
Assisti ao show da banda Nume (de Macapá) e gostei muito. Tem o Brasil Dub e o Gravidade Zion (de Vila Velha). Mas destaco a ressignificação que a Baby do Brasil está fazendo com o seu repertório. Ela retorna ao mainstream com o show Baby Sucessos que está lindo demais. Um atmosfera espiritual incrível. Ela está ampliando as fronteiras !

 

12 – Existe alguma música que você considere como a composição mais importante para sua carreira? [UND]
Acho que “Vem me socorrer”, talvez. Junto dela algumas outras. Mas, como você perguntou qual a canção mais importante, escolho essa hoje. Amanhã pode ser outra, rs.

13 – Já vimos colaborações suas com Tanlan e Lorena Chaves, existe algum projeto em andamento de trabalho seu em conjunto com outros artistas (Cristãos ou não)? [UND]
Sim! Acabei de gravar voz numa bela canção do Hélvio Sodré, chamada “Paraíso” e tenho recebido convites para colaborar como compositor e intérprete em outros trabalhos. Em breve vocês vão ficar sabendo.download

 

14 – Quando você vai lançar um disco solo “cheio”? [UND]
Outubro lanço “Eu Sarau – ao vivo : a banda de um homem só” e em Abril/2016 um CD só de inéditas.

 

15 – Fale-nos sobre seu trabalho literário, livros já lançados e se tem algo novo previsto. [UND]
Em 2014 lancei dois títulos. “Natal nos trópicos – um conto de verão”, com o single “Biquíni de Natal” em Dezembro. Meses antes, publiquei o “Retuíte – frases curtas de longa duração”. Agora estou trabalhando numa coletânea de textos escritos para o Blog Nossa Brasilidade. Ainda não tenho o título, mas estou preparando uma introdução, amarrando algumas ideias que estavam soltas e ajustando algumas passagens. Depois de três anos escrevendo intensamente, a partir das pesquisas da minha equipe (uma socióloga, um teólogo, um físico) e as preciosas contribuições dos leitores, estou relendo tudo com um olhar crítico, buscando tirar dali um texto mais claro, sem perder a autenticidade e os insights do trabalho. Estou empolgado com o resultado que já consegui. Será uma oportunidade maravilhosa; levar para os shows e palestras um material impresso, bem editado, de fácil leitura, com o melhor conteúdo do Blog

 

 16 – Há no Brasil um pedido massivo para que artistas se posicionem sobre assuntos polêmicos, e quando eles se posicionam, na maioria das vezes são criticados por sua posição e escutam que melhor é ficarem calados. Sendo artista e Cristão, você acha que é necessário sempre se posicionar? [UND]
Acho que sempre estamos nos posicionando e o silêncio me parece ser o mais adequado em muitas situações para edificar as pessoas.

 

17 – Em alguns textos do site Nossa Brasilidade você fala bastante da questão da fé na música e na cultura popular brasileira, sem que isso seja necessariamente propaganda religiosa. Você acha que naquilo que você trabalha (ou na sua música), a fé é mais uma questão de identidade do que de religião? [UND]
Sim! É isso: a fé não é um adereço, ela é começo. Ela nos ensina a ver a realidade do jeito que é. Quando colocamos a fé depois das nossas construções, como um enfeite bonitinho e sacralizado, vira essa coisa esquisita que é a religião, um método para escravizar pessoas , para tirar-lhes a visão, para obscurecer a vida.

Quando pensamos que a música, especialmente a canção, expressa os sentimentos e os pensamentos da gente, você entende porque os religiosos contemporâneos, por exemplo, passam mais tempo fazendo propaganda ao invés de fazer arte. Ficam preocupados em criar uma arte cristã, sendo que o cristão é o único que não precisa se preocupar com isso. Existe um rio que flui e que não para de jorrar daquele que tem a fé como fonte. Fizeram da fé uma represa, mas a fé é fonte.

 

18 – Agradecemos muito pela entrevista, e deixamos espaço aberto para considerações finais e um recado pros leitores do UnderDot.
Obrigado pela leitura. Tentei responder da forma mais clara e verdadeira possível. Espero vocês no show, em qualquer canto desse mundo. Incentivo vocês a tirar um tempo, nem que seja mensal, para ir ao teatro. Isso faz bem pra alma. Acho que Deus nos habilitou para a arte afim de nos ajudar a atravessar o deserto da vida, o sofrimento, a dor, o desencanto. A arte tecida na Esperança tem esse poder e faz isso não pela evasão da realidade, ela consegue dar a gente pelo menos duas coisas: um outro olhar para a vida e faz isso criando um oásis no meio do caos.

Somente rock é pouco para o Sarau de Marcos Almeida.

Relato da passagem da turnê Eu Sarau por Curitiba

Pelo fato de viajar bastante a trabalho, tive a infeliz coincidência de estar fora de Curitiba nas duas ocasiões em que o Palavrantiga tocou na minha cidade, por isso, quando Marcos Almeida anunciou que seu novo show “Eu Sarau” passaria por aqui, eu logo tratei de garantir meu lugar.

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A noite de sábado, dia 27 de Junho, foi bem típica no inverno da capital paranaense, o clima frio e úmido tornaram o belo Teatro Paiol ainda mais aconchegante e ideal para um show intimista e basicamente feito por um homem só. O carisma, a fala tranquila de Marcos Almeida e a proximidade do público complementaram o cenário e aqueceram os presentes, que encheram o teatro.

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Revezando-se entre violões, guitarra e teclado, Marcos abriu o show com “Sagrado”, e seguiu com várias músicas do Palavrantiga como “Rio Torto”, “Vem me Socorrer” e “Minha Menina”, além de “Cartão Postal”, um dos destaques no CD da cantora Lorena Chaves, todas canções bem conhecidas pelo público e acompanhadas com entusiasmo, e na medida do possível para um artista tocando sozinho, Marcos procurou trazer arranjos bem diferentes para as músicas. Com auxílio de um pedal looping, Marcos criava bases de guitarra e vozes auxiliares e, literalmente, construía as canções ao vivo em frente ao público, neste quesito, destaque para a versão de “Rookmaker”.

Passando para o teclado, Marcos toca pequenos trechos de músicas bem conhecidas como “Casa” e “Feito de Barro”, e após isso o show começa a apresentar momentos diferentes. Marcos conta alguns causos, como quando teve ataque de tiete ao conhecer o poeta e pastor Carlos Nejar dentro em um avião, e lê alguns poemas do poeta, destacando outra faceta do cantor: seu interesse e ligação com a literatura.

 

Em outro momento bem especial, Marcos chama ao palco a cantora Lio, vocalista da banda {Sí}monami, e tocam “Dança” (outra colaboração entre Marcos e Lorena), e com participação do marido da cantora, apresentam uma belíssima versão de “Caçador de Mim”, de Milton Nascimento.

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Voltando à parte básica do repertório, ou seja, músicas do Palavrantiga (todas de autoria de Marcos Almeida, vale ressaltar), o cantor aproveita para apresentar músicas novas, canções ainda não acabadas e com nomes provisórios como “Desaprendi” e “Toda Dor É Por Enquanto”, ambas muito bem recebidas pela plateia.

Caminhando para a parte final do show, o cantor toca uma de suas composições das quais eu mais gosto, e que, segundo ele, tocou pouquíssimas vezes ao vivo, a música “Deus, Onde Estás?” e tenta finalizar o show com a faixa “Partiu”. Eu disse “tenta”, porque o público não deixou acabar por aí, e Marcos vai para o teclado para fechar essa parte da noite com a bela canção “Esperar é Caminhar”.

Marcos encerrou a parte musical da apresentação, pediu um minuto para tomar um copo d’água e voltou para um papo com o público, coisa que em meus vários (pra não dizer muitos) anos frequentando os mais variados tipos de apresentação, eu nunca tinha visto. Aproveitando a proximidade proporcionada pelo local, Marcos pede para que ninguém filme essa conversa e abre espaço para algumas perguntas do público, e responde olhando olhos nos olhos aos presentes, com a sinceridade de quem ainda está desenhando como será a sua retomada musical, dando a entender que não deve mesmo voltar ao Palavrantiga, mas que quer continuar a apresentar suas composições, além de seus demais interesses como poesia e literatura.

O espaço pequeno favoreceu o formato banda-de-um-homem-só, mas Marcos mostrou competência para fazer o espetáculo funcionar mesmo que seja em um local maior, então, caso o show passe por sua cidade, não pense duas vezes e vá assistir. Variando entre momentos calmos e eufóricos, sempre com total atenção por parte do público, ao término das mais de duas horas de apresentação fica claro que com folk, MPB, pop, causos, poesia e bate-papo, um show de rock é muito pouco para Marcos Almeida.

Fique na paz.

@marlosferreira

Quem matou a indústria da Música Cristã Contemporânea?

Escrito por Tyler Huckabee, o texto original pode ser lido clicando aqui.

Tradução @marlosferreira

A antiga banda de Derek Webb, Caedmon’s Call, já foi a queridinha da indústria da Música Cristã Contemporânea (MCC). Seu álbum de estreia homônimo, lançado em 1996, vendeu mais de 250.000 cópias, e seu seguinte, 40 Acres, vendeu cerca de 100.000. Os shows do Caedmon’s Call estavam frequentemente lotados, e realmente ampliaram a popularidade da MCC. Era tão comum ver os estudantes universitários, quanto seus pais, em shows da Caedmon’s Call.

“Tivemos um sucesso muito inesperado, muito cedo”, explica Webb. “Nós nos apoiamos em um momento de sucesso que nunca poderia ter sido previsto. Mas um homem sábio uma vez me disse, ‘As duas coisas que vão arruinar um artista são o sucesso e o fracasso. E, especialmente, nessa sequência.'”

Hoje, Caedmon’s Call é um reflexo empoeirado de uma indústria do passado. Há chances de que você nunca tenha ouvido falar de Caedmon’s Call. Mas a história da banda é um microcosmo interessante, se não uma metáfora da MCC como um todo. No auge da MCC, cerca de 50 milhões de álbuns MCC foram vendidos anualmente. Em 2014, esse número havia caído para 17 milhões. A revista especializada CCM Magazine já há muito deixou de ser impressa, e compositores cristãos modernos lutam para penetrar as massas, além de escrever canções de adoração para reuniões da igreja.

A decadência da MCC é um reflexo do interesse minguante da América no Cristianismo como um todo. O declínio íngreme em vendas da MCC deixou selos e artistas olhando fixamente para o vazio, ao lado de seus pastores, coçando a cabeça, perguntando onde eles erraram.

***

O nascimento da MCC pode ser rastreado até o Jesus Movement no final dos anos 1960, e ela foi conduzida através de seus primeiros anos por hippies tementes a Deus como Larry Norman. Mas ela realmente não decolou até mais de uma década depois, como resultado de pioneiros como Andrae Crouch e Amy Grant. Grant foi uma revelação especial, uma bela adolescente, cujas letras vagas deixavam em aberto se ela estava cantando sobre Deus ou sobre garotos. Foi uma estratégia inteligente, e isso levou vários singles aos Tops da Billboard, e o primeiro álbum cristão a ser disco de platina. Sua fama iria aumentar a fortuna de seu tecladista, Michael W. Smith, cuja carreira na MCC viria a se tornar quase tão importante quanto a de Grant.

Como esses cantores gospel se tornaram grandes estrelas, eles provaram que a MCC poderia ser mais do que apenas uma mísera gravação feita para ajudar os pastores com os jovens; mas que era um grande negócio. Isso lançou as bases para a próxima onda de cantores gospel, incluindo Phil Keaggy, Newsboys, Steven Curtis Chapman e Jaci Valesquez. O grande hit de 1995, “Flood”, do Jars of Clay, fez muito sucesso nas rádios universitárias americanas. Petra lotou arenas ao redor do mundo e vendeu quase 10 milhões de álbuns. Juntos, esses artistas ajudaram a MCC a se tornar um dos gêneros musicais de crescimento mais rápido na América, com muitas bandas encontrando apelo no cruzamento entre ambos os ouvintes religiosos e seculares.

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DC Talk

“Voltando aos anos 90, você poderia acreditar que Jesus Cristo era Deus e criar arte que ainda era interessante, e que o mercado em geral iria responder”, diz Kevin Max.

Ele deve saber. Afinal, ele passou os anos 90 como um membro do DC Talk, inquestionavelmente a maior história de sucesso da década na MCC. Formado em 1989 como um trio de hip-hop, o grupo se transportou para a cena grunge após o sucesso de Nevermind do Nirvana, e prontamente começou a gravar álbuns que ganharam discos duplos de platina. Em 1997, não era incomum encontrar músicas do DC Talk entre as mais pedidas na MTV ou Billboard, tornando-os um dos bens mais valiosos do MCC: uma banda cristã, que também tinha apelo para a cultura em geral.

Olhando para trás, não é difícil perceber porquê. O grupo tinha a pegada do rock alternativo e nunca perdeu sua sensibilidade pop, e canalizou tudo em um show ao vivo verdadeiramente emocionante. Se você ignorar as letras de inclinação religiosa (exemplos de títulos de canções: “Jesus Freak”, “Into Jesus”, “So Help me God”), você poderia imaginar que estava ouvindo algumas boas músicas desconhecidas do Stone Temple Pilots.

Quando Max foi convidado a entrar para o DC Talk, ele aceitou sem saber muito sobre a MCC (“dizer ‘cético’ seria pouco”, ele admite) – o que pode ter sido exatamente que a ocasião necessitava. Não saber as regras ajudou o dcTalk a quebrar todas elas. A letra de uma das faixas do álbum Jesus Freak, de 1995, chamada “What If I Stumble?” perguntava: “E se eu tropeçar e fizer todos nós de idiotas? Será que o amor vai continuar quando a caminhada se tornar um rastejar?” Levantar questões contraditórias em uma religião conhecida por dar respostas deu à sua música uma ousada vantagem.

“Nós estávamos alcançando”, diz Max. “Nós estávamos tentando nos comunicar com o não-cristão tanto quanto estávamos nos comunicando com o cristão. Hoje, quando ouço rádio cristã, vejo os festivais e vejo o que está acontecendo na igreja, eu não vejo muito dessa interatividade. O que vejo agora, é quase como se as portas estivessem se fechado para experimentação com letras, imagens e ideias para as pessoas interagirem.”

Essa é uma avaliação ecoada por Matt Bronleewe, um produtor veterano da MCC que trabalhou no início com o Jars of Clay, outro gigante da MCC nos anos 90. Bronleewe desde então tem colaborado com todos, de Michael W. Smith até Hayden Panettiere, da série Nashville.

“Houve um tempo em que você poderia ouvir uma música sobre Deus, mas não havia um entendimento de que ela também pode trazer algo a mais para o debate”, diz ele.

Como a indústria da música começou a enfrentar as turbulências do mercado digital, a agressividade das gravadoras cresceu para enfrentar esses tipos de riscos, diz Bronleewe. “Não há muito espaço para falhar mais”, explica. “E a chance de falhar é um presente para a criatividade. Quando a possibilidade de falhar é tirada, isso alimenta muito medo. A associação entre produtores e compositores é estreita, a tal ponto que a mesmice começa a ocorrer.”

A indústria da MCC começou contando com apostas certas, e a aposta mais segura de todas foi a que hoje é amplamente conhecida como “música de adoração” – canções que as pessoas cantam na igreja. Inicialmente alimentada por músicos como Chris Tomlin e Sonic Flood, a adoração desde então se tornou o principal produto de exportação do MCC – o fato é que bandas focadas no culto como Hillsong United foram catapultadas a tocar em estádios ao redor do mundo.

Mas seja o que for que a MCC pudesse ter ganho em jogar sua sorte em música de adoração, foi em grande parte perdido em sua capacidade de infiltrar-se em paradas populares como Top 40 ou Now That’s What I Call Music! (Uma grande exceção é o programa do rapper Lecrae, e a MCC está agarrada a ele como a um bote salva-vidas.) Para a maior parte, os artistas da MCC têm se contentado em manter a segurança e tocar para seu pedaço cada vez menor de atenção nos Estados Unidos, ou atacar por conta própria e procurar outros rejeitados.

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John Mark McMillan

John Mark McMillan escolheu a última opção, montando alguns realmente memoráveis grupos de rock and roll com convincentes reflexões sobre a fé. Este caminho não fez dele um sucesso estrondoso, mas em suas palavras, “Eu entrei nessa porque eu amo o que faço e quero fazer o tipo de música que eu faço. Fazer muitas concessões não valeria a pena. ”

“Na MCC, se você quer cantar sobre determinadas coisas mais desconfortáveis, você não vai ter uma oportunidade”, diz ele. “Mas, da mesma forma, se eu quiser cantar sobre Jesus no Top 40, isso não vai acontecer também. Os vigilantes deste mundo são tão estranhos. O problema é que, se eu sou um cristão e eu quero cantar meus pensamentos sinceros a respeito de Jesus, como ou onde é que eu faço isso? ”

Essa é uma pergunta que muitos artistas cristãos de hoje podem estar se fazendo – músicos com mensagens convincentes e talento de nível mundial, mas sem gravadoras dispostas a dar uma chance a eles.

A indústria diminuiu ao fazer música de igreja para igrejas, incapazes de recapturar as ideias que o tornaram uma força tão proeminente nas décadas passadas. Pelo menos, é assim que Derek Webb da Caedmon’s Call sente.

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Derek Webb

“A maneira que eu poderia descrevê-la para nossa banda é esta: Você está fazendo algo”, ele diz: “É significativo e é real, e é visível e é orgânico. Isso torna-se sua biografia. Mas então dois anos passam, aquela biografia é a coisa significativa, mais real e orgânica sobre você. E tudo que você está tentando fazer é manter os elementos dessa biografia, na esperança de que você possa um dia vivê-la novamente. Você se vê fazendo um monte de concessões, mas você ainda não está recebendo as indicações ou os prêmios por vendas. Você não precisa mesmo de alguém para dizer-lhe que as coisas estão ruindo. Você chega a sua própria conclusão. Você só fica se fazendo a mesma pergunta: “Como é que vamos voltar aquilo? ‘”

Essa é a pergunta que a indústria da MCC inteira está se fazendo.

Eduardo Mano lança o CD “Voz Como o Som de Muitas Águas”

O cantor e compositor carioca Eduardo Mano está com trabalho novo, porém como o próprio texto de apresentação do disco no site Noise Trade já avisa, “o compositor tem trabalhado na mesma obra desde 2008″, então se é “novidade” o que você espera, repense esse conceito.

As canções seguem o mesmo estilo folk das gravações anteriores, e como em todos os seus anteriores, Eduardo fez tudo sozinho, em sua própria casa e também como nos anteriores, está disponibilizando o download gratuitamente.

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Sobre disponibilizar o CD gratuitamente, vale muito a pena assistir ao documentário “Ministérios Fracassados”, onde Eduardo explica a motivação de seu trabalho em um depoimento emocionante.

A respeito das canções e do processo de gravação deste novo disco, Eduardo Mano facilitou bastante o nosso trabalho, pois você pode conferir um video onde ele explica tudo, e fazer o download das músicas clicando aqui.

Fiquem na paz.

@marlosferreira

O lançamento do U2 e o valor da música.

O dia 09/09 foi bem agitado para os fãs de tecnologia e também de música pop. A gigante norte-americana Apple apresentou o novo iPhone e um relógio “inteligente”.

Quando o evento já estava caminhando para o final, eis que os boatos que circulavam entre os fãs do U2 se confirmaram, e a banda irlandesa aparece no palco tocando seu novo single “The Miracle (of Joey Ramone)”, até aí tudo bem, mas após uma constrangedora “negociação” entre Bono e Tim Cook é que realmente veio a surpresa, o novo CD – Songs of Innocence – seria disponibilizado gratuitamente a todos os usuários do iTunes, aproximadamente meio Bilhão de pessoas, o que configura o maior lançamento musical de todos os tempos.

 

Este texto não é uma resenha do novo álbum, já o ouvi várias vezes, estou gostando, acho que é bem confessional nas letras e é o melhor deste “All That You Can’t Leave Behind”, mas o objetivo desse é entender os rumos que o mercado da música estão tomando, e que isso pode significar daqui pra frente.

Instantes após CD estar disponível na iTunes, já estava também circulando via torrent, deixando de ser um privilégio exclusivo dos clientes da Apple, mas isso obviamente já era esperado, o que diminui bastante o potencial de venda do CD físico (que deve sair em Outubro), então qual é a intenção do U2, e o que eles ganham com isso? Ganham atenção e mídia, embora a surpresa do lançamento tenha resultado em uma receptividade apenas morna na imprensa cultural ao redor do mundo (o que também é bem normal, afinal a mídia gosta mesmo é de amar aquela banda que ninguém ainda conhece, e tratar qualquer veterano com o ar mais blasé possível, independente da qualidade do material), mas além da atenção e mídia, o U2 atinge um novo público, mostra suas músicas para potenciais novos fãs, o que pode resultar em um aquecimento nas vendas de todo o seu catálogo, e em uma carta divulgada por Bono, prepara o lançamento de um novo álbum já batizado “Songs of Experience” . A sequência natural disso tudo é outra mega turnê mundial para 2015. De bobo eles não têm nada, nem U2, nem Apple.

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Lançar música gratuitamente na internet não é novidade, pelo contrário, para artistas novatos é quase a única forma de começar a mostrar seu trabalho, e mesmo para gente já grande como o Radiohead usou esse expediente no lançamento de “In Rainbows” em 2007, onde o CD foi disponibilizado em um site onde cada um pagava o que quisesse pelo download, ou nem pagava se não quisesse, mas um nome como o U2, a maior (e na minha humilde opinião, a última grande) banda surgida desde o final dos anos 70, uma das poucas com vendas que chegam na casa dos milhões de CDs, essa ruptura tem sim uma significância para o mercado.

Estamos na época em que parar para simplesmente ouvir música é um hábito quase morto. Muitas casas já nem possuem mais um “aparelho de som”, ou seja, um aparelho dedicado exclusivamente para se ouvir música, ouvimos música no computador, no tablet, no celular, enquanto jogamos, estudamos, conversamos com nossos amigos, assistimos televisão, enfim, música virou apenas um ruído de fundo para outras tarefas, infelizmente. Nesse contexto, qual é o sentido de se pagar R$ 25 em um CD com 11 músicas? Para a maioria das pessoas, nenhum.

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Muito tem se escrito sobre o efeito que a queda do valor da música pode ter em sua qualidade. Em seu livro chamado “O Dia Em Que O Rock Morreu”, em um dos poucos momentos de inspiração do livro, o jornalista André Forastieri bate o martelo:

 

A cada canção que você baixa sem pagar, uns centavinhos deixam de entrar no bolso de quem compôs, gravou, produziu. Cauda longa: no acúmulo dos desfalques se inviabilizam carreiras, e principalmente as novas. Bye bye bandas. O rock morreu. E foi você quem matou.

 

O U2 não vai morrer caso a estratégia não funcione corretamente e não atinja o retorno esperado, na pior das hipóteses vai encher estádios mundo afora tocando os clássicos de 20 anos atrás. Quando passar pelo Brasil eu estarei lá. Quando o CD “Songs of Innocence” for lançado fisicamente, eu irei comprar (mentira, irei pedir para a minha esposa como presente de aniversário, e ainda vou pedir a edição luxo) assim como comprei o “In Rainbows”, do Radiohead, mas o fato é que eu não sirvo muito de parâmetro, minha relação com os CDs eu já expliquei nesse texto. Tire você mesmo as suas conclusões.

 

Fiquem na paz.

 

@marlosferreira

Rapha Sousas lança o projeto Severino

Disco já pode ser adquirido através do ITunes

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Rapha Sousas, cantor, compositor, violonista e produtor áudio-visual, acaba de lançar o disco SEVERINO.

O disco composto por 9 canções, tem o título De Tudo Um Pouco e já pode ser adquirido através do ITunes.

Falamos sobre o Rapha no post 10 bandas para embalar os órfãos do Palavrantiga.

Você pode conhecer o projeto SEVERINO no site oficial, clicando aqui!

Oficina G3 lança clipe da música CONFIAR!

A produção foi dirigida por Hugo Pessoa, mesmo diretor do DVD Depois da Guerra.

E o disco Histórias e Bicicletas da banda Oficina G3 enfim ganha uma obra áudio-visual. O vídeo que foi gravado antes da saída do baterista Alexandre Aposan, conta a história de um mal que tem se tornado comum em nosso dias.

Com tiros, carro capotando, ação e drama, a obra é uma grata exceção a tudo que vem sendo produzido no gospel.

Acredito que se o mercado Gospel não levantasse tantos muros, esse clipe seria facilmente exibido em canais como o Multishow, Bis e MTV, pela qualidade de sua produção. Destaco o fato da música não ser proselitista, o que vai fazer com que esse clipe, pelo menos na internet, faça muito sucesso entre pessoas de todas as crenças.

Assista ao clipe abaixo.