Somente rock é pouco para o Sarau de Marcos Almeida.

Relato da passagem da turnê Eu Sarau por Curitiba

Pelo fato de viajar bastante a trabalho, tive a infeliz coincidência de estar fora de Curitiba nas duas ocasiões em que o Palavrantiga tocou na minha cidade, por isso, quando Marcos Almeida anunciou que seu novo show “Eu Sarau” passaria por aqui, eu logo tratei de garantir meu lugar.

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A noite de sábado, dia 27 de Junho, foi bem típica no inverno da capital paranaense, o clima frio e úmido tornaram o belo Teatro Paiol ainda mais aconchegante e ideal para um show intimista e basicamente feito por um homem só. O carisma, a fala tranquila de Marcos Almeida e a proximidade do público complementaram o cenário e aqueceram os presentes, que encheram o teatro.

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Revezando-se entre violões, guitarra e teclado, Marcos abriu o show com “Sagrado”, e seguiu com várias músicas do Palavrantiga como “Rio Torto”, “Vem me Socorrer” e “Minha Menina”, além de “Cartão Postal”, um dos destaques no CD da cantora Lorena Chaves, todas canções bem conhecidas pelo público e acompanhadas com entusiasmo, e na medida do possível para um artista tocando sozinho, Marcos procurou trazer arranjos bem diferentes para as músicas. Com auxílio de um pedal looping, Marcos criava bases de guitarra e vozes auxiliares e, literalmente, construía as canções ao vivo em frente ao público, neste quesito, destaque para a versão de “Rookmaker”.

Passando para o teclado, Marcos toca pequenos trechos de músicas bem conhecidas como “Casa” e “Feito de Barro”, e após isso o show começa a apresentar momentos diferentes. Marcos conta alguns causos, como quando teve ataque de tiete ao conhecer o poeta e pastor Carlos Nejar dentro em um avião, e lê alguns poemas do poeta, destacando outra faceta do cantor: seu interesse e ligação com a literatura.

 

Em outro momento bem especial, Marcos chama ao palco a cantora Lio, vocalista da banda {Sí}monami, e tocam “Dança” (outra colaboração entre Marcos e Lorena), e com participação do marido da cantora, apresentam uma belíssima versão de “Caçador de Mim”, de Milton Nascimento.

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Voltando à parte básica do repertório, ou seja, músicas do Palavrantiga (todas de autoria de Marcos Almeida, vale ressaltar), o cantor aproveita para apresentar músicas novas, canções ainda não acabadas e com nomes provisórios como “Desaprendi” e “Toda Dor É Por Enquanto”, ambas muito bem recebidas pela plateia.

Caminhando para a parte final do show, o cantor toca uma de suas composições das quais eu mais gosto, e que, segundo ele, tocou pouquíssimas vezes ao vivo, a música “Deus, Onde Estás?” e tenta finalizar o show com a faixa “Partiu”. Eu disse “tenta”, porque o público não deixou acabar por aí, e Marcos vai para o teclado para fechar essa parte da noite com a bela canção “Esperar é Caminhar”.

Marcos encerrou a parte musical da apresentação, pediu um minuto para tomar um copo d’água e voltou para um papo com o público, coisa que em meus vários (pra não dizer muitos) anos frequentando os mais variados tipos de apresentação, eu nunca tinha visto. Aproveitando a proximidade proporcionada pelo local, Marcos pede para que ninguém filme essa conversa e abre espaço para algumas perguntas do público, e responde olhando olhos nos olhos aos presentes, com a sinceridade de quem ainda está desenhando como será a sua retomada musical, dando a entender que não deve mesmo voltar ao Palavrantiga, mas que quer continuar a apresentar suas composições, além de seus demais interesses como poesia e literatura.

O espaço pequeno favoreceu o formato banda-de-um-homem-só, mas Marcos mostrou competência para fazer o espetáculo funcionar mesmo que seja em um local maior, então, caso o show passe por sua cidade, não pense duas vezes e vá assistir. Variando entre momentos calmos e eufóricos, sempre com total atenção por parte do público, ao término das mais de duas horas de apresentação fica claro que com folk, MPB, pop, causos, poesia e bate-papo, um show de rock é muito pouco para Marcos Almeida.

Fique na paz.

@marlosferreira